Warner Music Group aumenta em US$ 200 milhões joint venture com a Bain Capital e eleva capacidade para US$ 1,65 bilhão

A Warner expande a capacidade total da joint venture e indica novas aquisições de catálogos ainda em 2026.
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Nathália Pandeló
Warner Music Group e Bain Capital devem se unir em joint venture (Crédito: Reprodução)
Warner Music Group e Bain Capital devem se unir em joint venture (Crédito: Reprodução)

O Warner Music Group anunciou o crescimento de sua joint venture com a Bain Capital, adicionando US$ 200 milhões à iniciativa voltada para aquisição de catálogos musicais. O aporte será dividido igualmente entre as duas partes, com US$ 100 milhões investidos por cada uma, segundo comunicado feito durante a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025.

Com o novo compromisso de capital, a capacidade total da joint venture passa de US$ 1,2 bilhão para aproximadamente US$ 1,65 bilhão, considerando a manutenção da atual proporção entre capital próprio e endividamento. A expansão ocorre em um momento de reacomodação do mercado de catálogos, após um ciclo de forte valorização desses ativos entre 2020 e 2022.

O anúncio foi feito em meio à apresentação do desempenho financeiro da Warner no período, que mostrou crescimento de receita, mas queda no lucro líquido, evidenciando um cenário mais equilibrado entre expansão operacional e pressões financeiras.

Estrutura da joint venture e plano de investimentos

Durante a teleconferência com investidores, o diretor financeiro Armin Zerza afirmou que a joint venture deve utilizar uma parcela relevante da sua capacidade total ainda até o fim do atual exercício fiscal. A declaração indica que novas aquisições podem ser anunciadas nos próximos meses, embora a empresa não tenha detalhado alvos específicos.

Como você já leu aqui no Mundo da Música, a parceria entre o Warner Music Group e a Bain Capital foi estruturada em 2025 para operar como um esforço dedicado à compra de catálogos, combinando a capacidade financeira do fundo de private equity com a operação de administração, sincronização e monetização da major. O aumento do capital próprio preserva a lógica inicial do projeto e evita mudanças relevantes no perfil de risco da operação.

O movimento também reflete a permanência dos catálogos como ativos considerados estratégicos, especialmente em um contexto de crescimento mais previsível do streaming e de maior demanda por sincronizações em audiovisual, publicidade e plataformas digitais.

Receita cresce, mas lucro recua no trimestre

Robert Kyncl, CEO da Warner
Robert Kyncl, CEO da Warner

No quarto trimestre de 2025, a Warner registrou receita total de US$ 1,84 bilhão, alta de 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi distribuído entre música gravada e edição musical.

O lucro líquido, no entanto, caiu para US$ 175 milhões, ante US$ 241 milhões no quarto trimestre de 2024, uma retração de 27%. Segundo a empresa, a variação está associada principalmente a efeitos cambiais sobre dívidas denominadas em euro, além de oscilações relacionadas a empréstimos intercompanhias e operações de fundos.

Já o lucro operacional alcançou US$ 288 milhões, crescimento de 26,3% na comparação anual, enquanto o OIBDA ajustado somou US$ 463 milhões, avanço de 22,2%. A margem OIBDA ajustada subiu para 25,2%, frente a 22,1% no ano anterior.

Streaming sustenta a música gravada

A divisão de música gravada do Warner Music Group registrou receita de US$ 1,48 bilhão no trimestre, alta de 6,6% em moeda constante. O streaming respondeu pela maior parte desse resultado, com crescimento de 9,1% e faturamento de US$ 960 milhões.

A receita de streaming por assinatura avançou 10,9%, totalizando US$ 721 milhões, enquanto o streaming com publicidade cresceu 3,9%, chegando a US$ 239 milhões. A empresa atribui o desempenho a tendências positivas de participação de mercado e ao desempenho do catálogo nos principais serviços digitais.

Outras linhas de receita também contribuíram. Serviços a artistas e direitos expandidos cresceram 12,7%, alcançando US$ 231 milhões, impulsionados por atividades ligadas a promoção e shows. Já a receita física recuou 11,1%, reflexo de uma base de comparação mais forte no ano anterior, especialmente em mercados asiáticos.

Editorial, TikTok e inteligência artificial

Usuário acessando o aplicativo TikTok em um smartphone, destacando a interface do app com a logo do TikTok. O cenário apresenta um ambiente confortável e aconchegante. Estudo da Luminate avalia o impacto do app. estratégias digitais

A Warner Chappell Music, divisão editorial do grupo, registrou receita de US$ 362 milhões, crescimento de 9,4% em moeda constante. O destaque foi a receita de sincronização, que avançou 53,8%, puxada por licenciamento para televisão, publicidade e acordos comerciais.

Durante a apresentação de resultados, o CEO Robert Kyncl confirmou a renovação do acordo de licenciamento com o TikTok, sob termos revisados. Ele afirmou que a participação da plataforma representa uma fatia de “um dígito baixo” da receita total da empresa, mas destacou mudanças estruturais no acordo relacionadas a dados e uso promocional.

Outro ponto citado foi a parceria com a plataforma de inteligência artificial Suno. Segundo Zerza, a iniciativa já gera centenas de milhões de dólares em receita anual e deve começar a impactar de forma mais direta os resultados a partir de 2027.

Com a ampliação da joint venture com a Bain Capital, o Warner Music Group busca abocanhar mais uma parte do mercado de catálogos em um momento de maior cautela do setor.

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