Turnê se torna inviável para 82% dos artistas independentes, aponta Ditto
Estudo da Ditto Music revela que a maioria dos artistas independentes não consegue bancar uma turnê, jogando luz desafios financeiros do setor.
Por Nathália Pandeló···3 min de leitura·
O alto custo de vida e a falta de apoio financeiro têm dificultado a realização de turnês para artistas independentes em 2025 — e um levantamento da Ditto Music comprova isso. A pesquisa revelou que 82,1% dos músicos sem contrato afirmam não ter condições financeiras para sair em turnê.
A pesquisa, que ouviu 1.500 artistas de dezenas de países, mostrou que 74,8% nunca conseguiram realizar uma turnê e que 58,3% já recusaram oportunidades por razões financeiras. O cenário se repete globalmente, refletindo um ambiente econômico que dificulta a sustentabilidade de carreiras musicais independentes.
Custo alto e autofinanciamento
A grande maioria dos artistas entrevistados relatou que precisa bancar a própria carreira, com 75% afirmando que usam economias pessoais para cobrir despesas com produção musical, divulgação, distribuição e equipamentos. A falta de apoio financeiro externo acaba limitando a capacidade de investir em turnês.
Os custos de produção, estúdio e marketing aparecem entre as principais despesas, tornando inviável a alocação de recursos para viagens e shows. O financiamento por meio de royalties, patrocínios ou empréstimos é raro, representando uma parcela pequena da receita dos artistas.
Além disso, a ausência de incentivos do setor e de políticas públicas de apoio à cultura agrava ainda mais a situação. Muitos músicos buscam alternativas como financiamento coletivo e parcerias com marcas, mas essas opções ainda são limitadas e não garantem uma estrutura mínima para a realização de turnês.
Turnês seguem inacessíveis para jovens artistas
O impacto é ainda maior entre os artistas mais jovens. No grupo de 18 a 24 anos, 87,5% disseram que turnês são financeiramente impossíveis. Entre aqueles com idades entre 25 e 34 anos, o percentual ainda é alto, chegando a 80,5%.
O problema também afeta artistas mais velhos. Na faixa dos 35 aos 44 anos, 74,4% declararam não ter condições de sair em turnê. O cenário se repete entre os de 45 a 54 anos (76%) e volta a subir para 86,5% entre aqueles acima de 55 anos.
A dificuldade de arrecadação para turnês se soma a um mercado cada vez mais competitivo, onde plataformas de streaming se tornaram a principal fonte de receita para muitos músicos. No entanto, os valores repassados por essas plataformas ainda são insuficientes para custear deslocamentos, hospedagem e produção de shows.
Diferenças entre países
A inacessibilidade das turnês é um fenômeno global. Na África do Sul, 84,7% dos artistas dizem que não conseguem bancar uma turnê. No Reino Unido, o percentual é de 83,6%, seguido pelos Estados Unidos, onde 82,5% relatam as mesmas dificuldades. O problema também é significativo no Canadá (78,7%) e na Austrália (80,7%).
A crescente dificuldade de viabilizar turnês levanta discussões sobre o futuro da indústria musical, especialmente para os artistas independentes. Sem incentivos financeiros e com um modelo de negócios focado no digital, a realização de turnês pode se tornar ainda mais restrita, impactando a diversidade e renovação do mercado.
Cenário no Brasil
No Brasil, os dados seguem a tendência global. Cerca de 75% dos artistas afirmam que não conseguem bancar os custos de uma turnê. Os gastos mais citados incluem produção musical, marketing, distribuição, tempo de estúdio e equipamentos.
Assim como em outros países, os artistas brasileiros também recorrem a fontes próprias para financiar suas carreiras. O autofinanciamento é apontado como a principal forma de sustentação, enquanto outras opções, como royalties, patrocínios ou empréstimos, são menos comuns. O cenário aponta para a necessidade de novas soluções e um modelo mais sustentável para que os músicos possam circular e alcançar novos públicos.
A falta de suporte financeiro impacta diretamente a diversidade musical, já que muitos artistas acabam desistindo da carreira por não conseguirem cobrir custos básicos. O mercado pode se tornar cada vez mais restrito, favorecendo apenas aqueles que já contam com estrutura consolidada.
Vítima de um câncer do sistema linfático, Netinho fez história como vocalista da Banda Beijo e cravou seu nome na axé music e no Carnaval de Salvador com sucessos solo como “Milla”