A Som Livre estreia hoje (19) o videocast “Mesa de Som”, projeto que coloca a memória da indústria fonográfica no centro da pauta e abre espaço para histórias contadas por quem viveu a rotina de estúdio de perto. A proposta chega ao YouTube em episódios semanais, sempre às segundas-feiras, às 18h, com conteúdo dividido em blocos.
Gravado no estúdio da gravadora na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o formato mira um tipo de conversa que costuma ficar fora do radar do público. Em vez de girar em torno de lançamentos, a série parte de bastidores, processos de criação e encontros que ajudam a explicar como certos repertórios ganharam forma e atravessaram décadas.
O episódio piloto reúne Guto Graça Mello e Michael Sullivan, com mediação de Marcos Salles, biógrafo, produtor musical e pesquisador ligado à preservação de histórias da música brasileira. O material é inédito e será publicado em quatro partes, com recortes temáticos.
Conversas longas para destrinchar o que não aparece nos créditos
O “Mesa de Som” funciona como um arquivo falado de decisões criativas. O estúdio, aqui, é mais do que cenário. É o ponto de partida para lembrar que o resultado de uma gravação envolve escolhas de arranjo, interpretação, repertório e direção musical que nem sempre ficam claras para quem ouve a obra pronta.
No piloto, a dupla percorre memórias de uma época em que produzir significava testar caminhos, lidando com limitações e possibilidades técnicas do período, e também com a dinâmica humana do estúdio. A conversa organiza esse “making of” em linguagem acessível, sem depender de termos técnicos para soar profunda.
Ao longo do episódio, surgem passagens ligadas a artistas como Roberto Carlos, Tim Maia, Xuxa Meneghel e Cazuza, além de nomes do samba e da música popular como Almir Guineto e Jovelina Pérola Negra. O fio condutor é o tipo de detalhe que ajuda a entender como canções e produções se tornaram referência, e por que determinados sons marcaram uma geração.
Também pesa o recorte de quem está falando. Guto e Sullivan são figuras que, por função, costumam aparecer mais nos bastidores do que na linha de frente, mesmo quando o trabalho deles está no DNA de discos, trilhas e projetos que circularam em massa.
O que esse tipo de conteúdo diz sobre o momento do mercado

Videocasts e podcasts viraram uma vitrine forte para histórias longas, com tempo para nuance. Para uma gravadora, isso significa abrir uma frente de conteúdo que conversa com catálogo e legado sem virar vitrine de “anúncio”. O “Mesa de Som” tenta fazer essa curva ao colocar o estúdio e seus personagens como foco principal.
No caso da Som Livre, que hoje faz parte da Sony Music Entertainment e carrega uma história ligada tanto ao fonográfico quanto a projetos em torno de cultura pop brasileira, o formato ajuda a recontar capítulos que muita gente conhece pelo resultado final, mas não pelo processo.
A série também encaixa no apetite atual por contextualização. Em um cenário em que trechos de áudio e vídeo circulam rápido, o videocast oferece o contrário: tempo, bastidor e autoria explicada. Para o público, isso costuma funcionar como “aula” informal sobre como a música é feita. Para o mercado, vira uma vitrine de ofícios, da produção à composição.
Cronograma do episódio piloto no YouTube
O conteúdo com Guto Graça Mello e Michael Sullivan será publicado em quatro blocos, sempre às segundas-feiras, às 18h, com exibição exclusiva no canal do YouTube da Som Livre:
19/01 – Bloco 01: Almir Guineto + Barão Vermelho
26/01 – Bloco 02: Roberto Carlos
02/02 – Bloco 03: Pecado Capital + Tim Maia + Jovelina Pérola Negra
09/02 – Bloco 04: Xuxa Meneghel
Ao dividir o piloto em quatro partes, o “Mesa de Som” estabelece desde a estreia um ritmo fixo de publicação e um recorte editorial claro. Cada bloco se ancora em artistas e obras específicas, como “Pecado Capital”, Barão Vermelho e o repertório de Roberto Carlos, organizando a conversa por períodos e projetos concretos da música brasileira. O modelo também indica que os próximos episódios devem seguir a mesma lógica, com encontros longos, temáticos e ancorados em experiências diretas de estúdio, funcionando como um registro contínuo de memória da indústria.
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