Pro-Música divulga ranking das 50 músicas mais tocadas em 2025 no Brasil nas principais plataformas
Depois de sete anos consecutivos liderados por faixas sertanejas, o primeiro lugar da Pró-Música em 2025 ficou com um pagode: “P Do Pecado (Ao Vivo)”, do Grupo Menos É Mais com participação de Simone Mendes
Por Nathália Pandeló···9 min de leitura·
A Pro-MúsicaBrasil acaba de divulgar o relatório com as 50 músicas mais tocadas no Brasil em 2025, considerando o consumo somado das principais plataformas digitais do país. O ranking reúne dados deSpotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon MusiceNapster, oferecendo um retrato consolidado do que, de fato, o público brasileiro mais ouviu ao longo do ano.
A lista marca uma virada simbólica no topo do streaming nacional. Depois de sete anos consecutivos liderados por faixas sertanejas, o primeiro lugar em 2025 ficou com um pagode. “P Do Pecado (Ao Vivo)”, do Grupo Menos É Mais com participação de Simone Mendes, encerrou o ano como a música mais tocada do país, considerando o desempenho agregado em todas as plataformas analisadas.
Além de apontar os hits mais populares, o relatório da Pro-Música Brasil ajuda a entender padrões de consumo, como a força das gravações ao vivo, o peso das colaborações e o espaço cada vez maior de gêneros regionais e urbanos no mainstream digital brasileiro.
Pagode lidera, mas diversidade marca o Top 10
O pódio do ranking de 2025 reúne dois gêneros historicamente centrais no consumo nacional. Além de “P Do Pecado (Ao Vivo)” no topo, “Tubarões (Ao Vivo)”, de Diego & Victor Hugo, ficou na segunda posição, enquanto “Coração Partido (Corazón Partío) (Ao Vivo)”, também do Grupo Menos É Mais, garantiu o terceiro lugar.
O Top 10 mostra um equilíbrio entre estilos. Há três faixas ligadas à música urbana, incluindo trap e funk, três sertanejas, uma de forró e o pagode que lidera a lista. Na prática, o recorte confirma que o público brasileiro não se concentra em um único gênero quando o assunto é streaming, mesmo com a força histórica do sertanejo.
“Ter a música mais tocada do ano e ocupar três posições entre as cinco primeiras do ranking da Pro-Música é a confirmação de que estamos no caminho certo, investindo em artistas fortes, repertório relevante e estratégias que ampliam o alcance das canções em todo o Brasil”, afirma Tati Cantinho, SVP e Label Head da Som Livre.
Tatiana Cantinho, SVP & Label Head da Som Livre. Foto: Divulgação
“É com grande satisfação que vemos o Grupo Menos é Mais e o pagode no topo do ranking. Em 2025, o grupo fez história ao tornar-se o primeiro nome do gênero a alcançar a liderança na parada do Spotify no Brasil, um feito que demonstra a força e a relevância do pagode na música brasileira. No caso de Danilo e David, com ‘Apaga, Apaga, Apaga’, fico feliz em acompanhar o surgimento de um primeiro sucesso tão expressivo de novos e talentosos artistas, que seguem a sua trajetória de crescimento contando com o total apoio e dedicação do time da Som Livre”, comenta Fernando Cabral, CEO da Sony Music Entertainment Brasil.
Fernando Cabral de Mello é o CEO da Sony Music Entertainment Brasil. Foto: Divulgação/Sony Music Brasil
Outro dado que chama atenção é a recorrência de versões ao vivo entre as faixas mais populares. Boa parte das músicas que aparecem nas primeiras posições são gravações feitas em shows, lançadas posteriormente nas plataformas digitais e consumidas em larga escala.
Gravações ao vivo dominam o consumo digital
(Crédito: Elise Bunting)
Das 50 músicas mais tocadas no Brasil em 2025, 27 são registros ao vivo. Ou seja, mais da metade do ranking. O dado ajuda a explicar uma característica muito específica do mercado brasileiro: a relação direta entre palco e streaming.
No sertanejo, esse modelo já é consolidado há anos, com projetos gravados diante do público funcionando como motor de lançamentos e consumo contínuo desde os tempos áureos do DVD. Em 2025, esse padrão também aparece com força no pagode, que vem investindo cada vez mais em registros audiovisuais para plataformas digitais.
Para o ouvinte, a gravação ao vivo entrega uma sensação de proximidade e experiência coletiva, mesmo fora do ambiente do show. Para artistas e gravadoras, é um formato que prolonga o ciclo de vida das músicas e gera novos picos de audiência no streaming.
Colaborações impulsionam funk e música urbana
Se o sertanejo e o pagode se apoiam fortemente em gravações ao vivo, o funk e a música urbana aparecem no ranking com outra característica clara: o alto número de colaborações. Diversas faixas do Top 50 reúnem múltiplos artistas, DJs e participações especiais.
Esse formato dialoga com a lógica criativa desses gêneros, baseada em trocas constantes, circulação de públicos e lançamentos rápidos. Ao unir nomes de diferentes cenas, as músicas conseguem atingir audiências maiores e acelerar o desempenho nas plataformas.
O ranking também mostra como ritmos regionais, como arrocha e piseiro, seguem ganhando espaço no consumo nacional. Mesmo sem dominar as primeiras posições, esses estilos aparecem distribuídos ao longo da lista, confirmando um streaming cada vez mais plural.
Música brasileira domina o ranking, mas artistas mulheres ainda têm baixa representatividade
Teddy Swims
Um dos números mais contundentes do relatório é a predominância de repertório nacional. Das 50 músicas mais tocadas no Brasil em 2025, 47 são brasileiras, o equivalente a 94% da lista. Apenas três faixas internacionais aparecem no ranking.
“Die With A Smile”, de Lady Gaga e Bruno Mars, na 14ª posição, “Ordinary”, de Alex Warren, em 47º, e “Lose Control”, de Teddy Swims, em 48º, são as únicas representantes de fora do Brasil. O dado reforça um comportamento já observado nos últimos anos: o streaming brasileiro é majoritariamente abastecido por música produzida no próprio país.
A presença feminina no ranking segue concentrada em poucos nomes. Ao todo, seis artistas mulheres aparecem na lista: Simone Mendes, Lauana Prado, Ana Castela, Anitta, Lady Gaga e Débora Rabelo – aproximadamente 7,5% do total de artistas citados no ranking da Pro-Música em 2025.. Entre elas, Simone Mendes é o principal destaque, com quatro faixas no Top 50, incluindo a música mais tocada do ano, tanto em carreira solo quanto em colaborações.
Ana Castela e Lauana Prado aparecem em parcerias dentro do sertanejo, enquanto Anitta surge representando o pop e o funk em uma colaboração. Lady Gaga é uma das três artistas internacionais do ranking, e Débora Rabelo integra um projeto de música cristã presente na parte final da lista. O recorte evidencia que, apesar da forte presença da música brasileira no streaming, a participação feminina ainda é limitada em número quando comparada à predominância de artistas homens no ranking.
O levantamento foi compilado pela BMAT e é o único no Brasil que combina e pondera dados de todas as principais plataformas de streaming. Segundo a Pro-Música, essa metodologia oferece a visão mais abrangente sobre o consumo musical no país e serve como referência para gravadoras, artistas e toda a indústria fonográfica.
Confira o ranking completo das 50 músicas mais tocadas no Brasil em 2025, segundo a Pro-Música:
1. P Do Pecado (Ao Vivo) – Grupo Menos É Mais, Simone Mendes
2. Tubarões (Ao Vivo) – Diego & Victor Hugo
3. Coração Partido (Corazón Partío) (Ao Vivo) – Grupo Menos É Mais
4. Apaga Apaga Apaga (Ao Vivo) – Danilo & Davi
5. Última Saudade (Ao Vivo) – Henrique & Juliano
6. Fui Mlk (Feat. Famouskyo) – Nilo, Dj Di Marques & Mc Paiva Zs
7. Famosinha – Dj Caio Vieira, Mc Meno K, Mc Rodrigo Do Cn
8. Oh Garota Eu Quero Você Só Pra Mim (Feat. Dj Lc Da Roça, Mc K9, Mc Rodrigo Do Cn & Mc Pl Alves) – Oruam, Zé Felipe, Mc Tuto
9. Ilusão De Ótica (Ao Vivo) – Matheus & Kauan, Ana Castela
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