Playlists de treino crescem 42% no Spotify Brasil e refletem avanço do bem-estar no consumo musical
As playlists de treino ultrapassaram 1 milhão de criações em 2025 no Brasil e conectam hábitos de atividade física a um movimento global.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
As playlists de treino ganharam espaço definitivo na rotina dos brasileiros. Em 2025, mais de 1 milhão de seleções criadas por usuários no Brasil trouxeram termos como “treino” ou “academia” no título, segundo dados do Spotify. O número representa um crescimento de 42% em relação a 2024 e coloca esse tipo de lista como o maior movimento temático registrado na plataforma no país no último ano.
O avanço ajuda a entender como o consumo de música passa a acompanhar práticas ligadas ao bem-estar e à organização do dia a dia. Em vez de funcionar apenas como entretenimento, as playlists assumem um papel prático, associado a foco, ritmo e constância durante atividades físicas, tanto em academias quanto em treinos ao ar livre ou em casa.
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Esse comportamento não se limita a um público específico e sequer ficam restritas ao pico de volta às academias registrado em janeiro. As playlists de treino aparecem como um ponto de encontro entre música, rotina e autocuidado, refletindo mudanças mais amplas na forma como os usuários se relacionam com o streaming e organizam seus hábitos diários.
Playlists de treino crescem entre jovens e criam novos hábitos
A criação de playlists de treino cresce em todas as faixas etárias, mas o ritmo é mais acelerado entre os mais jovens. Entre usuários com menos de 24 anos, o aumento foi de 61% em relação ao ano anterior. O dado sugere que a associação entre música, exercício físico e bem-estar começa cada vez mais cedo, influenciando a formação de hábitos culturais desde a juventude.
Esse tipo de playlist costuma ter uso recorrente, o que a diferencia de listas criadas para momentos pontuais, como festas ou viagens. Ao entrar na rotina semanal ou diária, essas seleções tendem a ser reutilizadas por longos períodos, o que acaba gerando padrões de escuta mais estáveis e previsíveis.
Para o mercado da música, esse comportamento indica que as playlists não funcionam meramente como “vitrines de descoberta”, mas também como ferramentas ligadas a contextos específicos de uso, com impacto direto na frequência de consumo e na relação dos ouvintes com determinados gêneros e artistas.
Funk lidera as playlists e traduz o ritmo do treino no Brasil
Os dados também revelam qual é o som mais associado ao treino no Brasil. O funk aparece como o gênero mais presente nas playlists de treino criadas em 2025. Isso evidencia sua conexão com ritmo acelerado e batidas contínuas, características valorizadas durante atividades físicas.
A música mais adicionada nessas playlists foi “MTG na Imaginação”, de DJ TOPO e MC Livinho. Entre os artistas mais recorrentes aparecem MC GW, MC Rodrigo do CN, MC Nito, MC Jhey e MC Livinho, nomes que concentram boa parte das escolhas feitas pelos usuários nesse tipo de lista.
O recorte ajuda a entender como gêneros populares no Brasil ocupam espaços funcionais no cotidiano, conectando consumo musical a práticas ligadas à performance física e à manutenção do ritmo durante o exercício.
Um comportamento que se repete em outros mercados
Embora os números do Brasil chamem atenção, o avanço das playlists de treino acompanha um movimento observado em outros mercados. Nos Estados Unidos, o próprio Spotify registrou um aumento de 39% na escuta de playlists voltadas a exercícios físicos em janeiro, na comparação com dezembro, período tradicionalmente associado a metas de saúde e bem-estar. Na Europa, playlists com termos como “workout”, “fitness” e “gym” figuram de forma recorrente entre as categorias mais criadas por usuários em países como Reino Unido, Alemanha e França.
Pesquisas internacionais com usuários de academias e aplicativos de atividade física ajudam a explicar esse comportamento. Levantamentos realizados em mercados da América do Norte e da Europa indicam que mais de 90% dos praticantes de exercício consideram a música um fator relevante para manter motivação e ritmo durante o treino, enquanto cerca de 95% afirmam que a trilha sonora influencia diretamente o desempenho físico. Esses dados reforçam o papel das playlists como parte funcional da experiência de treino, e não apenas como fundo sonoro.
Nesse cenário, o Brasil se destaca pelo volume absoluto de playlists criadas e pela taxa de crescimento anual, mas segue uma lógica já observada globalmente, em que a música passa a acompanhar rotinas ligadas à saúde, ao autocuidado e à organização do tempo.
Dados ajudam a mapear o uso das playlists no dia a dia
A análise do Spotify considerou playlists criadas em 2025, com exclusão de termos genéricos como “minha”, “músicas”, “playlist” e nomes de gêneros. O objetivo foi identificar temas diretamente associados ao comportamento dos usuários, com “treino” e “academia” liderando esse ranking.
Com mais de 713 milhões de usuários em mais de 180 mercados, a plataforma reúne uma base ampla para observar padrões de uso e mudanças no consumo musical. Mais do que uma tendência pontual, os dados sugerem a consolidação das playlists como ferramentas de organização da escuta, alinhadas a momentos específicos da rotina.
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