Novos co-CEOs do Spotify assumem em dupla e revelam as prioridades da plataforma para 2026

O Spotify inicia 2026 sob comando compartilhado de Alex Norström e Gustav Söderström, em um momento de transição estratégica e expansão do negócio.
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Nathália Pandeló
Gustav Söderström e Alex Norström são os novos co-CEOs do Spotify
Gustav Söderström e Alex Norström são os novos co-CEOs do Spotify (Crédito: Divulgação)

O Spotify começou 2026 com uma das mudanças mais relevantes de sua história recente: a adoção oficial de um modelo de liderança com dois CEOs. Alex Norström e Gustav Söderström assumem o comando executivo da empresa, enquanto Daniel Ek deixa o cargo de CEO e passa a atuar como diretor executivo, concentrado em estratégia de longo prazo e decisões de capital.

A transição acontece após um 2025 considerado internamente como um dos anos mais fortes da companhia, tanto em crescimento de usuários e assinantes quanto em repasses financeiros à indústria musical. Logo após assumir, os novos CEOs divulgaram uma mensagem conjunta reforçando que a mudança de cargos não representa uma ruptura, mas a continuidade de um projeto construído ao longo de mais de 15 anos dentro da empresa.

Ao longo do texto, a dupla deixa claro que, mesmo com a expansão para podcasts, audiolivros e vídeo, a música segue como eixo central do Spotify. Ao mesmo tempo, reconhece que o mercado mudou radicalmente desde a fundação da plataforma e que as decisões de agora carregam um peso maior sobre todo o ecossistema criativo.

Por que o Spotify aposta em dois CEOs

O modelo de dois CEOs reflete a própria complexidade atual do Spotify. A empresa deixou de ser apenas um serviço de streaming musical para se tornar uma plataforma que reúne música, podcasts, audiolivros, publicidade e ferramentas para criadores, operando em mais de 180 países.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, a divisão de liderança acompanha os perfis complementares dos executivos. Gustav Söderström construiu sua trajetória no Spotify à frente de produto e tecnologia, liderando a evolução da plataforma e sua arquitetura técnica. Já Alex Norström tem histórico ligado a negócios, publicidade, assinaturas, parcerias e licenciamento.

Na prática, o modelo busca integrar decisões de produto, tecnologia e monetização no mesmo nível executivo. Para o mercado, isso reduz fricções internas e acelera respostas em um cenário de competição crescente entre plataformas de áudio e vídeo.

Controle do usuário e IA como ferramenta prática

Daniel Ek, CEO do Spotify
Daniel Ek, ex-CEO do Spotify. Foto: Divulgação

Entre as prioridades destacadas pelos CEOs está a ideia de que o tempo gasto no Spotify precisa valer a pena para o usuário. Segundo sua visão, a plataforma deve entregar descobertas, experiências e conteúdos que façam sentido dentro da rotina de quem ouve, assiste ou lê.

Nesse contexto, a inteligência artificial aparece como ferramenta de personalização, não de automação. O Spotify reforça que não trabalha com a ideia de um único produto, mas de centenas de milhões de experiências distintas, moldadas pelo gosto de cada pessoa. Recursos como playlists guiadas por comandos, pedidos diretos ao “DJ” e ferramentas de mixagem entram nessa estratégia.

Ou seja, o foco está em dar mais controle ao usuário sobre o que escuta, em vez de depender apenas de recomendações automáticas. A tecnologia passa a atuar como apoio às escolhas, não como substituição delas.

Criadores, vídeo e o desafio de ganhar escala

A chegada dos novos CEOs também coincide com a aceleração de iniciativas voltadas à criação e à monetização de conteúdo, especialmente em podcasts e vídeo. O Spotify vem expandindo ferramentas de patrocínio, anúncios e acesso a programas de monetização para criadores, em uma tentativa de tornar esses formatos financeiramente mais previsíveis.

Análises recentes do mercado financeiro apontam que esse segue sendo um dos principais desafios da empresa. Embora o engajamento em podcasts e audiolivros cresça, a conversão desse consumo em margens semelhantes às da música ainda é um ponto de atenção para investidores.

Para Norström e Söderström, o papel do Spotify é funcionar como uma espécie de laboratório para o ecossistema criativo, oferecendo tecnologia, dados e infraestrutura para que artistas, autores e criadores consigam alcançar público e gerar receita. Em 2025, a empresa afirma ter lançado mais de 50 melhorias relevantes na plataforma e registrado os maiores repasses financeiros de sua história à indústria.

Transição calculada e cultura interna

Outro ponto central do discurso dos CEOs é a valorização das equipes internas. A liderança compartilhada é apresentada como reflexo de um time global, formado por profissionais de música, podcasts, livros e tecnologia espalhados por diferentes regiões.

Com Daniel Ek atuando como diretor executivo, o Spotify adota um modelo mais comum em empresas europeias, separando a gestão operacional do direcionamento estratégico de longo prazo. Para o mercado, a movimentação sinaliza estabilidade e continuidade em um momento de transformação estrutural do setor de áudio.

Vinte anos depois de surgir em um mercado fragilizado pela pirataria, o Spotify entra em 2026 diante de desafios bem diferentes dos que marcaram sua origem. A plataforma precisa sustentar crescimento, justificar investimentos em novos formatos e transformar engajamento em resultados financeiros mais consistentes, especialmente fora do streaming musical tradicional.

A adoção de dois CEOs indica uma tentativa de responder a esse cenário com uma estrutura de comando mais funcional do que simbólica. Ao reunir produto, tecnologia e negócios no mesmo nível decisório, o Spotify sinaliza que suas próximas escolhas estarão menos ligadas a discursos de visão e mais à execução cotidiana de uma estratégia cada vez mais pressionada por margens, concorrência e expectativas do mercado.

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