Música latina cresce 8,6% nos EUA e movimenta US$ 542 milhões no primeiro semestre de 2026
A música latina supera o crescimento do mercado fonográfico dos EUA, chega a 9,1% das receitas e vê o faturamento com vinil saltar 245,8%.
Por Nathália Pandeló··4 min de leitura·
A música latina movimentou US$ 542,2 milhões no mercado de música gravada dos Estados Unidos durante o primeiro semestre de 2026, alta de 8,6% na comparação anual. Os dados são da Recording Industry Association of America (RIAA), associação que representa a indústria fonográfica americana.
O ritmo ficou acima do registrado pelo mercado de música gravada dos Estados Unidos como um todo, que cresceu 6,9% no mesmo período. Com isso, o repertório latino passou a representar 9,1% das receitas do setor no país, contra 8,8% no primeiro semestre de 2025.
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O resultado também marca o 13º primeiro semestre consecutivo de crescimento para a música latina nos Estados Unidos. Em 2017, sua participação no mercado era de apenas 2,9%. A evolução para os atuais 9,1% ajuda a dimensionar como esse repertório ganhou espaço comercial no país ao longo de menos de uma década.
Streaming responde por 96% das receitas
O streaming continua concentrando a maior parte do dinheiro movimentado pela música latina. No primeiro semestre, o formato respondeu por 96% das receitas, com US$ 522,2 milhões, alta de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025.
As assinaturas pagas tiveram um desempenho ainda maior. A categoria cresceu 12,4% e movimentou US$ 308,4 milhões, equivalente a 56,9% de toda a receita latina registrada no país. Já o streaming gratuito sustentado por publicidade chegou a US$ 177,8 milhões, com queda de 1,1%.
Os números mostram uma diferença importante dentro do próprio consumo digital. Embora as plataformas continuem dominantes, o avanço está concentrado principalmente nos usuários que pagam mensalmente pelos serviços. Os downloads permanentes seguiram o movimento contrário e caíram 11,8%, para US$ 2,8 milhões.
A expansão também aparece fora dos Estados Unidos. Dados da Luminate citados no levantamento mostram que a música latina alcançou 363,2 bilhões de reproduções globais no primeiro semestre de 2026, contra 335,3 bilhões no mesmo período do ano anterior.
A receita da música latina nos EUA cresce pelo 13º ano seguido (Crédito: Divulgação)
Vinil latino cresce 245,8% no primeiro semestre
Se o streaming movimenta quase todo o dinheiro do setor, o maior crescimento percentual veio de um formato físico. As receitas com vinil latino dispararam 245,8%, chegando a US$ 13,7 milhões nos seis primeiros meses do ano. Cerca de 800 mil unidades foram vendidas, alta de 291,2%.
Com esse desempenho, o vinil respondeu por praticamente toda a receita de US$ 14 milhões dos formatos físicos latinos, que cresceram 232,2%. O valor ainda é pequeno diante dos mais de US$ 500 milhões gerados pelo streaming, mas indica espaço para produtos físicos ligados a artistas com bases de fãs dispostas a comprar itens além do acesso digital às músicas.
O resultado também contrasta com 2025. No primeiro semestre daquele ano, as receitas físicas latinas haviam caído 24,9%, enquanto o próprio vinil registrou retração de 10,6%. Em apenas seis meses de 2026, o formato gerou mais receita para a música latina do que durante todo o ano anterior.
Sincronização dobra e música latina ocupa grandes eventos
Outra fonte de receita que avançou foi a sincronização, nome dado ao licenciamento de gravações para filmes, séries, publicidade, videogames e outras produções audiovisuais. A categoria cresceu 104,2% e chegou a US$ 3,3 milhões no semestre.
O valor permanece pequeno dentro do mercado total, mas aponta para uma presença da música latina em diferentes pontos de contato com o público. Para artistas, gravadoras e detentores de direitos, isso representa uma fonte de receita que não depende diretamente da quantidade de reproduções nas plataformas.
A RIAA também relaciona o desempenho comercial à presença de artistas latinos em grandes acontecimentos culturais de 2026. Bad Bunny, com sua apresentação no intervalo do Super Bowl, e Shakira, ao lado de Burna Boy, com a música oficial da Copa do Mundo “Dai Dai”, foram citados pela associação entre os exemplos de exposição do repertório para novos públicos.
Os números ajudam a mostrar uma mudança de escala. A música latina ainda depende fortemente das plataformas digitais, mas já ocupa quase um décimo do mercado fonográfico americano e cresce mais rápido que o setor como um todo. Ao mesmo tempo, o salto do vinil e da sincronização indica que esse consumo começa a gerar receitas por caminhos diferentes do streaming.