Música latina cresce seis vezes mais rápido que o mercado geral em 2025, aponta RIAA
A música latina registrou US$ 490,3 milhões em receitas no primeiro semestre de 2025, impulsionada pelo streaming pago, segundo a RIAA.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
A indústria da música latina segue em alta nos Estados Unidos, mesmo em meio à desaceleração do crescimento do mercado fonográfico geral. Segundo o relatório semestral divulgado pela Recording Industry Association of America (RIAA), as receitas da música latina alcançaram US$ 490,3 milhões no primeiro semestre de 2025, o que representa um aumento de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O crescimento é expressivo quando comparado à média do setor: as receitas de música gravada nos Estados Unidos cresceram apenas 0,9% no mesmo período, totalizando US$ 5,59 bilhões. A diferença mostra que o gênero latino continua crescendo em relevância no país e consolidando espaço entre os estilos mais consumidos.
Streaming responde por 98% da receita do gênero
Peso Pluma e Karol G são expoentes do novo cenário da América Latina (Crédito: Divulgação)
O relatório da RIAA aponta que 98% das receitas da música latina vêm do streaming, somando US$ 481,6 milhões no período analisado. Dentro desse total, o streaming por assinatura paga representou US$ 271,1 milhões, com um crescimento de 11,2% em relação a 2024. Já o streaming gratuito, financiado por publicidade, movimentou US$ 174,1 milhões, um aumento mais modesto, de 0,6%.
Na categoria “outros tipos de streaming”, que inclui serviços de rádio digital e plataformas sob licença estatutária como o SoundExchange, houve estabilidade, com US$ 36,4 milhões em receitas, o que representa um aumento de 0,5% em relação ao ano anterior.
Segundo Matt Bass, vice-presidente de pesquisa da RIAA, o desempenho é resultado direto da força criativa e da capacidade de conexão dos artistas latinos.
“A música latina nos Estados Unidos continua a ganhar popularidade e gerar mais valor graças aos artistas incríveis, cuja música conecta pessoas através de barreiras linguísticas e geográficas, com o apoio de parcerias criativas entre gravadoras”, afirmou.
Crescimento digital compensa queda no físico
Bad Bunny (Crédito: Eric Rojas)
Além do streaming, o download digital também registrou crescimento, embora represente uma fatia pequena do total. As vendas digitais chegaram a US$ 3 milhões, alta de 7,2% sobre o mesmo período de 2024. Os downloads de singles cresceram 12,1% em valor, enquanto os de álbuns digitais tiveram leve queda de 1,8%.
Já o mercado físico segue em retração. As vendas totais de formatos físicos caíram 24,9%, com destaque para a redução nas vendas de vinil, que recuaram 10,6% em valor, somando US$ 3,9 milhões. Outros formatos físicos, como CDs e DVDs musicais, tiveram queda mais acentuada, de 79,4%.
Apesar de representar uma fatia pequena das receitas, o mercado físico ainda tem importância simbólica para colecionadores e fãs dedicados. No entanto, o crescimento contínuo do consumo digital e a força das plataformas de streaming mantêm o foco da indústria em experiências online e modelos de assinatura.
Sincronização e representatividade do gênero
O relatório também mostra uma leve queda nas receitas de sincronização, que somaram US$ 1,59 milhão, retração de 2,7% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o gênero manteve presença relevante em trilhas de filmes, séries e publicidade, impulsionado pela crescente internacionalização de artistas latinos em mercados de língua inglesa.
No total, a música latina respondeu por 8,8% das receitas de música gravada nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025. Trata-se do décimo segundo ano consecutivo de crescimento, consolidando o gênero como o segundo que mais cresce no país, atrás apenas do pop.
Matt Bass destaca que a tendência reflete o alcance cultural do gênero.
“Com o streaming oferecendo mais acesso do que nunca a vozes consagradas e a novos ícones que definem a cultura atual, a música latina se tornou o segundo gênero que mais cresce na América”, declarou.
Novo modelo de medição da RIAA
Os números de 2025 não são diretamente comparáveis aos de anos anteriores porque, a partir deste ciclo, a RIAA passou a divulgar dados de receita no atacado (wholesale) em vez de valores de varejo. A mudança busca alinhar os relatórios com os padrões globais da International Federation of the Phonographic Industry (IFPI) e representar com mais precisão “os valores reais que retornam ao ecossistema criativo”, segundo a entidade.
A associação também informou que pretende divulgar uma série histórica com dados de atacado dos últimos 50 anos, permitindo análises comparativas mais consistentes sobre a evolução do mercado.
A expectativa do setor é que o desempenho do primeiro semestre se mantenha até o fim do ano, consolidando 2025 como mais um período de expansão para a música latina e de fortalecimento da presença do idioma espanhol nas principais plataformas de streaming dos Estados Unidos.
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