Mulheres estão tomando conta do mundo das guitarras
Fabricantes investem em “modelos femininos” de guitarra e redes sociais impulsionam o interesse de novas guitarristas.
Por Nathália Pandeló···2 min de leitura·
Por muito tempo, o mercado de guitarras foi um ambiente quase fechado para mulheres, tanto no consumo quanto no reconhecimento cultural. Hoje, isso está mudando. Cada vez mais mulheres estão comprando guitarras e bandas formadas apenas por instrumentistas do sexo feminino estão cada vez mais populares.
Isso tem forçado as marcas a se adaptarem a um público mais diverso. Com o crescimento do mercado pós-pandemia, fabricantes e varejistas têm buscado conquistar esse novo público.
Os números confirmam essa mudança. Em 2020, 45% dos novos inscritos na plataforma Fender Play, voltada ao aprendizado musical, eram mulheres. Em 2023, esse número chegou a 49%. O aumento é resultado de uma combinação de fatores, como a popularização do aprendizado online e a quebra de estereótipos que antes afastavam as mulheres das lojas físicas.
Redes sociais e espaços online
A pandemia acelerou as compras pela internet e ajudou a evitar situações desconfortáveis, comuns em lojas de instrumentos. Redes sociais como YouTube, TikTok e Instagram também se tornaram espaços onde as mulheres aprendem, compartilham e se inspiram. Afinal, assim é possível evoluir no próprio ritmo, sem pressão de ninguém.
Esse movimento também tem sido impulsionado por criadoras de conteúdo, como Charlene Kaye, que usa o humor para criticar situações como o “guitarsplaining” — quando homens corrigem mulheres que tocam guitarra. O alcance de vídeos como os de Kaye ajuda a incentivar novas guitarristas e a questionar velhos padrões.
A resposta do mercado
Crédito: Andrew King
Marcas tradicionais, como Fender e Gibson, têm investido mais em mulheres, tanto para atrair novas clientes quanto para renovar a própria imagem.
A Gibson, por exemplo, lançou modelos assinados por nomes como Joan Jett e Orianthi e criou programas de mentoria voltados a mulheres. Em 2022, a guitarrista Lzzy Hale, da banda Halestorm, se tornou a primeira embaixadora oficial da marca.
A influência das artistas
No mundo indie, a popularidade de bandas como Haim, Boygenius, The Last Dinner Party, Wet Leg e The Linda Lindas mostra que há um público grande para mulheres guitarristas.
O interesse das mulheres por guitarra não se restringe ao rock. Artistas como Taylor Swift têm inspirado novas gerações a tocar. Esse fenômeno não é novo. Nos anos 1970, Bonnie Raitt já servia de referência para muitas mulheres ao se destacar em um cenário dominado por homens.
O futuro do mercado
Apesar dos avanços, há muito espaço para crescer. O interesse de mais mulheres em tocar guitarra tem sido essencial para um mercado que busca se reinventar.
Com projeções de vendas globais que podem atingir US$ 19,9 bilhões até 2025, a guitarra continua a evoluir. O crescente público feminino e as novas formas de consumo prometem manter o setor relevante e em transformação.
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