Com US$ 932 milhões, Michael supera “Bohemian Rhapsody” e estabelece um novo recorde para as cinebiografias musicais
Filme sobre Michael Jackson bate recorde histórico, impulsiona catálogo no streaming e mira US$ 1 bilhão nas bilheterias globais.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
O filme “Michael” entrou para a história do cinema e da música ao se tornar a cinebiografia musical de maior bilheteria de todos os tempos. O filme sobre Michael Jackson, estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do artista, ultrapassou “Bohemian Rhapsody” e chegou a cerca de US$ 932,2 milhões em bilheteria mundial, segundo dados de mercado divulgados nos últimos dias.
O marco coloca a produção dirigida por Antoine Fuqua em um patamar raro para filmes sobre artistas. Até agora, apenas “Michael” e “Bohemian Rhapsody”, sobre Freddie Mercury e o Queen, passaram perto da casa dos US$ 900 milhões. Todos os outros títulos do gênero ficaram bem abaixo, incluindo “Elvis”, “Straight Outta Compton – A História do N.W.A.”, “Rocketman”, “Bob Marley: One Love” e “Um Completo Desconhecido”.
A disputa também tem um detalhe simbólico: os dois filmes foram produzidos por Graham King. Ou seja, o produtor acaba de superar o próprio recorde, primeiro com a cinebiografia de Freddie Mercury em 2018, agora com a história de Michael Jackson. O resultado mostra como artistas com catálogo global, base de fãs multigeracional e repertório reconhecido em vários países podem transformar a cinebiografia em um produto de alcance muito maior do que o público tradicional de cinema musical.
O recorde de bilheteria e o caminho até US$ 1 bilhão
Segundo o Deadline, “Michael” somava US$ 358,6 milhões na bilheteria doméstica, que considera Estados Unidos e Canadá, e US$ 553,3 milhões em mercados internacionais no momento em que passou “Bohemian Rhapsody”. Com o fim de semana seguinte, o total mundial chegou a aproximadamente US$ 932,2 milhões.
O número deixa o filme perto de uma marca ainda mais rara: US$ 1 bilhão. Caso chegue lá, “Michael” pode se tornar apenas o segundo filme de 2026 a cruzar esse patamar nas bilheterias globais, atrás de “Super Mario Galaxy: O Filme”. A estreia no Japão, um mercado historicamente forte para Michael Jackson, ainda pode ajudar nessa reta final.
O desempenho já rendeu outros recordes. A produção se tornou a maior estreia global de uma cinebiografia musical, a maior bilheteria doméstica para um filme biográfico e o maior lançamento teatral da história da Lionsgate no mundo. Em 40 mercados internacionais, incluindo Brasil, França e México, “Michael” superou a arrecadação total de “Bohemian Rhapsody”.
O efeito no catálogo de Michael Jackson
Cena de ‘Michael’ (Crédito: Kevin Mazur/Lionsgate)
Para a indústria da música, o recorde de bilheteria é só uma parte da história. O impacto mais interessante está no comportamento do público depois da estreia. Dados da Luminate mostram que os streams do catálogo de Michael Jackson cresceram 95% no fim de semana de estreia, em comparação com o fim de semana anterior.
No Spotify, o número de ouvintes mensais do artista subiu de cerca de 68 milhões para 73 milhões na semana após o lançamento. Ao mesmo tempo, 14 músicas de Michael Jackson apareceram simultaneamente no ranking global semanal da plataforma, com “Billie Jean” chegando ao terceiro lugar. O álbum “Thriller” também voltou ao top 10 da Billboard 200.
Esse movimento explica por que cinebiografias musicais são cada vez mais vistas como ferramentas de reativação de catálogo. O filme não vende apenas ingresso. Ele reaquece músicas antigas, leva novas gerações para obras já consolidadas e cria uma nova camada de receita para gravadoras, editoras e detentores de direitos. No caso de Michael Jackson, isso tem peso especial porque a Sony Music adquiriu 50% dos direitos de publishing e masters do catálogo do artista, em uma transação avaliada em cerca de US$ 1,5 bilhão.
Uma cinebiografia entre mercado, memória e polêmica
A produção chegou aos cinemas depois de um caminho turbulento. O lançamento, previsto inicialmente para 2025, foi adiado após problemas relacionados ao roteiro. Segundo veículos internacionais, a equipe precisou reescrever e refilmar parte do terceiro ato por causa de uma cláusula em acordo ligado a Jordan Chandler, que acusou Michael Jackson de abuso sexual em 1993.
As refilmagens custaram de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões, segundo a Pitchfork, embora o Deadline tenha citado um valor mais alto, de US$ 50 milhões. A versão lançada passou a acompanhar o artista no período de preparação para a turnê solo de “Bad”, de 1987, evitando a dramatização direta de pontos juridicamente sensíveis.
Esse contexto ajuda a explicar por que “Michael” é também um caso complexo. De um lado, há a força de um repertório que atravessa gerações, com músicas como “Billie Jean”, “Beat It”, “Black or White” e “Thriller”. De outro, há a disputa permanente em torno da memória pública do artista. O sucesso comercial mostra que, mesmo em meio a controvérsias, o nome Michael Jackson ainda mobiliza plateias em escala global e segue funcionando como um ativo poderoso para cinema, streaming e mercado editorial musical.
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