Instagram impulsiona crescimento até 8 vezes maior no streaming de artistas, aponta estudo da Meta

Dados da Luminate mostram que artistas com forte presença no Instagram crescem 23%, contra 3% da média do mercado.
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Nathália Pandeló
Luminate e Meta publicam estudo sobre impacto do Instagram
Luminate e Meta publicam estudo sobre impacto do Instagram (Crédito: Divulgação)

O impacto das redes sociais no consumo de música ganhou novos contornos em um estudo recente da Meta em parceria com a Luminate. A pesquisa aponta que a relação entre engajamento no Instagram e desempenho em plataformas de streaming é mais direta do que se imaginava, com efeitos mensuráveis no crescimento de artistas.

Segundo o levantamento, o Instagram impulsiona o crescimento até 8 vezes maior no streaming de artistas. A pesquisa analisa a relação entre engajamento na plataforma e desempenho em streaming fora dela, trazendo números que ajudam a entender o papel do aplicativo no mercado musical atual.

O principal dado chama atenção logo de cara: artistas com forte associação entre desempenho no Instagram e consumo em streaming cresceram, em média, 23% em reproduções no período de um ano. Já a média geral do mercado ficou em apenas 3% no mesmo intervalo. A diferença, de quase oito vezes, indica que o impacto vai além da visibilidade e passa a ter efeito direto na performance comercial.

Onde estão os superfãs

Um dos pilares do estudo é a concentração de superfãs dentro do Instagram, mas a pesquisa também deixa claro como esse grupo é definido. Segundo a Luminate, superfãs são usuários que acionam pelo menos cinco diferentes formas de engajamento com um artista, como ir a shows, comprar produtos, apoiar financeiramente ou promover o artista para outras pessoas.

A partir desse recorte, os dados mostram que 58% dos superfãs utilizam o Instagram para se conectar com artistas ou consumir conteúdo musical. Entre os usuários que interagem diariamente com música na plataforma, 32% se enquadram nessa categoria, quase o dobro da média geral.

Entre os mais jovens, o número é ainda mais alto: 38% dos usuários da geração Z ou mais novos entram nessa classificação. Esse recorte ajuda a explicar por que o Instagram aparece como um ambiente relevante para construção de base de fãs, especialmente em fases iniciais e intermediárias de carreira.

Porcentagem de Superfãs por plataforma - Instagram, TikTok, YouTube e mais
Porcentagem de superfãs por plataforma (Crédito: Divulgação)

Um público que consome mais

Além de mais engajado, esse público também apresenta maior propensão a gastar com música. Usuários do Instagram que interagem diariamente com conteúdo musical gastam, em média, US$ 55 por mês com música, contra US$ 34 da média geral.

O mesmo padrão aparece em outras frentes. O gasto médio com eventos ao vivo chega a US$ 81 mensais, diante de US$ 53 do público geral. Já o uso de serviços de streaming pagos atinge 71%, frente a 54% da média. Até formatos físicos, como vinil, têm maior presença entre esses usuários, com 21% relatando compras no último ano, quase o dobro da base geral.

Esse conjunto de dados aponta para um público que ativamente busca a música e também a converte em consumo recorrente.

Crescimento que vai além do viral

Instagram live

O estudo também identifica um grupo chamado de “Instagram artists”, definido como artistas cujo desempenho em streaming tem forte correlação com o engajamento na plataforma. Esses artistas apresentam crescimento mais consistente ao longo do tempo, sem depender exclusivamente de picos momentâneos.

Isso significa que o impacto do Instagram tende a se manter após o momento inicial de exposição. Em vez de quedas rápidas após um viral, há uma sustentação do consumo ao longo das semanas seguintes.

Esse comportamento ajuda a diferenciar o papel da plataforma em relação a outras redes mais associadas à descoberta rápida.

O efeito das ativações

Outro ponto central do estudo são as chamadas ativações dentro do Instagram, que combinam conteúdo publicado pelo artista com distribuição ampliada, especialmente via Reels.

De acordo com a análise, essas ativações geram um aumento médio de cerca de 10% no streaming fora da plataforma durante a semana de lançamento e nas quatro semanas seguintes. Além disso, o efeito tende a durar mais do que o impacto de um lançamento tradicional isolado.

Em comparações diretas, singles que passaram por esse tipo de ativação apresentaram crescimento mais forte no pós-lançamento do que aqueles que não utilizaram a estratégia.

Instagram e TikTok não são a mesma coisa

Instagram - seguidores
Crédito: Freepik

Embora o estudo reconheça que Instagram e TikTok oferecem audiências de valor semelhante para a música, ele aponta diferenças claras de comportamento entre as plataformas.

Apenas 20% dos usuários engajam com música nas duas redes simultaneamente, enquanto 18% utilizam apenas o Instagram e 13% apenas o TikTok. Isso sugere que cada ambiente cumpre funções distintas dentro da estratégia digital dos artistas. Além disso, enquanto 32% do público do Instagram pode ser classificado como superfã, 27% se encaixam nessa categoria no TikTok, segundo os dados coletados. 

No caso do Instagram, os usuários demonstram maior tendência a seguir artistas, buscar seus perfis em plataformas de streaming e se envolver com experiências ao vivo. Esses comportamentos indicam uma relação mais contínua, que não se limita ao momento da descoberta.

Ao observar esses dados em conjunto, o estudo aponta para uma mudança gradual na forma como o Instagram se posiciona dentro do ecossistema da música. Mais do que um canal de divulgação, a plataforma passa a operar como um espaço de relacionamento e conversão, com impacto mensurável no consumo fora dela.

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