Festival Latinidades chega à 19ª edição com agenda em Brasília, São Paulo e Nova York
Com presença inédita em Nova York, Latinidades 2026 leva programação a Brasília e São Paulo em julho.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
O Festival Latinidades chega à 19ª edição com uma agenda que conecta cultura, raça, gênero e saúde mental. Entre 1º e 30 de julho, o evento terá programação em Nova York, Brasília e São Paulo, com uma presença inédita nos Estados Unidos e uma proposta voltada ao debate sobre o bem-estar de trabalhadoras e trabalhadores da cultura, resumida no tema: “Saúde Mental Importa”.
Criado em 2008, o festival é apresentado como o primeiro de mulheres negras da América Latina. Ao longo de quase duas décadas, o evento consolidou uma trajetória ligada à formação, circulação de ideias e criação de espaços para mulheres negras em diferentes áreas. Em 2026, o Latinidades volta o olhar para um tema que atravessa o cotidiano de artistas, produtoras, equipes técnicas, gestoras e demais profissionais que sustentam o setor cultural.
A escolha do tema acompanha uma discussão mais ampla sobre os riscos psicossociais ligados ao trabalho no Brasil. No caso da cultura, o debate ganha contornos próprios, já que grande parte do setor opera com jornadas instáveis, múltiplos vínculos, pressão por entrega e pouca proteção institucional. A proposta do festival é tratar esse cenário como uma questão coletiva, e não apenas como um problema individual.
Saúde mental entra no centro da programação
A edição de 2026 tem como eixo a saúde mental na produção cultural. A pauta busca abrir uma conversa sobre quem cria, organiza e viabiliza experiências artísticas, especialmente em um ambiente no qual o cuidado costuma aparecer mais para o público do que para quem trabalha nos bastidores.
Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça e em Estudos Afro Latino Americanos e Caribenhos, Jaqueline Fernandes, idealizadora do Festival Latinidades, relaciona o tema ao momento atual do debate trabalhista no país.
“Agora que o Brasil avança no debate sobre a regulação e redução dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho, vemos, muitas vezes, profissionais da cultura não serem devidamente contemplados na discussão. Se a arte e a cultura produzem sentido, afeto, reflexão e até saúde mental para seu público, é urgente que voltemos os olhares para quem sustenta esse campo nos bastidores e, com esse tema, também queremos ter uma conversa sobre o que é potência e cura nessa jornada em torno de bem-estar”, ela explica.
A discussão também terá desdobramento em pesquisa. Em parceria com o Data_labe e o Coletivo Mawê, o Instituto Afrolatinas, realizador do festival, desenvolverá um estudo nacional sobre saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores da cultura. O levantamento, descrito como inédito, tem lançamento previsto para junho, durante o próprio Latinidades.
Nova York marca nova etapa internacional
Festival Latinidades 2025 (Crédito: Agência Brasil)
A chegada do Latinidades a Nova York abre uma nova etapa para o festival. A cidade tem uma relação histórica com culturas afro-diaspóricas e concentra territórios simbólicos para debates sobre identidade, memória e circulação cultural negra. A presença no exterior também dá sequência ao movimento internacional iniciado com a participação do festival no Carnaval de Notting Hill, em Londres, em 2024.
A programação em Nova York começa nos dias 24 e 25 de julho, com a exibição do filme “Afrolatinas: mulheres negras em movimentos”. Produzida pela universidade Afrolatinas e pela Odun Filmes, a obra será seguida por debates no Brooklyn e no Harlem, bairros associados a diferentes momentos da história cultural e política da diáspora negra.
O filme contribui para narrar a história do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e da Diáspora, celebrado em 25 de julho. A data tem relação direta com experiências de organização, memória e mobilização de mulheres negras na América Latina, no Caribe e em outros territórios marcados pela diáspora.
Concerto no Central Park reúne artistas da América Latina, Caribe e EUA
Luedji Luna com participação de Liniker e Susana Baca serão atrações do Latinidades em Nova York (Crédito: Divulgação)
No dia 26 de julho, o Central Park recebe o “Afro-Latinas Concert”, evento gratuito realizado em parceria com o SummerStage e o Afro-Latino Festival. A proposta é reunir artistas da América Latina, do Caribe e dos Estados Unidos em uma apresentação dedicada às mulheres negras.
Entre os nomes confirmados estão Luedji Luna, que recebe Liniker, a cantora peruana Susana Baca, duas vezes vencedora do Latin Grammy, a panamenha Mai-Elka Prado Gil, em show com o Lush Song Collective, além da DJ jamaicana Lady G e da estadunidense DJ Agent DMZ, artista de ascendência afro-porto-riquenha.
A programação completa da 19ª edição, incluindo as atividades em Brasília, São Paulo e Nova York, ainda será anunciada. Até aqui, porém, o recorte já aponta para um festival que combina apresentação artística, debate público, memória e produção de dados sobre uma dimensão pouco mapeada da cultura: as condições emocionais e de trabalho de quem mantém o setor em movimento.
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