O investimento em música continua ganhando espaço nas estratégias de grandes fundos e gestoras globais. Um novo estudo internacional indica que 86% dos executivos que já investem no setor planejam aumentar seus aportes em direitos musicais e catálogos ao longo dos próximos 12 meses.
O dado faz parte do Music Investment Barometer, levantamento realizado pela consultoria Fourth Pillar, especializada em comunicação estratégica para empresas de entretenimento e música. A pesquisa ouviu 125 executivos e conselheiros seniores ligados ao mercado de investimento em música em cinco continentes.
Os resultados apontam um cenário de confiança cada vez maior. Catálogos, direitos autorais e fluxos de royalties passaram a ser vistos com cada vez mais clareza como ativos financeiros capazes de gerar um retorno consistente e previsível.
A música entra de vez no radar dos grandes investidores
O estudo indica que o investimento em música já ganhou reconhecimento institucional. Para 99% dos entrevistados, a propriedade intelectual musical passou a ser tratada como uma classe formal de ativos dentro das estratégias de investimento. Isso significa que catálogos de gravações, direitos editoriais e receitas de royalties estão sendo avaliados de forma semelhante a outros ativos consolidados, como imóveis, infraestrutura ou participação em empresas.
A pesquisa também revela que o movimento deve continuar crescendo. Ao todo, 78% dos executivos afirmam esperar aumento no volume total de capital destinado ao setor musical nos próximos 12 meses.

O perfil dos entrevistados ajuda a dimensionar o peso das respostas. Segundo o levantamento, 72% dos participantes ocupam cargos de managing director ou superiores dentro de suas organizações. Além disso, 86% estão no nível mais alto de liderança executiva, como CEOs e outros executivos responsáveis pelas decisões estratégicas. Isso indica que o estudo ouviu principalmente profissionais que participam diretamente das decisões sobre onde grandes volumes de capital serão investidos.
Juntos, os profissionais ouvidos supervisionam mais de US$ 3,24 trilhões em ativos sob gestão, o que coloca o estudo como um retrato importante do pensamento de investidores institucionais ligados à indústria da música.
Mercado de catálogos gera negócios de alto valor
Além do aumento esperado no investimento em música, o estudo também aponta que o ritmo de negociações segue forte. Sessenta e seis por cento dos respondentes afirmam que o número de oportunidades de negócio envolvendo direitos musicais aumentou em relação ao ano anterior.
Essas transações incluem a compra de catálogos de gravações, direitos editoriais e participação em receitas de royalties. Esses ativos se tornaram populares entre os investidores nos últimos anos graças à estabilidade das receitas geradas pelo streaming e pela execução pública.
Segundo a pesquisa, o investidor médio concluiu mais de uma transação por mês no último ano. O valor médio dessas operações chegou a US$ 87 milhões.
Quando questionados sobre o futuro dos preços nesse mercado, 51% acreditam que o tamanho das transações deve crescer nos próximos 12 meses. Outros 34% esperam estabilidade nos valores.
Mesmo com esse ritmo de negociações, três quartos dos entrevistados dizem que os preços dos ativos musicais ainda permitem novos negócios.

IA aparece como principal preocupação do setor
Apesar do otimismo geral, o estudo também identifica alguns pontos de atenção para os investidores. O principal deles é o impacto da inteligência artificial sobre a indústria da música. Para 42% dos entrevistados, esse é o tema que mais preocupa o setor no curto prazo.
Ainda assim, a percepção não é majoritariamente pessimista. A maior parte dos executivos acredita que a tecnologia pode trazer desafios, mas não necessariamente reduzir o valor financeiro dos ativos musicais.
Segundo os dados da pesquisa, 33% se dizem neutros em relação ao impacto da inteligência artificial sobre o valor de catálogos e direitos autorais. Outros 21% afirmam estar relativamente tranquilos com o tema, enquanto 4% dizem não ver risco relevante.
No balanço geral, o sentimento permanece positivo. Ao todo, 92% dos entrevistados afirmam estar otimistas ou muito otimistas em relação ao desempenho financeiro da música no médio e longo prazo.
Os resultados indicam que o investimento em música entrou em uma nova fase. Depois de anos marcados por aquisições bilionárias de catálogos, o setor parece consolidar sua posição dentro do portfólio de grandes investidores institucionais, com mais dados disponíveis, maior volume de transações e uma base crescente de capital interessado nesses ativos.
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