O edital lançado pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro marca um novo passo na política de fomento cultural da cidade. Com orçamento total de R$ 14 milhões, a iniciativa inaugura o Programa Rede Carioca de Arte e Cultura e mira diretamente na sustentação de espaços culturais e grupos artístico-culturais que já atuam de forma contínua no município.
O edital parte de uma lógica institucional. Em vez de financiar apenas projetos pontuais, o foco está na manutenção das estruturas, na continuidade das atividades e no fortalecimento das trajetórias já existentes. A proposta reconhece que boa parte da produção cultural da cidade acontece de forma regular, muitas vezes sem garantia de estabilidade financeira, especialmente fora dos grandes circuitos centrais.
Na prática, a criação da Rede Carioca de Arte e Cultura também funciona como um selo público. As iniciativas selecionadas passam a integrar formalmente a rede, com o reconhecimento dos espaços como Casas Cariocas de Cultura e dos grupos como Companhias Cariocas de Cultura, estabelecendo uma relação continuada com o poder público.
Como funciona a divisão dos recursos do edital
O investimento de R$ 14 milhões será distribuído entre duas categorias. A categoria Espaços Culturais contará com R$ 8 milhões para a seleção de 24 propostas. Já a categoria Grupos Artístico-Culturais terá R$ 6 milhões destinados a 16 propostas selecionadas.
No caso dos espaços culturais, o edital prevê dois perfis distintos. O Plano de Trabalho I contempla espaços com pelo menos um ano de atuação, enquanto o Plano de Trabalho II é voltado a instituições com, no mínimo, dez anos de trajetória comprovada. Os valores por proposta variam conforme o enquadramento, chegando a R$ 500 mil nos planos voltados a espaços mais estruturados.
Entre os grupos artístico-culturais, a lógica é semelhante. Há divisão entre grupos com ao menos cinco anos de atuação e aqueles com quinze anos ou mais. O objetivo é equilibrar o apoio entre coletivos já consolidados e iniciativas que ainda estão em processo de amadurecimento, mas que demonstram continuidade e impacto no território.
Critérios, ações afirmativas e duração das propostas

As propostas selecionadas devem prever atividades contínuas no município do Rio de Janeiro, com duração mínima de dez e máxima de doze meses. O edital deixa claro que o apoio não se limita à programação artística, podendo contemplar ações de formação, pesquisa, difusão, manutenção e gestão.
O processo seletivo acontece em duas etapas. Primeiro, há a Análise de Portfólio, que avalia trajetória, experiência e capacidade técnica. Na sequência, ocorre a Análise do Plano de Trabalho, que inclui entrevista presencial com os proponentes. A pontuação final resulta da soma dessas duas fases.
Um ponto central do edital é a reserva de vagas. Do total de propostas selecionadas, ao menos 25% devem ser de agentes culturais negros, 10% de agentes indígenas e 5% de pessoas com deficiência. Caso não haja propostas suficientes em alguma dessas frentes, as vagas podem ser redistribuídas, respeitando a ordem de classificação.
Inscrições e próximos passos do edital
As inscrições estão abertas até as 18h do dia 31 de janeiro de 2026, exclusivamente por meio de formulário eletrônico no site da Secretaria Municipal de Cultura. Cada agente cultural pode inscrever apenas uma proposta.
Após a seleção, os proponentes habilitados assinam o Termo de Execução Cultural e recebem os recursos em parcela única, em conta corrente exclusiva. O acompanhamento das atividades será feito pela Secretaria, com exigência de relatórios periódicos e comprovação de execução ao final do projeto.
O edital completo, com todas as regras, anexos e critérios detalhados, está disponível para consulta pública. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail [email protected].
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