Ranking do Ecad mostra como catálogos antigos dominaram os shows no Brasil em 2025

O Ecad divulga músicas mais tocadas em shows em 2025 e indica como repertórios consolidados e bem geridos mantêm relevância econômica no mercado ao vivo.
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Nathália Pandeló
shows ao vivo, Eventim

O Ecad divulgou o ranking das músicas mais tocadas em shows realizados no Brasil ao longo de 2025. O levantamento considera exclusivamente eventos adimplentes com o pagamento de direitos autorais de execução pública. O ranking completo está disponível ao final da matéria.

A lista funciona como um retrato direto da dinâmica do mercado ao vivo no país. Diferentemente de rankings baseados em streaming ou rádio, os dados refletem escolhas feitas no palco, diante do público, em contextos onde o repertório precisa funcionar de forma imediata. O resultado chama atenção pela presença dominante de obras lançadas há décadas, indicando a força de catálogos antigos quando bem administrados.

No topo aparecem “Evidências”, de José Augusto e Paulo Sergio Valle, “Boate azul”, de Benedito Seviero e Aparecido Tomás, e “Não quero dinheiro”, de Tim Maia. São canções que atravessaram gerações e seguem sendo executadas com frequência em shows pagos, em diferentes regiões do país.

Apesar da diversidade de gêneros e épocas representadas, o top 10 de 2025 chama atenção pela ausência total de compositoras entre as músicas mais tocadas em shows no país – embora as mulheres nomeiem duas das 10 canções no ranking.

Sertanejo como base estrutural do mercado ao vivo

Um dos pontos centrais da lista é a forte presença do sertanejo. Das dez músicas mais tocadas em shows em 2025, várias pertencem diretamente ao gênero ou à sua tradição, como “Evidências”, “Boate azul”, “Telefone mudo”, “Ainda ontem chorei de saudade” e “Tentei te esquecer”.

Esse dado ajuda a explicar a estabilidade do sertanejo no mercado ao vivo brasileiro. Para além dos barzinhos, o gênero mantém um circuito intenso de shows, festas regionais, rodeios e eventos populares, com alta frequência de apresentações ao longo do ano. Esse volume sustenta a circulação constante de repertórios clássicos e garante longevidade econômica a obras lançadas há décadas.

Na prática, trata-se de um ecossistema em que catálogo pesa tanto quanto novidade. A repetição dessas músicas nos palcos não é aleatória, mas resultado de um modelo de show baseado em reconhecimento coletivo e repertório compartilhado.

Clássicos além de um único gênero

Violão segue relevante entre os jovens - Crédito Quoc Bao
Violão segue relevante entre os jovens – Crédito: Quoc Bao

Apesar do peso do sertanejo, o ranking também evidencia a diversidade de catálogos perenes no Brasil. Canções como “Não quero dinheiro”, “Eva”, “Cheia de manias” e “Anna Julia” aparecem entre as mais tocadas, vindas de contextos musicais distintos.

O ponto em comum entre elas é a facilidade de inserção em shows de diferentes perfis. São músicas que ultrapassaram seus intérpretes originais e passaram a integrar repertórios variados, o que aumenta a frequência de execução pública. Esse trânsito entre artistas e formatos facilita o alcance do catálogo e sustenta sua presença ao longo do tempo.

Esse movimento mostra que a perenidade não depende apenas de gênero, mas de um reconhecimento amplo, memória coletiva e circulação constante em ambientes ao vivo.

Shows como indicador de valor de catálogo

O palco opera como um filtro rigoroso. Em shows, não há algoritmo nem consumo passivo. O repertório é definido para gerar resposta coletiva, coro, identificação imediata. As músicas que permanecem nesse circuito são aquelas que já provaram sua capacidade de mobilizar o público ao longo do tempo.

Por isso, rankings de execução pública em shows costumam revelar mais sobre a perenidade de um catálogo do que listas baseadas em consumo digital. Quando uma obra entra no repertório recorrente de artistas e eventos, ela passa a gerar receita de forma contínua, independentemente de lançamentos recentes ou estratégias promocionais.

O recorte do Ecad reforça esse aspecto ao considerar apenas eventos adimplentes. Ou seja, são execuções que efetivamente geraram arrecadação e distribuição de direitos autorais. O ranking não mede apenas uma popularidade simbólica, mas o impacto econômico real dentro do sistema de gestão coletiva.

Gestão coletiva e longevidade das obras

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Segundo dados do Ecad, a gestão coletiva da música no Brasil reúne mais de 5 milhões de titulares, entre brasileiros e estrangeiros. O sistema é administrado por associações como Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC, responsáveis pela arrecadação e distribuição dos valores de execução pública.

O ranking de 2025 evidencia como a correta gestão de direitos autorais é determinante para que a execução em shows se converta em remuneração efetiva. Obras registradas, repertórios atualizados e eventos licenciados formam a base para que os catálogos antigos sigam gerando receita de forma regular.

Ao olhar para as músicas mais executadas em shows em 2025, o ranking ajuda a entender como o valor de um catálogo se constrói no tempo. Não se trata apenas de longevidade, mas de presença prática no repertório de artistas que seguem em atividade, em eventos pagos e regularmente licenciados. São obras que continuam sendo escolhidas porque funcionam no palco e mantêm uma conexão direta com o público.

Ranking das músicas mais tocadas em shows no Brasil em 2025

O levantamento do Ecad considera exclusivamente shows realizados no país em 2025 que efetuaram o pagamento dos direitos autorais de execução pública musical.

PosiçãoMúsicaAutores
1“Evidências”José Augusto / Paulo Sergio Valle
2“Boate azul”Benedito Seviero / Aparecido Tomás
3“Não quero dinheiro”Tim Maia
4“Telefone mudo”Peão Carreiro / Franco
5“Eva”Cartavetrata / Umto / Ficarelli
6“Cheia de manias”Luiz Carlos
7“Erro gostoso”Lucas Souza / Flavinho Do Kadet / Felipe Marins / Gabriel Angelo / Eliabe Quexin / Edson Garcia
8“Anna Julia”Marcelo Camelo
9“Ainda ontem chorei de saudade”Moacyr Franco
10“Tentei te esquecer”Cruz Gago