“Ô abre alas que eu quero passar.” O pedido entoado por Chiquinha Gonzaga em 1899 segue atual para os criadores de música no Brasil, que seguem em busca de espaço e reconhecimento. Em maio deste ano, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) anunciou a distribuição de R$ 30,8 milhões em direitos autorais referentes ao Carnaval 2025, beneficiando mais de 11 mil compositores e artistas.
A folia é um dos momentos mais importantes para a arrecadação da música ao vivo e de rua no país, e os dados mostram que os criadores seguem no centro da festa. O valor distribuído representa um crescimento de 35% em relação a 2024, mesmo diante de um cenário marcado pela inadimplência de organizadores públicos e privados em várias regiões.
Inadimplência e direitos garantidos

Apesar da alta nos valores repassados, o Ecad alertou para o grande número de eventos carnavalescos que deixaram de pagar os direitos autorais devidos neste ano. A instituição, responsável por fiscalizar e distribuir a remuneração por execução pública de música no país, identificou diversas inadimplências entre festas de rua, desfiles e blocos.
“É nossa obrigação defender compositores, que fazem parte da gestão coletiva da música e têm os seus direitos garantidos pela legislação no Brasil. Já passou da hora de promotores de eventos compreenderem que não há mais espaço para esse tipo de inadimplência. Os autores de músicas tocadas nos eventos muitas vezes não estão no palco, como os intérpretes e músicos acompanhantes, e, por sua vez, não recebem cachês, destinado a quem participa dos shows”, declarou a superintendente executiva do Ecad, Isabel Amorim.






