74% dos artistas independentes ganharam menos de US$ 1 mil com música em um ano, afirma estudo da Ditto
Levantamento com 5.039 artistas independentes de 112 países mostra que 64% ainda mantêm outro emprego para complementar a renda.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
Os artistas independentes têm hoje mais ferramentas para lançar músicas e chegar ao público, mas transformar esse acesso em uma carreira financeiramente sustentável continua sendo um desafio. Segundo o “Independent Music Report 2026”, da Ditto Music, 74% dos músicos ouvidos faturaram menos de US$ 1 mil com música no período de um ano.
O levantamento ouviu 5.039 artistas de 112 países e analisou renda, streaming, descoberta musical, redes sociais, inteligência artificial, apresentações ao vivo e saúde mental. A pesquisa mostra que somente 9% dos entrevistados receberam US$ 5 mil ou mais com música no último ano. Apenas 4% chegaram a pelo menos US$ 15 mil.
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A dependência de outras fontes de renda também aparece nos dados. Entre os participantes, 64% trabalham em período integral ou parcial fora da indústria musical e outros 14% dependem de familiares ou economias para se manter. Apenas 22% consideram a música seu trabalho em tempo integral.
Streaming lidera renda, mas artistas questionam sustentabilidade
Apesar das discussões sobre os valores pagos pelas plataformas, os royalties de streaming aparecem como a principal fonte de receita musical para dois terços dos artistas independentes pesquisados. Ainda assim, sete em cada dez não demonstram confiança de que a renda atual seja sustentável no longo prazo.
Só 29% acreditam que os ganhos obtidos com música poderão ser mantidos pelos próximos três anos. Outros 34% consideram a renda insustentável e 37% não sabem responder. Quando perguntados sobre o maior obstáculo ao crescimento de suas carreiras, 43% apontaram o dinheiro.
A descoberta de público e os pagamentos das plataformas também aparecem entre as prioridades. Para 43%, melhores ferramentas de descoberta e playlists seriam a mudança mais útil para suas carreiras, enquanto 41% escolheram royalties maiores no streaming.
Estudo da Ditto mostra a renda de artistas independentes (Crédito: Divulgação)
Turnês estão fora do orçamento de 82% dos entrevistados
O mercado de shows, que poderia funcionar como uma alternativa de receita, enfrenta outro obstáculo: o custo. Segundo o relatório, 82% dos artistas independentes afirmam que atualmente não conseguem bancar as despesas de uma turnê. Entre aqueles que fazem apresentações ao vivo, 66% dizem que os custos aumentaram.
A dificuldade pesa porque os shows aparecem como a segunda maior fonte de renda musical entre os entrevistados, atrás somente do streaming. Ao mesmo tempo, apenas 51% disseram ter realizado alguma apresentação nos 12 meses anteriores. Entre os que subiram ao palco, 61% fizeram cinco shows ou menos.
Essa realidade cria um ciclo difícil para artistas que precisam das apresentações para gerar receita e alcançar novos públicos, mas não têm recursos suficientes para financiar viagens, produção e outras despesas necessárias para colocar uma turnê na estrada.
Redes sociais viram parte do trabalho dos artistas independentes
Além de compor, gravar e lançar, a maioria dos músicos pesquisados também assumiu a produção de conteúdo. Ao todo, 86% criam publicações para promover suas músicas e três em cada quatro consideram o sucesso nas redes sociais essencial para construir uma carreira.
TikTok e YouTube, juntos, são apontados por 49% como a principal origem de novos fãs. Quando todas as plataformas de vídeo social são consideradas, o percentual chega a 67%. Já as playlists editoriais são apontadas como principal fonte de descoberta por apenas 1%.
Esse acúmulo de funções também chega à saúde mental. Segundo a Ditto Music, 61% afirmam que a carreira musical já afetou negativamente sua saúde mental em algum grau. Além disso, 32% consideraram abandonar a música no último ano, percentual que sobe para 43% entre os participantes dos Estados Unidos.
“Os artistas independentes têm acesso sem precedentes a públicos, tecnologia e distribuição global, mas transformar esse acesso em uma carreira sustentável continua sendo um grande desafio”, afirmou Matt Parsons, CEO e cofundador da Ditto Music.
Os resultados ajudam a dimensionar a diferença entre conseguir colocar uma música nas plataformas e construir uma atividade capaz de pagar as contas. A própria metodologia, porém, exige cautela: todos os participantes já lançaram músicas pela Ditto. Os maiores mercados da amostra foram Estados Unidos, com 1.180 respondentes, Reino Unido, com 1.003, e África do Sul, com 929. Por isso, os números retratam a experiência desse grupo internacional de artistas independentes, sem representar especificamente o mercado brasileiro.
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