Apple Music remove monetização de 2 bilhões de streams fraudulentos em 2025 e endurece punições financeiras
O Apple Music diz ter dobrado as multas aplicadas a distribuidores envolvidos em fraude de streams.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
O Apple Music removeu a monetização de até 2 bilhões de streams fraudulentos ao longo de 2025. O número foi revelado em entrevista recente de Oliver Schusser, vice-presidente de música, vídeo, esportes e internacional da Apple, ao The Hollywood Reporter. A informação joga luz sobre a dimensão real da fraude no streaming e marca um novo momento na estratégia da plataforma, que raramente revela dados internos.
A declaração veio acompanhada de uma mudança concreta de política. A Apple anunciou que vai dobrar as penalidades financeiras aplicadas a distribuidores que servirem de canal para faixas com manipulação comprovada de streams. A medida entra em vigor após um ano de aumento do volume de músicas geradas por inteligência artificial e de debates públicos sobre fraude em escala industrial.
Segundo Schusser, a Apple Music já opera com um sistema rigoroso de validação de execuções, que verifica cada play antes de contabilizá-lo financeiramente. O executivo afirmou que, quando a fraude é identificada, os streams são removidos, as faixas saem dos rankings e os valores deixam de ser pagos.
“A manipulação de streaming na nossa plataforma já é incrivelmente baixa. Literalmente temos sistemas que checam e validam cada execução individual no Apple Music”, ele diz.
“Quando encontramos fraude, removemos a contagem de streams, retiramos das paradas e pegamos o dinheiro e colocamos de volta no pool, para que ele vá para artistas honestos. Só em 2025, removemos bilhões de streams manipulados do serviço”, completa.
Penalidades financeiras dobram e atingem distribuidores
Oliver Schusser, da Apple Music (Crédito: Divulgação)
Desde 2022, o Apple Music aplica um sistema de multas progressivas sobre receitas associadas a fraude, com percentuais que variavam entre 5% e 25% dos royalties que seriam pagos. A partir de agora, essas taxas passam a variar de 10% a 50%, conforme a gravidade e a reincidência dos casos identificados.
“Aumentar as penalidades tira o dinheiro de quem está trapaceando e coloca de volta no sistema para quem não está”, disse Schusser, ao explicar a lógica por trás do endurecimento das regras.
A decisão atinge diretamente os distribuidores digitais, que funcionam como intermediários entre os uploads e plataformas. Na prática, a Apple sinaliza que a responsabilidade sobre a origem e o comportamento do catálogo também passa por quem faz o conteúdo chegar ao serviço.
Embora a empresa não tenha detalhado critérios públicos para banimento definitivo de artistas ou perfis, o aumento das multas indica uma tentativa de tornar a fraude financeiramente inviável, especialmente em um cenário de criação massiva de contas e projetos descartáveis.
O tamanho do problema em números
Outro dado citado por executivos da Apple ajuda a contextualizar o impacto desses 2 bilhões de streams. Em 2024, Bryce McLaughlin, colega de Schusser, afirmou em um evento do setor que menos de 1% dos streams do Apple Music eram manipulados, com a média girando em torno de 0,3% do total global.
“Na Apple Music, menos de 1% de todos os streams são manipulados. Na prática, esse número fica bem abaixo disso. Geralmente está em torno de 0,3% dos streams globais”, disse à época.
Se os 2 bilhões de execuções fraudulentas representarem algo próximo desse percentual, isso sugeriria um volume anual de centenas de bilhões de streams na plataforma. Ainda assim, o próprio Schusser pondera que o número divulgado é uma estimativa máxima e que cruzamentos diretos exigem cautela.
IA, fraude e a recusa de um banimento imediato
Plataformas de streaming (Crédito: Cottonbro Studio)
A discussão sobre fraude ganhou força junto ao crescimento de músicas geradas por inteligência artificial. Plataformas concorrentes, como a Deezer, divulgaram recentemente que cerca de 85% dos streams associados a faixas desse tipo apresentaram comportamento fraudulento.
Questionado sobre a possibilidade de banir músicas feitas por IA, Schusser rejeitou a ideia, ao menos por enquanto, e defendeu um debate mais amplo dentro da indústria.
“Como indústria da música, acho que temos muito trabalho a fazer para definir o que é IA. É a composição? É a produção da música? São apenas os vocais? Eu encorajaria as gravadoras a se reunirem e definirem quais são as visões e políticas da indústria sobre isso. O que estamos fazendo é desenvolver tecnologia interna para entender a música e ajudar na escuta”, pondera.
O executivo também indicou que essas ferramentas já podem estar sendo usadas para limitar a presença de faixas geradas por IA em playlists editoriais e sistemas de recomendação, mesmo sem um banimento formal.
A revelação dos 2 bilhões de streams fraudulentos coloca o Apple Music no centro do debate sobre integridade no streaming. Mais do que um número isolado, o dado expõe os limites das multas como ferramenta de controle e reforça a pressão por soluções coletivas em um mercado cada vez mais automatizado.
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