Alvin L morreu no último domingo (5), aos 67 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco enquanto dormia. O artista havia completado aniversário quatro dias antes, em 1º de abril. O velório e a cremação foram realizados nesta segunda-feira (6), no cemitério Memorial do Carmo.
Nascido como Arnaldo José Lima Santos, em Salvador, e registrado no Rio de Janeiro, Alvin L construiu uma carreira como compositor, cantor e guitarrista, com atuação contínua desde o fim dos anos 1970. Seu trabalho se destacou principalmente pelas parcerias com intérpretes do pop brasileiro, além da participação em bandas ligadas à cena alternativa.
Parceria com Marina Lima atravessou décadas
A relação de Alvin L com Marina Lima começou no início dos anos 90 e seguiu ao longo de diferentes fases da carreira da artista. Entre as músicas assinadas pela dupla estão “Não sei dançar”, “Stromboli” e “Deve ser assim”, lançadas no período em que a cantora buscava um repertório mais autoral.
A parceria se manteve ativa nos anos seguintes, incluindo composições como “Na minha mão” e trabalhos mais recentes, como o EP “Motim”, de 2021. Alvin também participou de gravações como músico, além da atuação como compositor.
Após a morte, Marina Lima publicou uma mensagem nas redes sociais.
“Nem sei o que dizer. Meu amigo. Único. Genial. Muito triste. Voa para a eternidade, Alvin.”
Colaboração com Capital Inicial e alcance no repertório pop
Outro eixo importante da carreira de Alvin L foi a parceria com Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial. A partir dos anos 90, o compositor passou a colaborar com a banda em diferentes projetos, com maior presença a partir dos anos 2000.
Entre as músicas assinadas em parceria estão “Natasha”, “Eu vou estar” e “Tudo que vai”, faixas que integraram lançamentos importantes do grupo, como o álbum “Acústico MTV”. A colaboração seguiu ao longo dos anos, incluindo trabalhos mais recentes do Capital Inicial.
Dinho Ouro Preto também se manifestou após a morte do artista.
“Hoje é um dia trágico. Com infinita tristeza eu recebi a notícia que meu grande amigo Alvin se foi. Assim, do nada. Como o destino pode ser tão cruel? Eu tô arrasado, me arrastando pelas sombras. Eu escrevo essas palavras de dentro de um avião à caminho do rio onde vamos encontrar mais amigos e família para dizermos adeus. Tenho dificuldade em encontrar as palavras certas para um momento como esse. Poucas vezes na minha vida senti tamanha melancolia. O Alvin era meu amigo mais querido, aquela pessoa com quem passava horas no telefone. Aquele cara que parece entender tudo que você quer dizer e não consegue. Aquele amigo que sempre está ao seu lado. Não vou falar agora do seu gênio musical, isso fica pra depois. Quero que todos saibam da pessoa gentil, engraçada, culta e generosa que ele era. Ainda estou meio atordoado com a notícia, me desculpem. O Alvin vai deixar um imenso vazio na minha vida e posso dizer o seguinte: ele sempre estará vivo em mim.”
Trajetória entre bandas e composições gravadas

Antes de se consolidar como compositor, Alvin L participou de diferentes projetos na cena carioca. No fim dos anos 1970, integrou o grupo Vândalos. Na década seguinte, formou os Rapazes da Vida Fácil, com influência do new wave, e também passou pela banda Brasil Palace.
Nos anos 90, fez parte da banda Sex Beatles, com a qual lançou os álbuns “Automobilia” (1994) e “Mondo passionale” (1995). Nesse período, também seguiu desenvolvendo sua atuação como compositor para outros artistas.
Ao longo da carreira, Alvin L teve mais de 200 músicas gravadas por intérpretes de diferentes perfis. Seu repertório inclui registros por nomes como Milton Nascimento, Ana Carolina, Toni Platão e Sandy & Junior.
Em carreira solo, lançou apenas um álbum, “Alvin”, em 1997, com produção de Liminha. O disco reuniu músicas inéditas e regravações, mas não teve desdobramentos em novos lançamentos individuais.
Com sua morte, Alvin L deixa um repertório que segue em circulação, especialmente em shows e regravações de artistas com quem colaborou ao longo dos anos. Essas canções continuam presentes em setlists e playlists, atravessando gerações e mantendo viva a relação direta com o público que acompanhou (e ainda acompanha) suas músicas atemporais.
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