Guia MM: Como usar o WhatsApp para divulgar lançamentos, shows e merch e criar uma base de fãs fiel

O WhatsApp se consolida como ferramenta estratégica para artistas que querem driblar algoritmos e falar direto com o público.
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Nathália Pandeló
Exemplos de comunidades no WhatsApp
Exemplos de comunidades no WhatsApp (Crédito: Divulgação)

Se existe um aplicativo que já está instalado no bolso de praticamente todo brasileiro, é o WhatsApp. Com mais de 2 bilhões de usuários ativos no mundo e cerca de 147 milhões no Brasil, segundo dados de mercado, a plataforma deixou de ser somente um mensageiro pessoal para se tornar um dos canais mais potentes de comunicação direta. No Brasil, mais de 90% das pessoas conectadas usam o app diariamente, o que o transforma em um ambiente de atenção real, não apenas de rolagem automática de feed.

Em um cenário em que as redes sociais reduzem alcance o orgânico e priorizam conteúdos recomendados por inteligência artificial, falar diretamente com o fã virou questão de sobrevivência estratégica. E é justamente aí que o WhatsApp ganha força. Diferentemente de Instagram, TikTok ou Facebook, a mensagem enviada chega ao celular do fã sem depender de algoritmo. É comunicação um a um, mesmo quando feita em escala.

Para artistas e equipes, isso significa uma oportunidade de organizar sua própria comunidade, vender ingressos, divulgar lançamentos e criar um relacionamento com a base.

Por que o WhatsApp pode ser mais eficiente que redes sociais e e-mail

Estudos de marketing digital apontam que mensagens enviadas via WhatsApp têm taxas de leitura que ultrapassam 80%, muitas vezes sendo abertas em poucos minutos. Em comparação, campanhas de e-mail marketing costumam registrar médias globais entre 15% e 25% de abertura. Isso significa que o aviso de um novo single, o link de pré-save ou a data de um show têm muito mais chance de serem vistos no WhatsApp do que na caixa de entrada.

Outro ponto importante é o comportamento de uso. No Brasil, o WhatsApp funciona como central de comunicação da vida cotidiana. É onde chegam mensagens da família, do trabalho, da escola e do banco. Diferentemente de redes sociais, que competem com entretenimento infinito, o WhatsApp é associado a conversas relevantes. Isso gera atenção mais qualificada.

Para o artista, isso representa algo valioso: a possibilidade de construir um canal direto, que não depende de impulsionamento pago para alcançar a própria audiência.

Exemplos internacionais que mostram o caminho

Marketing musical

Diversos artistas já exploram o WhatsApp como parte estruturada de sua estratégia de relacionamento. Durante a era do álbum “Solar Power”, Lorde criou uma espécie de hotline no aplicativo para enviar mensagens de voz aos fãs. Ao optar por áudios em vez de textos promocionais, gerou sensação de proximidade. A experiência se aproximava de uma conversa íntima, e não de uma campanha.

A banda britânica The Lathums adotou grupos como forma de organizar sua base. Dentro desses espaços, compartilhavam demos antecipadas e links exclusivos de ingressos, transformando os fãs em um verdadeiro street team digital. O impacto foi percebido na mobilização para shows e no desempenho comercial.

Já o selo independente Sahel Sounds utilizou o WhatsApp como ferramenta criativa. Músicos no oeste da África gravavam pelo celular e enviavam arquivos diretamente pelo aplicativo para posterior finalização. O caso mostra que o WhatsApp pode servir tanto para marketing quanto para produção e conexão entre criadores.

Artistas como Dua Lipa também utilizam Canais oficiais para anunciar turnês e compartilhar bastidores, reforçando que o aplicativo pode funcionar como um hub direto para fãs.

Qual formato usar: Canal, Comunidade, Grupo ou Status?

Canais no WhatsApp se tornam estratégicos para músicos
Canais no WhatsApp se tornam estratégicos para músicos (Crédito: Divulgação)

Antes de criar um link e sair divulgando, é fundamental entender as diferenças entre os formatos disponíveis.

Os Canais funcionam como transmissão unilateral. São ideais para anúncios de lançamento, datas de turnê e venda de merch. Não há limite de seguidores e os números permanecem privados, o que garante segurança e escalabilidade. Para artistas com base maior, é a estrutura mais recomendada.

As Comunidades permitem organizar vários subgrupos dentro de um mesmo guarda-chuva, como divisões por cidade ou perfil de fã. A versão gratuita comporta até 2 mil membros, o que pode ser suficiente para equipes que desejam segmentar a audiência.

Grupos tradicionais funcionam melhor para núcleos mais engajados, como street teams ou fãs VIP. É preciso cuidado, pois os números ficam visíveis para todos.

Já o Status, que desaparece em 24 horas, pode ser usado como alternativa aos Stories, oferecendo bastidores de estúdio, ensaios ou trechos exclusivos.

Como aplicar na prática em lançamentos, shows e merch

Para lançamentos, uma estratégia simples é oferecer acesso antecipado. Enviar o link de pré-save ou o anúncio oficial primeiro pelo WhatsApp cria senso de pertencimento. Um trecho exclusivo de 30 segundos ou um áudio explicando a música pode gerar um engajamento real.

No caso de shows, segmentar por cidade faz diferença. Se a base estiver organizada, é possível avisar apenas fãs daquela região, aumentando a taxa de conversão e evitando desgaste com quem não poderá comparecer.

Para merch, o WhatsApp pode funcionar como sala VIP. Cupom exclusivo, acesso antecipado ou estoque limitado anunciado primeiro no canal estimulam urgência. O ponto central é oferecer algo que não esteja disponível simultaneamente em todas as redes.

Boas práticas para evitar desgaste e manter a comunidade ativa

Marketing e divulgação musical

O primeiro passo é pedir para que os fãs salvem o “número do artista”. Isso melhora a entrega e garante que atualizações de Status apareçam com mais frequência.

Também é importante evitar excesso de mensagens. O WhatsApp é espaço íntimo. Comunicação estratégica e objetiva tende a funcionar melhor do que disparos constantes.

Privacidade deve ser prioridade. Para bases grandes, os Canais são mais seguros. E o conteúdo precisa ser diferenciado. Se for exatamente igual ao que já está no Instagram, o fã pode silenciar o canal. E aí é que se perde todo o esforço dedicado ao projeto.

Oportunidade estratégica para o mercado brasileiro

Em um país com adoção massiva do WhatsApp, ignorar esse canal é abrir mão da comunicação mais direta possível, longe dos algoritmos e completamente gratuita. A plataforma pode funcionar como um fã-clube digital descentralizado, controlado pelo próprio artista e sua equipe.

Construir essa base leva tempo, mas cria um ativo que independe de mudanças de algoritmo. Para quem pensa carreira no longo prazo, o WhatsApp pode deixar de ser apenas aplicativo de conversa e se tornar peça central da estratégia de relacionamento com fãs.

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