Entrevista: Luciana Villas Boas fala sobre curadoria, público e operação do Camarote Salvador no Carnaval 2026

A CEO da Premium Entretenimento comenta os critérios por trás do line-up, o perfil majoritariamente turístico e os desafios de operar um camarote de grande escala.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento, realizadora do Camarote Salvador
Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento, realizadora do Camarote Salvador (Crédito: Divulgação)

O Camarote Salvador entra no Carnaval 2026 com uma operação que vai além da programação musical. Instalado no final do Circuito Barra-Ondina, o camarote recebe diariamente milhares de foliões e funciona como um espaço de permanência ao longo de toda a noite, combinando shows em dois palcos, mirantes para os trios e uma estrutura de serviços contínuos.

Esse formato impacta diretamente as decisões do evento. O perfil majoritariamente turístico do público, a circulação intensa de pessoas e a duração prolongada da programação exigem uma curadoria que dialogue com diferentes momentos da festa, além de uma operação pensada para conforto, fluxo e segurança em larga escala.

Para 2026, o line-up reúne artistas associados ao Carnaval de Salvador, como Ivete Sangalo, Leo Santana, Saulo Fernandes e Bell Marques, ao lado de nomes de outros circuitos da música brasileira, como João Gomes, Pedro Sampaio, Nattan e Felipe Amorim, além de atrações internacionais como Ne-Yo e WhoMadeWho. A programação também inclui projetos voltados à música baiana, como o show do BaianaSystem com participações de Caetano Veloso, Lazzo Matumbi e Vandal.

Em entrevista exclusiva ao Mundo da Música, Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento, fala sobre os pilares que sustentam o Camarote Salvador, os critérios por trás do line-up de 2026, o papel das marcas, o perfil do público e como o evento se posiciona dentro do mercado de Carnaval e entretenimento no Brasil.

Entrevista: Luciana Villas Boas, Premium Entretenimento (Camarote Salvador)

Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento
Luciana Villas Boas, CEO da Premium Entretenimento (Crédito: Marcos Duarte)

Mundo da Música: O Camarote Salvador se consolidou como uma das maiores operações privadas do Carnaval. Quando você olha para o evento hoje, quais são os pilares que orientam as decisões de curadoria, estrutura e experiência para manter esse posicionamento?

Luciana Villas Boas: Aqui na Premium Entretenimento, acreditamos que o principal pilar é o compromisso com o cliente, que está no centro das decisões. A partir disso, colocamos o nosso DNA em cada espaço do evento, orientando a curadoria artística, a estrutura e a experiência do público. Outro pilar fundamental é a cultura baiana, que move a narrativa e as escolhas criativas do Camarote Salvador, e está presente no line-up, cenografia e experiências.

Mundo da Música: A estrutura do camarote envolve dois palcos, ativações de marca, áreas de convivência e mirantes para acompanhar os trios no circuito Barra-Ondina. Como essa lógica de múltiplas experiências influencia a forma como o line-up é pensado?

Luciana: O line-up do Camarote Salvador é estruturado para conversar com a proposta completa do evento. Então, sempre pensamos em artistas de vários gêneros musicais, como música eletrônica, funk, pop e sertanejo, além do axé, que está presente em todos os dias. Assim como as atrações, o evento traz ativações e experiências múltiplas, que atendem a vários tipos de foliões. Os mirantes também entram nesse sentido, porque são a oportunidade do folião aproveitar os trios do circuito Barra-Ondina enquanto vivenciam diversas ações dentro do camarote. 

Timbalada no Camarote Salvador
Timbalada no Camarote Salvador (Crédito: Divulgação)

Mundo da Música: O line-up de 2026 mistura artistas que são símbolos do Carnaval com nomes do pop, do funk e da música eletrônica, além de atrações internacionais. Como você equilibra essa diversidade para atender um público que busca conforto, status e uma programação intensa ao longo do dia?

Luciana: A gente tenta equilibrar a programação de acordo com o que já pesquisamos sobre as preferências do nosso público. Nos últimos anos, observamos uma demanda maior para a música baiana, então decidimos iniciar o evento em 2026 com um projeto que valoriza a nossa cultura, com shows como o de BaianaSystem com participações de Caetano Veloso, Lazzo Matumbi e Vandal. Nos outros dias, seguimos com uma curadoria diversa, que mistura artistas consagrados do Carnaval, como Ivete Sangalo, Leo Santana, Saulo Fernandes e Bell Marques, com nomes internacionais como Ne-Yo.

Mundo da Música: Recebendo mais de 5 mil pessoas por dia e operando em uma faixa de ingresso premium, o Camarote Salvador dialoga muito com o turismo e com um público que valoriza a experiência. Como esse perfil impacta as escolhas artísticas e a dinâmica do evento?

Luciana: Recebemos foliões de vários estados brasileiros, principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, além do Distrito Federal. Desde o início, entendemos a necessidade de inovar a cada edição para atender demandas e estilos distintos. Nós temos o objetivo de sempre manter a experiência fluída para todos, independente de sua região, então trazemos artistas de diferentes ritmos e gerações. Dessa forma, engajamos o público e transformamos cada momento no camarote em uma experiência marcante.

Mundo da Música: As ativações de marca ganharam um peso cada vez maior dentro do camarote. O que mudou na relação com patrocinadores nos últimos anos e como vocês trabalham para integrar essas marcas à experiência, sem que isso interfira na fluidez da festa?

Luciana: Sempre escolhemos patrocinadores e parceiros que sejam alinhados à proposta do Camarote Salvador. Nos últimos anos, avalio que fortalecemos algumas relações, especialmente com marcas que impulsionam muito o Carnaval a nível nacional – a Petra e a Red Bull, por exemplo, estão com a gente há muitos anos. Tudo é pensado para somar à experiência do público, se conectando, também, à cenografia e às áreas como o Espaço Gourmet, sem interromper o fluxo da festa ou a vivência do camarote.

Mundo da Música: Pensando no mercado de Carnaval como um todo, como você enxerga o papel dos grandes camarotes daqui para frente? Eles tendem a se aproximar mais do formato de festivais ou a desenvolver modelos próprios, focados em hospitalidade, curadoria e entretenimento?

Luciana: Cada camarote em Salvador tem um objetivo de público específico. São públicos diferentes e os eventos se adequam às necessidades de cada cliente. Como o Camarote Salvador tem 90% de turistas, focamos muito na hospitalidade, no receptivo e na segurança, para que o turista tenha a melhor experiência possível em Salvador.

Mundo da Música: A estrutura do Camarote Salvador hoje envolve curadoria musical, operação em grande escala e um modelo de experiência bem definido. Existe interesse em levar esse formato para outros estados ou para outros carnavais do país, ou o projeto segue pensado como algo exclusivo de Salvador?

Luciana: Somos uma empresa baiana e nosso produto está muito relacionado à experiência do Carnaval de Salvador, inclusive, com grande interação com a rua. Em função disso, ainda não pensamos em sair com o Camarote Salvador para um outro estado, e, sim, melhorar cada vez mais essa experiência dentro do Carnaval de Salvador, ajudando a fortalecer o turismo como um todo e o próprio Carnaval.

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