A Pollstar divulgou sua edição South America 2026 com um retrato claro do mercado de shows no continente: crescimento de público, circuitos cada vez mais integrados e arenas consolidadas como motores desse movimento. No topo do ranking aparece o Allianz Parque, em São Paulo, que liderou a lista de estádios com maior público e volume de ingressos vendidos no período entre 1º de dezembro de 2024 e 30 de novembro de 2025.
O levantamento, baseado em ingressos reportados ao longo do ano, mostra um cenário em que o Brasil mantém protagonismo, mas divide espaço com Colômbia, Chile, Argentina e Peru, que também aparecem com frequência entre os principais equipamentos do continente. O ranking ajuda a entender não apenas quem vende mais ingressos, mas como o mercado sul-americano passou a operar em escala comparável a outros grandes polos globais do entretenimento ao vivo.
Ao todo, a lista da Pollstar reúne estádios, arenas, teatros e clubes, com destaque para estruturas multiuso capazes de receber turnês internacionais, artistas locais e eventos esportivos. A leitura combinada desses dados aponta para um circuito mais profissionalizado, com agendas intensas e públicos recorrentes em diferentes países.
O Allianz Parque no topo do ranking
No recorte específico dos estádios, o Allianz Parque aparece como líder absoluto da América do Sul. Foram mais de 1,3 milhão de ingressos vendidos ao longo do período analisado, número que coloca a arena paulistana à frente do segundo colocado, o Estádio El Campín, em Bogotá, por uma margem ampla de público.
Segundo os dados da Pollstar, o Allianz Parque recebeu 33 shows no intervalo considerado, sendo 14 turnês internacionais e 19 apresentações de artistas nacionais. A arena foi palco de nomes como Kendrick Lamar, Guns N’ Roses, System of a Down e Simply Red, além de grandes produções brasileiras, o que ajuda a explicar o volume expressivo de público.
Outro ponto relevante é a capacidade de conciliar agendas distintas. No mesmo período, o Allianz Parque recebeu 33 partidas oficiais do Palmeiras, somando mais de 950 mil torcedores. A coexistência entre futebol profissional e grandes shows se tornou um dos diferenciais operacionais do espaço, frequentemente citado por agentes internacionais como referência na região.
O retrato geral do ranking sul-americano

Embora o Allianz Parque lidere, o ranking da Pollstar evidencia um cenário mais amplo. Estádios colombianos como El Campín, em Bogotá, e o Atanasio Girardot, em Medellín, aparecem com destaque, assim como o Estadio Nacional, em Santiago, e o Monumental de Buenos Aires.
O levantamento mostra que a Colômbia se firmou como um dos mercados mais ativos do continente, com múltiplos equipamentos entre os mais bem posicionados. Chile e Argentina seguem como praças estratégicas, especialmente em circuitos que combinam grandes capitais com cidades secundárias.
No recorte brasileiro do ranking South America 2026 da Pollstar, a presença do país aparece concentrada em poucos equipamentos e, majoritariamente, em São Paulo. Entre os estádios, Morumbis também figura entre os dez com maior faturamento. Nas arenas, o Brasil surge com a Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, e a Arena Opus, em São José dos Campos.
Já nos recortes de teatros e clubs, São Paulo concentra novamente os destaques, com Espaço Unimed e Vibra São Paulo entre os teatros de maior faturamento, além de Cine Joia e Audio Club no ranking de clubs, que ainda inclui a Rio Rave House como única representante fora do eixo paulistano.
Arenas, teatros e clubes em alta
A edição da Pollstar dedicada à América do Sul mostra que nem só de estádios vivem as turnês no continente. No segmento de arenas, os Movistar Arena de Santiago e Bogotá lideram com folga, superando a marca de 1 milhão de ingressos vendidos cada um. Buenos Aires e Rio de Janeiro aparecem na sequência, com estruturas já integradas ao circuito internacional.
Nos teatros e clubes, o destaque vai para São Paulo e Buenos Aires, que concentram boa parte dos espaços com maior bilheteria. Casas como Cine Joia, Audio Club e Teatro Flores mostram que, além dos grandes estádios, há um mercado consistente para shows de médio porte, essencial para a sustentabilidade do ecossistema.
Esse recorte ajuda a entender como o mercado sul-americano se estrutura em diferentes camadas, oferecendo alternativas para artistas em estágios distintos de carreira e permitindo rotas mais longas e eficientes.
O que os números indicam para o mercado
Os dados consolidados pela Pollstar reforçam a percepção de que a América do Sul deixou de ser apenas uma etapa pontual em turnês globais. O volume de ingressos vendidos, a recorrência de datas e a diversidade de praças indicam um mercado maduro, capaz de sustentar produções complexas e agendas extensas.
A liderança do Allianz Parque simboliza esse momento, mas o ranking como um todo aponta para um continente cada vez mais integrado, com promotores, venues e artistas operando em lógica regional. Para a indústria, a América do Sul não é mais exceção no calendário global do ao vivo.
Concentração por tipo de venue expõe força e limites do circuito

Quando os dados da Pollstar são organizados por tipo de venue, o retrato do mercado sul-americano fica ainda mais nítido. Estádios concentram os maiores volumes absolutos de público, enquanto arenas funcionam como base recorrente para turnês internacionais de médio e grande porte. Já teatros e clubes seguem como pilares para circuitos mais frequentes, mas com forte concentração em poucas capitais.
No recorte brasileiro, chama atenção o fato de que apenas São Paulo aparece entre os Top 10 nas categorias de estádios, teatros e clubes. Em arenas, o Brasil sequer figura entre os líderes continentais, reforçando a centralização do mercado em poucos equipamentos e cidades.
Abaixo, os dez espaços que mais venderam ingressos para shows na América do Sul entre 1º de dezembro de 2024 e 30 de novembro de 2025, considerando estádios, arenas, clubes e teatros reportados à Pollstar:
Top 10 estádios da América do Sul
- Allianz Parque (São Paulo, Brasil) – US$ 61,9 milhões
- Estadio El Campín (Bogotá, Colômbia) – US$ 35,4 milhões
- Estadio Nacional (Santiago, Chile) – US$ 29,5 milhões
- Morumbis (São Paulo, Brasil) – US$ 26,6 milhões
- Vive Claro (Bogotá, Colômbia) – US$ 23,7 milhões
- Estadio Atanasio Girardot (Medellín, Colômbia) – US$ 21,5 milhões
- Estadio Olímpico Atahualpa (Quito, Equador) – US$ 17,0 milhões
- Estadio José Amalfitani (Buenos Aires, Argentina) – US$ 14,7 milhões
- Parque Bicentenario Santiago (Santiago, Chile) – US$ 14,4 milhões
- Estadio Tomás Adolfo Ducó (Buenos Aires, Argentina) – US$ 14,1 milhões
Top 10 arenas da América do Sul
- Movistar Arena (Santiago, Chile) – US$ 96,0 milhões
- Movistar Arena (Bogotá, Colômbia) – US$ 47,6 milhões
- Movistar Arena (Buenos Aires, Argentina) – US$ 45,9 milhões
- Coliseo MedPlus (Bogotá, Colômbia) – US$ 11,2 milhões
- Farmasi Arena (Rio de Janeiro, Brasil) – US$ 5,3 milhões
- Antel Arena (Montevidéu, Uruguai) – US$ 4,6 milhões
- Coliseo General Rumiñahui (Quito, Equador) – US$ 4,0 milhões
- Arena Opus (São José dos Campos, Brasil) – US$ 2,0 milhões
- Coliseo Voltaire Paladines Polo (Guayaquil, Equador) – US$ 1,6 milhão
- Gran Arena Monticello (Rancagua, Chile) – US$ 1,3 milhão
Top 10 teatros da América do Sul
- Espaço Unimed (São Paulo, Brasil) – US$ 1,8 milhão
- Cenfer (Bucaramanga, Colômbia) – US$ 1,6 milhão
- Centauro Centro de Eventos (Envigado, Colômbia) – US$ 1,6 milhão
- Plaza de la Música (Córdoba, Argentina) – US$ 1,4 milhão
- Teatro Caupolicán (Santiago, Chile) – US$ 1,2 milhão
- Quality Espacio (Córdoba, Argentina) – US$ 1,0 milhão
- Royal Center (Bogotá, Colômbia) – US$ 842 mil
- Orquideorama Jardín Botánico (Medellín, Colômbia) – US$ 797 mil
- Teatro Jorge Eliécer Gaitán (Bogotá, Colômbia) – US$ 655 mil
- Vibra São Paulo (São Paulo, Brasil) – US$ 512 mil
Top 5 clubs da América do Sul
- Cine Joia (São Paulo, Brasil) – US$ 221 mil
- Audio Club (São Paulo, Brasil) – US$ 177 mil
- Teatro Flores (Buenos Aires, Argentina) – US$ 90 mil
- The Bonfire (Bogotá, Colômbia) – US$ 43 mil
- Rio Rave House (Rio de Janeiro, Brasil) – US$ 29 mil
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