O Aviões Fantasy lança nesta quinta-feira (22), às 21h, o DVD oficial de sua última edição, com registro completo do espetáculo disponibilizado no YouTube. A direção criativa é assinada por André Gress, profissional com trajetória ligada ao teatro musical internacional, que assina a concepção artística do evento e do audiovisual. Criado por Xand Avião, o Aviões Fantasy aconteceu em 2025 no estacionamento da Arena Castelão, em Fortaleza, e se consolidou ao longo dos últimos anos como a maior festa à fantasia do Nordeste, agora ganhando uma nova etapa de circulação nas plataformas digitais.
A edição registrada reuniu mais de 40 mil pessoas presencialmente e contou ainda com milhares de espectadores acompanhando a transmissão ao vivo. Foram meses de pré-produção e uma operação de grande porte, com mais de mil profissionais envolvidos direta e indiretamente, entre equipes criativas, técnicas e operacionais.
Em cena, o espetáculo apresentou mais de 100 figurinos exclusivos, dezenas de bailarinos, coral com mais de 25 vozes, banda marcial, além de sistemas avançados de automação, estruturas hidráulicas, plataformas móveis, elevadores de palco e efeitos especiais sincronizados à música. Momentos como o voo de Xand Avião sobre o palco e entradas cenográficas a mais de 10 metros de altura ajudaram a criar imagens pensadas tanto para o impacto ao vivo quanto para a linguagem audiovisual.
Com experiência acumulada ao lado de criativos centrais da Broadway e atuação como Diretor Nacional da Broadway Dreams Foundation no Brasil, André Gress leva para o Aviões Fantasy um método de criação baseado em narrativa, clareza e emoção. Para o diretor, o audiovisual deixou de ser apenas um registro e passou a funcionar como uma linguagem própria e uma vitrine coletiva, revelando toda a engrenagem criativa por trás do espetáculo.
Com exclusividade ao Mundo da Música, Gress fala sobre os bastidores da criação, as decisões estratégicas, a evolução do projeto ao longo das edições e o papel do audiovisual na construção de memória do evento.
Entrevista: André Gress (Aviões Fantasy)
Mundo da Música: O lançamento do DVD transforma o Aviões Fantasy em um produto que vai além da noite do evento. Do ponto de vista criativo e estratégico, o que muda quando o espetáculo passa a ser pensado também como registro audiovisual e conteúdo de longo prazo?
André Gress: Do ponto de vista criativo, o espetáculo passa a ser construído em duas camadas simultâneas: a experiência ao vivo e a experiência audiovisual. A narrativa precisa funcionar para os dois universos sem perder a magia. No Aviões Fantasy, isso já começa na abertura, que utiliza conscientemente o artifício do audiovisual como parte da encenação. O público presente é convidado a acompanhar, por meio das telas, uma ação que acontece no backstage, seguindo a câmera até o momento em que o artista retorna ao palco. Esse recurso cria um olhar voyeur, aproximando quem assiste de um lugar normalmente invisível e, ao mesmo tempo, prepara emocionalmente a entrada.
Essa escolha dialoga diretamente com quem vai viver o espetáculo de casa. A história é pensada para atravessar a tela, traduzindo sensações — e não apenas imagens. O tema “seja o que você quiser ser” se revela nessa linguagem: uma superprodução em que o artista literalmente voa no palco, o visual impacta e os cortes de câmera são desenhados para gerar imersão, ritmo e expectativa. O audiovisual deixa de ser um simples registro e passa a funcionar como uma extensão da dramaturgia do show, conduzindo quem assiste de casa pela mesma jornada emocional de quem esteve ali ao vivo.
Mundo da Música: Em termos de números e escala – tamanho de equipe envolvida, tempo de pré-produção, volume de artistas, cenografia ou efeitos – o que essa edição representou? O que ajuda a dimensionar o Aviões Fantasy hoje dentro do mercado de grandes eventos no Brasil?
André: Em termos de números e escala, essa edição do Aviões Fantasy consolida o projeto como um dos maiores espetáculos populares do Brasil hoje. O evento reuniu um público superior a 40 mil pessoas presencialmente, além de milhares acompanhando a transmissão ao vivo, ampliando ainda mais o alcance da experiência. Foram meses de pré-produção intensa e uma engrenagem humana e técnica extremamente robusta, com mais de mil profissionais envolvidos direta e indiretamente, entre artistas, equipes criativas, técnicas e operacionais.
Em cena, o espetáculo contou com uma equipe numerosa e altamente especializada. Só na abertura, mais de 20 bailarinos dividiam o palco em um número coreografado que já apresentava o nível de complexidade do show. O palco operava com sistemas avançados de automação, incluindo uma estrutura giratória controlada por computador, automação de voo — que permitia que Xand Avião literalmente voasse sobre o palco —, além de plataformas móveis, catapulta hidráulica construída exclusivamente para o espetáculo, uma tela de LED que sacava do centro do telão principal a 6 metros de altura e dois elevadores de palco, que faziam artistas emergirem do chão como parte da narrativa visual.
Houve momentos de grande impacto coletivo, como a entrada de mais de 25 coralistas em um arranjo musical criado especialmente para o show, sincronizado com uma queima de fogos desenhada para explodir emocionalmente junto à batida da música. Em outro momento marcante, um elevador elevou o Xand a mais de 10 metros de altura no meio do público, durante a música “Quem Ama Cuida”, criando uma imagem simbólica e profundamente afetiva. O espetáculo contou ainda com mais de 100 figurinos, desenvolvidos exclusivamente para os diferentes atos e universos visuais do show.
No encerramento, a escala atingiu seu ápice: mais de 100 pessoas simultaneamente em cima do palco, incluindo uma banda marcial com mais de 50 integrantes tocando ao vivo, mais de 40 bailarinos, muitos deles com bandeiras coreografadas, além da banda principal do artista. Tudo isso operando em sincronia absoluta.
Por trás dessa cena, existe uma cadeia criativa extensa e integrada: designers de luz, criadores de efeitos especiais e pirotecnia, operadores de automação, equipes de LED e conteúdo visual, figurinistas, costureiros, cenógrafos, engenheiros, técnicos de rigging, profissionais de segurança, produção executiva, direção técnica e equipes responsáveis pela concepção, construção e operação de todo o visual do palco. É a soma de muitas especialidades, talentos e linguagens diferentes, trabalhando juntas para sustentar um espetáculo dessa magnitude — não apenas grande em tamanho, mas sofisticado em concepção e execução.
Mundo da Música: Comparando com edições anteriores, o que mais evoluiu na construção do espetáculo? Seja em narrativa, ritmo, uso de palco ou interação com o público, quais decisões mostram como o projeto foi amadurecendo ao longo do tempo?
André: Comparando com edições anteriores, a maior evolução do Aviões Fantasy está no alinhamento absoluto entre música, performance e encenação. Em 2023, o projeto já havia dado um passo importante ao assumir uma narrativa mais espetaculosa, organizada em torno de um tema claro e de uma construção visual mais ambiciosa. Em 2025, esse amadurecimento se transforma em um salto: a música deixa de ser apenas o fio condutor e passa a ser o próprio acontecimento em cena.
Neste ano, a performance foi pensada para nascer diretamente da música. Cada arranjo, cada virada, cada silêncio ou explosão sonora estava conectado ao que acontecia no palco — no corpo dos bailarinos, no movimento da cenografia, na automação, na luz e nos efeitos. A música não apenas acompanhava a cena; ela provocava a cena. Isso cria um estado de atenção constante no público, que já não sabe exatamente o que esperar a seguir. A previsibilidade dá lugar à surpresa, e a experiência se torna mais sensorial e menos linear.
Esse amadurecimento também se reflete no ritmo do espetáculo. Os momentos são construídos para gerar expectativa, ruptura e impacto emocional, fazendo com que o público viva uma sucessão de estados — e não apenas uma sequência de números. A interação com a plateia acontece de forma mais orgânica, porque nasce da própria dramaturgia musical. É nesse ponto que o Aviões Fantasy se consolida como um espetáculo em que música, narrativa e performance operam no mesmo nível criativo, elevando a experiência e mostrando como o projeto vem se sofisticando ao longo do tempo.

Mundo da Música: Nos bastidores, quais são os maiores desafios de dirigir um espetáculo desse porte em um evento ao ar livre, com milhares de pessoas, múltiplos estímulos visuais e um artista central como o Xand Avião? Onde costuma estar o maior risco criativo?
André: Nos bastidores, dirigir um espetáculo desse porte em um evento ao ar livre exige, antes de tudo, domínio de escala e de foco. Estamos falando de um palco com mais de 50 metros de largura e mais de 30 metros de altura no seu ponto mais alto, um espaço monumental, que por si só já oferece múltiplos estímulos visuais acontecendo simultaneamente. O maior desafio criativo passa a ser exatamente esse: direcionar o olhar do público, fazer com que milhares de pessoas entendam, ao mesmo tempo, onde está o ponto principal da ação, sem depender exclusivamente das câmeras ou dos telões laterais.
Isso exige uma construção narrativa muito precisa. A música se torna o principal guia dessa leitura: ela organiza o ritmo, prepara os clímax, cria escalas de atenção e orienta o público sobre o que é essencial em cada momento. Luz, cenografia, automação, efeitos e movimentação de palco entram como camadas que reforçam essa narrativa, nunca como distração. O risco criativo está justamente em perder essa hierarquia, em permitir que o excesso de recursos dilua a compreensão da cena. Em um espetáculo dessa dimensão, clareza é tão importante quanto impacto.
Dentro disso tudo, o artista precisa ser o elo absoluto entre todas as ações. Cada escolha — visual, técnica ou narrativa — precisa existir a serviço de Xand Avião, que é o performer central, o ponto emocional e o motivo pelo qual tudo está acontecendo. Ele não é apenas quem ocupa o palco, mas quem dá sentido à história que está sendo contada. Quando essa centralidade está clara, o espetáculo consegue ser grandioso sem se perder, complexo sem confundir e impactante sem deixar de ser legível para quem está assistindo.
Mundo da Música: Você costuma dizer que nada acontece por acaso em cena. Como funciona, na prática, esse processo de criação da narrativa do show? O que nasce primeiro: o conceito, o repertório, os momentos de impacto ou a experiência do público como um todo?
André: Eu costumo dizer que nada acontece por acaso em cena porque, quando as coisas são criadas a partir de um propósito claro, a mensagem chega com muito mais facilidade ao público. Sempre que inicio um projeto novo, antes mesmo de falar de tema, repertório ou estética, a primeira pergunta é: qual é o objetivo real desse espetáculo? O que precisa ser entregue? É um posicionamento de artista, um reposicionamento de carreira, uma nova narrativa ou um novo olhar sobre algo que já existe? Entender esse “porquê” original é o ponto de partida de tudo.
A partir daí, nasce o conceito. E é o conceito que passa a conduzir a narrativa do show. No Aviões Fantasy, normalmente existe um tema muito claro, que funciona como eixo criativo, mas ele nunca é tratado de forma óbvia ou linear. O desafio é transformar esse tema em uma jornada que seja facilmente compreendida pelo público, mas que também surpreenda. As pessoas precisam entender rápido o que está sendo contado, mas, ao mesmo tempo, sentir aquele frio na barriga de não saber exatamente o que vai acontecer a seguir. É como construir uma montanha-russa emocional.
Quando o conceito está definido, entro em um processo de identificar quatro ou cinco momentos-chave do espetáculo — aqueles pontos onde conseguimos traduzir o tema em imagens, ações e sensações muito específicas. A partir desses momentos, a narrativa começa a ganhar corpo, e só então pensamos em como isso será materializado: quais músicas, quais efeitos, quais movimentos de palco, sempre com um propósito. Nada entra só pelo impacto visual. Se algo acontece — como voar, emergir do chão ou atravessar um portal — isso precisa ter um significado dentro da história que está sendo contada.
A abertura do Aviões Fantasy é um bom exemplo disso. O tema “seja o que você quiser ser” já está totalmente traduzido ali. O artista brinca com o público como se entrasse no palco três vezes. Primeiro, ele surge como um viajante do tempo, apresentado nos telões laterais, atravessando um portal e sendo “sugado” pelo vídeo. Em seguida, esse mesmo personagem aparece fisicamente no palco, criando um jogo entre o audiovisual e o ao vivo.
Depois, o público vê um astronauta surgir, novamente atravessando portais e surgindo “voando” em cena, até que a narrativa quebra completamente: a imagem corta para uma câmera nos bastidores, levando todo mundo para debaixo do palco, até o camarim.
Nesse momento, Xand Avião ainda não começou cantando no palco. Ele começa cantando nos bastidores. O público é transportado para esse outro espaço, acompanha o início da performance por esse olhar quase voyeur, até que ele é catapultado para o palco e o show, de fato, começa. Ao longo dessa abertura, ele passa por diferentes personas — viajante do tempo, astronauta — até finalmente ser quem ele escolhe ser: o comandante. Essa construção traduz exatamente o conceito do espetáculo e prepara emocionalmente o público para tudo o que vem depois.
No fim das contas, o processo funciona assim: primeiro vem o porquê, depois o conceito, em seguida a narrativa e, só então, os recursos cênicos e musicais. Tudo existe para sustentar essa história e provocar emoção. Quando essa engrenagem funciona, o espetáculo deixa de ser apenas uma sequência de músicas e se transforma em uma experiência que envolve, surpreende e permanece na memória de quem assiste.

Mundo da Música: Existe hoje uma pressão grande para que eventos “surpreendam” a cada edição. Como equilibrar expectativa, inovação e identidade, sem cair na armadilha de fazer algo maior apenas por fazer, mas mantendo coerência artística?
André: Existe, sim, uma pressão constante para que os eventos surpreendam a cada edição, mas eu acredito muito que surpreender não é necessariamente aumentar a escala — é aprofundar a ideia. A inovação que realmente me interessa é aquela que faz sentido para a identidade do projeto. No Aviões Fantasy, a pergunta nunca é “como fazer maior?”, mas “como fazer mais verdadeiro?”. Às vezes, uma decisão mais simples, bem contextualizada dentro da narrativa, tem muito mais impacto do que um efeito grandioso sem propósito. É essa coerência artística que sustenta a longevidade de um espetáculo.
Mas, acima de tudo, o que guia esse equilíbrio é a emoção. Um grande espetáculo precisa emocionar — e não apenas no sentido mais óbvio. Emocionar é gerar euforia, é criar identificação, é provocar surpresa, pertencimento e conexão verdadeira. Quando entendemos o momento da carreira do artista, conseguimos escolher com mais clareza quais artifícios fazem sentido para criar esse vínculo com o público, para gerar engajamento, conversa, compartilhamento e memória. A inovação passa muito mais por esse entendimento do que por uma necessidade de excesso.
Quando um artista decide fazer algo nessa escala, ele também assume a oportunidade de levar aquele espetáculo para além do espaço físico onde ele acontece. O show passa a circular, a ser revisto, comentado, lembrado. E isso só acontece quando o que está sendo produzido cria memória afetiva. Não é apenas sobre fogos, efeitos especiais ou a quantidade de pessoas em cena, mas sobre o que aquilo desperta em quem assiste. A emoção pode vir da grandiosidade, mas também pode vir de um gesto, de um silêncio, de um momento inesperado.
No fim, o que permanece é aquilo que toca. O Aviões Fantasy busca esse lugar: um espetáculo que impressiona, sim, mas que, principalmente, fica na memória das pessoas porque gera emoção em diferentes camadas. É isso que faz com que o público queira reviver, compartilhar e carregar aquela experiência consigo — e é aí que a inovação encontra a identidade de forma genuína.
Mundo da Música: Ao longo da sua trajetória internacional, você trabalhou com nomes da Broadway como Alex Newell, Stafford Arima, Otis Sallid, Dan Knechtges, Quentin Darrington e Spencer Liff. Que aprendizados desse universo do teatro musical você conseguiu adaptar para um espetáculo popular brasileiro como o Aviões Fantasy?
André: O principal aprendizado que trago do universo do teatro musical é o rigor criativo — e isso não é apenas algo que eu absorvi lá fora, mas que se tornou uma assinatura do meu trabalho. No teatro musical, nada está em cena sem uma função clara. Cada número, cada entrada, cada pausa, cada silêncio existe por um motivo. Esse entendimento eu levo diretamente para o Aviões Fantasy. Nada acontece por acaso, tudo precisa ter um porquê dentro da narrativa que está sendo construída.
Outro ponto fundamental é entender o ensaio como um espaço criativo, e não apenas técnico. No teatro musical, o ensaio é onde a cena ganha sentido, onde as ideias amadurecem, onde se encontra o melhor caminho para contar aquela história. Isso também muda a forma de olhar para o espetáculo popular. Um espetáculo popular não é um espetáculo simplificado — pelo contrário. Quanto mais popular, mais clara, bem estruturada e potente precisa ser a narrativa para alcançar públicos diversos ao mesmo tempo.
O musical tem algo muito especial, que é a construção de uma memória narrativa. As pessoas se tornam fãs do gênero porque vão ao teatro para viver uma experiência completa, onde tudo acontece com significado. A música, a dança, a encenação e o visual contam a mesma história. A dança não entra apenas como dança; ela entra como narrativa. O movimento carrega informação, emoção e impacto. Quando falamos de música nesse contexto, não falamos apenas de canção, mas de performance — de como aquele som se traduz em corpo, espaço e imagem.
Trabalhar com artistas do teatro musical internacional como Alex Newell, Stafford Arima, Otis Sallid, Dan Knechtges, Quentin Darrington e Spencer Liff me fez conhecer diferentes maneiras de contar histórias, diferentes abordagens de linguagem, ritmo e emoção. Cada encontro desses amplia o olhar. Sou muito grato não apenas a esses nomes, mas a todos os artistas com quem tive o privilégio de trabalhar ao longo da trajetória, porque a formação de um criador acontece justamente nesse acúmulo de trocas.
A beleza de ser uma pessoa criativa está em manter a humildade de entender que sempre há algo a aprender. Estar atento às pessoas que cruzam o nosso caminho, valorizar essas trocas e permitir que elas transformem o nosso olhar é o que constrói um trabalho cada vez mais consciente, sensível e verdadeiro.
Mundo da Música: Durante muito tempo, o audiovisual de grandes eventos era pensado no formato clássico de “DVD”. Hoje, isso mudou completamente. Como você enxerga essa transformação do audiovisual ao longo do tempo e de que forma esse registro passa a funcionar como uma vitrine não só do evento, mas também dos profissionais criativos envolvidos, da direção à operação técnica?
André: O audiovisual passou a ser uma linguagem própria — e, acima de tudo, uma experiência. Ele precisa dialogar com o tempo em que vivemos, com as plataformas digitais, com os novos hábitos de consumo e com a forma como as pessoas se relacionam com música, imagem e entretenimento dentro de casa.
Quando alguém acessa uma plataforma como o YouTube, por exemplo, ela não está apenas buscando ouvir uma música, mas viver algo visualmente impactante, envolvente, que gere conexão, engajamento e vontade de permanecer ali. Isso exige decisões audiovisuais pensadas para quem está do outro lado da tela: movimentos de câmera, ritmo de edição, construção de imagens e performances que funcionem como entretenimento completo, e não apenas como documentação do que aconteceu ao vivo.
Eventos como o Super Bowl ou o Eurovision ajudam a entender bem essa transformação. São performances que milhões de pessoas assistem de casa, muitas vezes anos depois, não apenas pelo artista, mas pela experiência que foi criada ali. É como se aquele espetáculo visitasse a casa de quem assiste. O audiovisual permite acessar, revisitar e reviver momentos que foram marcantes, mesmo sem ter estado fisicamente presente. Ele cria memória, cria repertório visual e amplia o alcance simbólico daquele evento.
Nesse contexto, o registro passa a funcionar como uma vitrine poderosa. Ele revela não só o artista, mas toda a inteligência criativa por trás do projeto: direção, cenografia, luz, coreografia, conteúdo de LED, operação técnica, engenharia de palco. É um verdadeiro cartão de visitas coletivo, que mostra a complexidade e o nível de sofisticação envolvidos na criação daquele espetáculo.
No caso do Aviões Fantasy, o audiovisual cumpre exatamente esse papel. Ele evidencia que o Brasil produz espetáculos populares com alto nível técnico e artístico, comparáveis aos grandes shows e eventos internacionais. Mais do que registrar, esse material amplia a experiência, gera alcance, constrói legado e posiciona não só o evento, mas todos os profissionais envolvidos, dentro de um cenário global de grandes produções.
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