WIN elege novo quadro diretor para 2026 e mantém brasileiro Felippe Llerena como representante latino-americano

A WIN anuncia nova presidência, cria vice-presidências regionais e reforça presença latino-americana no ano em que completa 20 anos de atuação global.
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Nathália Pandeló
WIN divulga novo quadro diretor para 2026
WIN divulga novo quadro diretor para 2026 (Crédito: Divulgação)

A WIN inicia 2026 com mudanças em sua estrutura de governança. A Worldwide Independent Network, rede internacional que reúne associações e empresas do mercado independente da música, anunciou a composição de seu novo conselho global em um ano simbólico para a entidade, que completa duas décadas de atuação.

A renovação inclui a escolha de um novo presidente, a criação de cargos inéditos de vice-presidência e a atualização do board com representantes de 15 países. O movimento acompanha a expansão da atuação internacional da organização e o aumento do peso político do setor independente em discussões globais sobre acesso a mercado, remuneração e direitos autorais.

No recorte latino-americano, a entidade mantém a presença brasileira no conselho com Felippe Llerena, executivo da Nikita Music e representante da ABMI, que segue como observador da região. A continuidade reforça o papel do Brasil dentro das articulações internacionais do segmento independente.

Nova presidência marca continuidade institucional

O novo presidente da Worldwide Independent Network é Mark Kitcatt, CEO da Everlasting Records, da Espanha. Com mais de 40 anos de trajetória no mercado independente, Kitcatt iniciou sua carreira na Rough Trade do Reino Unido e consolidou seu nome à frente do selo madrilenho, responsável por desenvolver artistas como Guadalupe Plata e Los Punsetes, além de lançar os primeiros sucessos comerciais de nomes que depois ganharam projeção internacional, como Nathy Peluso e El Guincho.

Além da atuação empresarial, Kitcatt acumula experiência institucional. Ele foi membro fundador e presidente da UFi e também presidiu a IMPALA, associação que representa o setor independente na Europa. A chegada ao comando ocorre após o encerramento do mandato de Zena White, que liderou a entidade por três anos.

“Eu me sinto animado e privilegiado por assumir esta função no lugar da Zena. Ela foi uma presidente inspiradora para a WIN, que está em um ótimo momento. A música é a conversa que o mundo tem consigo mesmo, e sempre me pareceu que, no setor fonográfico, são as empresas independentes que sabem ouvir essa conversa e responder a ela. O próximo capítulo da história da WIN nos verá continuar a ouvir e dar mais voz a artistas e seus parceiros de confiança de todo o mundo, e a refletir a liderança de destaque que nossos selos, distribuidores e associações oferecem.”

Vice-presidências aumentam a representação regional

Uma das principais novidades da nova composição do conselho é a criação de dois cargos de vice-presidente. A decisão reflete o crescimento territorial da rede e a necessidade de dar mais destaque à representatividade regional dentro de sua governança.

Os postos serão ocupados por Marty Ro, da Sound Republica, da Coreia do Sul, e Cecilia Crespo, da ASIAr, da Argentina. A nomeação de Crespo acompanha a criação de uma nova posição de observador dedicada à América Latina, reforçando o espaço institucional da região dentro da entidade.

“Estou honrada em promover a voz da indústria global de música independente, com um foco especial na América Latina. Esta região tem sido um mercado musical vibrante por décadas, reunindo audiências enormes e talento sem igual. No entanto, é imperativo priorizar acesso igual para artistas e selos fonográficos a oportunidades, recursos e, acima de tudo, compensação financeira justa, como a recebida por seus pares em mercados centrais. Vou trabalhar ativamente por essa equidade e pela importância da criatividade humana, junto com a proteção adequada e o respeito pela propriedade intelectual, em direção a um desenvolvimento responsável e ético da inteligência artificial generativa na indústria da música”, avalia a argentina.

Já Marty Ro destacou o papel da colaboração entre regiões e o crescimento de mercados como a Ásia-Pacífico, que vêm ganhando peso tanto no consumo quanto na produção musical independente:

“Estou honrado em assumir o papel de vice-presidente da WIN e trabalhar em estreita colaboração com nosso presidente, conselho e associações-membro no mundo todo. A WIN tem um papel vital em garantir que empresas independentes de música tenham uma voz forte e coletiva globalmente. Estou particularmente comprometido em fortalecer a colaboração entre regiões, especialmente na Ásia-Pacífico e em outros mercados de rápido crescimento, e em ajudar a WIN a continuar a construir conexões relevantes entre setores independentes ao redor do mundo”.

Noemi Planas, CEO da WIN
Noemi Planas, CEO da WIN (Crédito: Divulgação)

Brasil segue presente na governança global

A permanência de Felippe Llerena como observador latino-americano garante a continuidade da representação brasileira no conselho. À frente da Nikita Music e atuando pela ABMI, o executivo acompanha discussões estratégicas e contribui para o diálogo entre o mercado brasileiro e outras regiões.

O conselho de 2026 reúne 21 integrantes entre diretores e observadores. Entre os novos nomes estão David Barnes, da Rhymesayers Entertainment, como diretor, e Mark Meyer, do Paraguai, e Sarah Kesselman, dos Estados Unidos, como observadores. A executiva Maria Amato, da AIR, da Austrália, foi reconduzida ao cargo de tesoureira para seu quarto mandato consecutivo.

Para a CEO Noemí Planas, o novo ciclo reflete a maturidade institucional da organização:

“À medida que celebramos o 20º aniversário da WIN, estou incrivelmente orgulhosa do quanto avançamos. Este marco reflete duas décadas da comunidade global de música independente se reunindo para construir uma voz mais forte e mais unificada. Com nossa equipe de liderança expandida e alcance global em crescimento, estamos mais bem posicionados do que nunca para defender o acesso justo ao mercado, apoiar a colaboração entre fronteiras e garantir que a música independente continue a prosperar pelos próximos 20 anos e além.”

Fundada em 2006, a rede atua hoje em 43 territórios, conectando associações que representam milhares de empresas independentes ao redor do mundo, em um cenário de forte concentração da indústria fonográfica.

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