Os Ensaios da Anitta chegam a 2026 como um dos principais motores do calendário de Carnaval no Brasil, movimentando público, economia e uma engrenagem de produção que vai muito além do que se vê no palco. A nova temporada já está na estrada e percorre cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Curitiba e Belo Horizonte, reunindo dezenas de milhares de pessoas a cada edição e consolidando o projeto como um dos maiores labels de pré-Carnaval do país.
Criados como uma extensão criativa da carreira de Anitta, os Ensaios deixaram de ser apenas uma série de shows para se tornar uma operação nacional de grande porte, com logística itinerante, equipes numerosas e estruturas que precisam ser montadas e desmontadas em poucos dias. Em 2026, o desafio se renova com um calendário intenso, múltiplas praças e uma expectativa de público ainda maior, exigindo planejamento detalhado e margem mínima para erros.
Por trás dessa engrenagem está o Grupo Onda, empresa responsável pela produção e realização dos Ensaios da Anitta. Com mais de duas décadas de atuação no entretenimento ao vivo, a companhia construiu expertise em eventos de grande escala e alto nível de exigência, atuando também em projetos como a turnê “Sorriso Maroto As Antigas”, além de labels e eventos como “Churrasquinho Menos é Mais”, “CarnaRildy”, “Samba Piatã”, “Tardezinha”, “Numanice” e o “Luan City Festival”.
Com exclusividade ao Mundo da Música, Diogo Duílio, sócio do Grupo Onda ao lado de Jaison Vieira e Cristóvão Neto, detalha como funciona a engrenagem por trás dos Ensaios da Anitta, um dos projetos mais complexos e robustos do pré-Carnaval brasileiro.
Entrevista: Diogo Duílio (Grupo Onda) revela bastidores dos Ensaios da Anitta
Mundo da Música: Os Ensaios da Anitta cresceram muito nos últimos anos em público, cidades e complexidade. O que muda, na prática, no planejamento de uma nova temporada quando o evento atinge esse tamanho?
Diogo Diúlio: Muda, principalmente, o nível de antecedência e de detalhamento do planejamento. Quando um projeto chega a esse tamanho, você não está mais falando só de produção de eventos, mas de uma operação nacional. Tudo precisa ser pensado com muita margem de segurança: rotas logísticas, contratos com parceiros locais, projetos técnicos, cronogramas. Qualquer decisão errada lá no início escala muito rápido, então o planejamento precisa ser muito mais estratégico e integrado.
Mundo da Música: Do ponto de vista de produção, quais são as primeiras decisões que precisam ser tomadas meses antes do primeiro ensaio acontecer, e quais costumam ser as mais críticas para o sucesso da operação?
Diogo Diúlio: As primeiras decisões passam pelo desenho do projeto: conceito, tamanho da estrutura, formato de palco, necessidades técnicas e, principalmente, definição da rota e do calendário. Essas são decisões críticas porque impactam toda a logística depois, desde o deslocamento das 10 carretas até a divisão das equipes entre cidades no mesmo final de semana. Se essa base não estiver muito bem resolvida, todo o resto fica mais arriscado.

Mundo da Música: Em um evento desse porte, quantas pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente na montagem e realização de cada edição, considerando equipes técnicas, fornecedores, segurança e operação?
Diogo Diúlio: Em média, cada edição mobiliza algo em torno de 2.000 pessoas, somando equipe da turnê, times técnicos, produção local, segurança, operação de bares, limpeza, serviços e fornecedores. É uma pequena cidade funcionando ao mesmo tempo durante o evento.
Mundo da Música: A logística dos Ensaios envolve transporte de estruturas, equipamentos, artistas e equipes entre diferentes cidades. Qual costuma ser o maior desafio logístico dessa circulação e como o Grupo Onda trabalha para reduzir riscos?
Diogo Diúlio: O maior desafio é o tempo. A operação precisa ser desmontada em uma cidade e estar pronta em outra poucos dias depois. Estamos falando de 10 carretas transportando centenas de toneladas de equipamento pelo Brasil. Para reduzir riscos, tudo é extremamente planejado: rotas, horários, divisão de equipes, margens de segurança e fornecedores já mapeados em cada cidade.
Mundo da Música: O público costuma ver apenas o espetáculo final, mas pouca gente imagina o volume de testes, ajustes e planos de contingência. Que tipo de imprevisto é mais comum nesse tipo de evento e como a equipe se prepara para lidar com eles?
Diogo Diúlio: Os imprevistos mais comuns costumam estar ligados a clima, ajustes técnicos de última hora ou questões operacionais de acesso e fluxo. Por isso a gente trabalha sempre com redundâncias, equipamentos reserva, equipes experientes e cronogramas que preveem tempo para testes de som, luz, LED e sistemas. Além disso, todas as áreas têm planos de contingência já desenhados antes do evento acontecer.

Mundo da Música: Trabalhar com um projeto liderado pela Anitta, que tem um nível de exigência e visibilidade muito alto, muda a forma como o Grupo Onda organiza processos e cobra performance das equipes?
Diogo Diúlio: Sem dúvida. Todo o time da Rodamoinho, escritório da cantora e principal sócio da label, é extremamente detalhista e tem uma visão muito clara de padrão de entrega. Isso eleva o nível de exigência de toda a operação. É um tipo de projeto que puxa todo mundo para um nível mais alto de performance.
Mundo da Música: Olhando para além dos Ensaios, projetos como a turnê do Sorriso Maroto e outros labels do portfólio mostram uma atuação bem integrada. O que a experiência com grandes eventos ensinou ao Grupo Onda sobre escala, eficiência e sustentabilidade no entretenimento ao vivo?
Diogo Diúlio: A principal lição é que escala só funciona com método. Não dá para crescer sem processos, sem padronização e sem uma visão de longo prazo. Esses projetos ensinaram o Grupo Onda a estruturar operações replicáveis, a ganhar eficiência logística e operacional e a pensar sustentabilidade não só no sentido ambiental, mas também no sentido econômico e humano: equipes saudáveis, parceiros sólidos e projetos que consigam se manter relevantes por muitos anos.
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