Beatoven lança Maestro, modelo de IA musical totalmente licenciado com pagamento de royalties a artistas

Beatoven apresenta o Maestro, modelo de inteligência artificial para música treinado de forma licenciada e com pagamento contínuo de royalties, buscando criar uma alternativa ética no setor.
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Nathália Pandeló
Beatoven AI lança Maestro
Beatoven AI lança Maestro (Crédito: Divulgação)

A startup Beatoven.ai anunciou o lançamento do Maestro, um novo modelo de geração musical por inteligência artificial que promete mudar o debate sobre como a tecnologia pode conviver com a criação artística. A diferença está no modo como o sistema foi construído: todas as músicas usadas no treinamento foram licenciadas e haverá remuneração contínua para os artistas que tiveram obras incluídas no processo.

A iniciativa surge em um momento de disputas legais que envolvem gigantes do mercado e startups como Suno e Udio, acusadas de treinar seus modelos com catálogos sem autorização. Com o Maestro, a Beatoven tenta mostrar que há outro caminho possível, onde inovação tecnológica e direitos autorais podem andar juntos.

Um modelo com base em acordos oficiais

Para treinar o Maestro, a empresa fechou parcerias com Rightsify, Soundtrack Loops, Symphonic Music, Bobby Cole, Vadi Sound e Pro Sound Effects, em colaboração com a plataforma Musical AI. Esse trabalho permitiu reunir mais de 3 milhões de músicas, loops e samples, todos devidamente licenciados.

A Musical AI é responsável por identificar quais elementos musicais foram usados em cada faixa gerada pelo Maestro. A partir daí, garante que os titulares de direitos recebam sua parte. Segundo a Beatoven, 30% da receita de cada música criada na plataforma será destinada a esses artistas e compositores.

“Estamos mostrando ao mundo como é um acordo justo de IA: atribuição, respeito aos direitos e pagamentos contínuos sempre que uma obra contribui para um resultado. O Maestro é um grande passo em direção a esse futuro melhor”, disse Sean Power, CEO da Musical AI.

IA como aliada da criatividade

Para o cofundador e CEO da Beatoven, Mansoor Rahimat Khan, a proposta não é substituir músicos, mas abrir novas possibilidades.

“Nosso objetivo sempre foi criar um modelo que gera os sons mais interessantes do mundo. A maioria das ferramentas tenta imitar os humanos, enquanto a IA deveria impulsionar a criatividade humana ao gerar o que nunca ouvimos antes.”

Khan defende que as chamadas “alucinações” dos modelos de IA podem ser uma vantagem no campo musical. Para ele, quando a tecnologia cria algo inesperado, isso pode inspirar artistas a explorar caminhos criativos que não haviam sido imaginados antes.

Mansoor Rahimat Khan, da Beatoven AI, e Sean Power, da Musical AI
Mansoor Rahimat Khan, da Beatoven AI, e Sean Power, da Musical AI (Crédito: Divulgação)

Alternativa em meio a disputas legais

Enquanto Suno e Udio enfrentam ações de gravadoras como Universal, Warner e Sony, a Beatoven aposta em oferecer segurança jurídica para quem usa seu sistema. A empresa já conta com dois milhões de usuários cadastrados, que geraram mais de 15 milhões de faixas em versões anteriores da plataforma. Agora, a expectativa é atrair produtores de podcasts, criadores de vídeo e desenvolvedores de jogos que buscam trilhas com licenciamento claro.

Grandes empresas também começam a procurar a startup. Segundo Khan, algumas já fecharam parcerias, ainda que sob acordos de confidencialidade. A busca por fornecedores que não levantem questionamentos legais parece ser um dos principais atrativos do Maestro.

Debate sobre responsabilidade no uso da IA

O lançamento também reacende uma discussão que vem crescendo no setor musical: como garantir que a inteligência artificial seja usada de forma responsável. Para Ed Newton-Rex, CEO da organização Fairly Trained, o exemplo da Beatoven prova que o mercado pode adotar padrões éticos.

“Este novo modelo da Beatoven.ai é ótimo de ver. Se você respeita os músicos, licencia a música deles. A Beatoven.ai está fornecendo mais uma evidência convincente de que a IA generativa não precisa ser construída roubando a música dos artistas do mundo.”

Outras iniciativas caminham nesse sentido, como certificações para startups de IA e projetos de lei em diferentes países. O desafio é transformar casos como o Maestro em prática comum, e não em exceção.

Próximos passos da plataforma

Por enquanto, o Maestro gera apenas músicas instrumentais, mas efeitos sonoros serão adicionados em setembro e, em breve, também vocais. A empresa ainda disponibiliza um API para que desenvolvedores possam integrar a ferramenta a diferentes aplicações. Gravadoras e editoras terão acesso a funcionalidades extras, como análise de instrumentos e geração de metadados para organização de catálogos.

Mais do que uma nova ferramenta, o Maestro se torna parte de um debate maior: como equilibrar tecnologia e criação artística em um mercado em transformação. Ao apostar em acordos licenciados e no pagamento contínuo de royalties, a Beatoven abre espaço para pensar em um futuro em que a IA seja vista não como ameaça, mas como parceira do processo criativo.

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