Soundbeats III by Mundo da Música encerra Rio2C 2026 com tecnologia, produção e bastidores dos grandes palcos
No último dia do Rio2C, o Soundbeats III by Mundo da Música discutiu tecnologia, produção, grandes palcos e presença feminina nos bastidores
Por Nathália Pandeló···5 min de leitura·
O Soundbeats III by Mundo da Música encerrou sua programação no Rio2C 2026 neste domingo (31) com uma sequência de painéis dedicada aos bastidores do entretenimento. O último dia reuniu debates sobre tecnologia, empreendedorismo, produção executiva, direção técnica e a presença feminina em áreas que sustentam a cadeia produtiva da música ao vivo.
Público no palco Soundbeats III by Mundo da Música (Crédito: Divulgação)
Em parceria com o Backstage Lab, a programação colocou em pauta uma parte do mercado que nem sempre aparece para o público, mas define a entrega de shows, festivais, experiências para fãs e grandes eventos. Ao longo do dia, profissionais de diferentes áreas discutiram gestão, formação, tomada de decisão, comunicação e os desafios de transformar ideias em operações viáveis.
Tecnologia e empreendedorismo no entretenimento em pauta no Rio2C
Láisa Naiane, Marcelo Frauches e Danielle Lage (Crédito: Igor Ventura)
O primeiro painel do dia no Rio2C, “Tecnologia e Empreendedorismo no Entretenimento: A Chave para Criar e Expandir seu Próprio Negócio”, reuniu Danielle Lage, fundadora e diretora de operações da MusicXP, e Marcelo Frauches, cofundador da Conduíte e da Royalty Split, com mediação de Láisa Naiane, sócia e editora-chefe do Mundo da Música. A conversa partiu de uma pergunta comum para quem quer entrar no setor: como começar um negócio na música mesmo sem grandes recursos?
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19 de outubro de 2026
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Os debatedores defenderam que a entrada no mercado pode acontecer pela criação de projetos menores. Entram aí a prestação de serviços para artistas, gravadoras, produtores e empresas, ou mesmo aproximação com estruturas já existentes.
Dados, inteligência artificial e automação apareceram como ferramentas capazes de facilitar processos, mas não como substitutas da experiência humana. O painel também tratou das experiências para fãs como uma frente de monetização que vai além de shows e publicidade, especialmente quando há leitura real do comportamento do público.
Produção executiva e gestão do caos
Marco Vasconcellos, Camila Rebouças e Juliana Braga (Crédito: Igor Ventura)
Em seguida, o painel “Por que Nada Acontece Sem um Produtor?” abordou no Rio2C a produção executiva como uma função indispensável para que eventos complexos saiam do papel. Camila Rebouças, fundadora e diretora do Backstage Lab, e Juliana Braga, diretora de eventos do Global Citizen, conversaram com Marco Vasconcellos, CEO do Música em 360, sobre liderança, delegação e responsabilidade nos bastidores.
Um dos pontos mais importantes foi a necessidade de olhar para a produção em 360 graus. Isso envolve artista, público, equipe técnica, fornecedores, prazos, orçamento, segurança e parte legal.
Juliana destacou que um gestor não precisa dominar todos os detalhes de cada área, mas precisa entender o suficiente para se cercar de profissionais preparados e colaborar com eles. Camila também falou sobre a importância de montar um time de gestão de crise. No debate, o WhatsApp apareceu como ferramenta útil para mensagens rápidas, mas insuficiente como um sistema de gestão.
Grandes palcos e decisões sob pressão
Camila Rebouças, Flavio Goulart, Láisa Naiane e Cesar Favaro (Crédito: Divulgação)
O terceiro painel, “No Comando dos Maiores Palcos do País”, trouxe Cesar Favaro, diretor da Czar Produções, e Flavio Goulart, empresário da G13 Produções Artísticas, em conversa mediada por Láisa Naiane. A escala das produções foi traduzida por Cesar, citando o fato de que grandes eventos podem envolver 80 ou 90 containers montados em apenas dois ou três dias, o que exige planejamento detalhado e funções bem definidas.
Flavio falou sobre a evolução do mercado nacional e destacou a adaptabilidade dos profissionais brasileiros em situações de pressão. Para ele, o caminho é unir essa capacidade de resolver problemas ao nível de planejamento de mercados mais habituados a lidar com riscos climáticos e estruturas de contingência.
Os dois também discutiram a importância de tomar decisões sem hesitação e de prever cenários como chuva, falha de energia e pressão de público. Cesar relembrou ainda o show do Rage Against the Machine no SWU, quando a equipe precisou agir durante a apresentação para conter a pressão de 120 mil pessoas sobre a área vip.
Mulheres na técnica e na produção
Nathalia Carvalho, Mari Pitta e Ailime Cortat (Crédito: Igor Ventura)
O último painel do dia, “A Presença Feminina na Técnica e na Produção”, reuniu Ailime Cortat, empresária e manager, Mari Pitta, iluminadora e cenógrafa da LABe, e Nathália Carvalho, VJ e artista visual. A conversa tratou de autoridade, credencial, redes de apoio, maternidade, rotina e diversidade em áreas historicamente ocupadas por homens.
Mari falou sobre a falta de referências femininas na iluminação no início de sua trajetória e destacou que a técnica precisa servir à entrega coletiva do show. Para ela, todos os departamentos dizem respeito a todos, porque a experiência final depende da soma entre áreas. Ailime afirmou que esse cuidado com o todo diferencia grandes profissionais e lembrou que não pular processos também faz parte da construção de carreira.
O painel também discutiu a necessidade de desromantizar o mercado de entretenimento. A rotina de eventos envolve pressão, ausência de horários fixos, perda de compromissos pessoais e decisões difíceis. Ao mesmo tempo, a conversa apontou para a formação de novas redes de apoio, especialmente entre mulheres, e para a importância de preparar profissionais não só tecnicamente, mas também emocionalmente para ocupar os bastidores.
Com quatro painéis ao longo do dia, o encerramento do Soundbeats III by Mundo da Música no Rio2C 2026 mostrou que os bastidores da música ao vivo estão cada vez mais ligados à tecnologia, ao planejamento, à formação profissional e à diversidade. Da criação de novos negócios à operação de grandes palcos, a programação apontou para um mercado que exige preparo técnico, leitura de dados, capacidade de decisão e equipes mais plurais para sustentar produções cada vez mais complexas.
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