Palco Soundbeats III by Mundo da Música abre Rio2C com Mundo Bita, UBC, Léo Foguete e mais
O Soundbeats III by Mundo da Música reuniu cinco painéis no Rio2C, conectando infantil, carreira, audiovisual e música nos games.
Por Nathália Pandeló···5 min de leitura·
O palco Soundbeats III by Mundo da Música começou sua programação no Rio2C 2026 com um recorte amplo do que movimenta a indústria hoje: catálogo infantil, gestão de carreira, audiovisual, novos artistas e música aplicada ao storytelling. Ao longo do primeiro dia, a sala recebeu cinco painéis, das 10h30 às 18h, com nomes de diferentes pontas do mercado.
A abertura do Soundbeats III deixou claro que a música, dentro e fora das plataformas, já não pode ser pensada apenas como lançamento. O debate passou por marcas de longo prazo, propriedade intelectual, construção de comunidade, licenciamento, audiovisual, games e formação de equipe. O dia mostrou como a música virou ferramenta de negócio para empresas, artistas, produtores, editoras e criadores de conteúdo.
Também foi um dia de contrastes. A programação saiu do universo infantil de Mundo Bita para a trajetória institucional de Marcelo Castello Branco, passou pela força do audiovisual musical, chegou à ascensão de Léo Foguete e terminou com uma conversa sobre música em narrativas, games, séries e projetos de marca.
Do infantil à memória do mercado
Painel Mundo Bita no palco Soundbeats III (Crédito: Igor Ventura)
O primeiro painel do dia, “Mundo Bita: Música Infantil Como Case de Gestão, Criatividade e Conexão Com o Público”, colocou o segmento infantil no centro da discussão de negócios. Com Felipe Almeida, produtor executivo da Mr. Plot e do Mundo Bita, Chaps, criador do projeto, e mediação de Luciana Fialho, CEO da Comunicação Real, a conversa partiu de um dado forte: a marca nasceu há 15 anos, tem mais de 130 clipes e ultrapassa 21 bilhões de visualizações no YouTube.
Mais do que um case de sucesso para crianças, o painel apontou o infantil como um modelo de recorrência. É um público renovado todos os anos, com consumo familiar, conexão educacional e força transmídia. Para o mercado musical, isso ajuda a explicar por que projetos desse tipo constroem valor com catálogo, consistência e identidade visual, em vez de depender apenas do ciclo curto dos hits.
Marcelo Castello Branco e Láisa Naiane (Crédito: Igor Ventura)
Na sequência, “O Som do Tempo: Lições de Uma Vida Pela Música” trouxe Marcelo Castello Branco, CEO da União Brasileira de Compositores, em conversa com Láisa Naiane, sócia e editora-chefe do Mundo da Música. O painel propôs uma leitura mais humana da indústria, a partir de uma trajetória ligada aos bastidores, aos autores e às transformações do setor.
A presença da UBC também ajudou a conectar o dia a uma discussão maior: como a música se organiza como trabalho. Em um mercado cada vez mais guiado por dados, tecnologia e escala, a experiência de quem atravessou diferentes fases da indústria funciona como um contraponto importante. O debate mostrou que inovação não substitui memória, gestão de direitos e visão de longo prazo.
Audiovisual, escala e novos artistas
Painel sobre Produção Audiovisual (Crédito: Igor Ventura)
À tarde, o Soundbeats III by Mundo da Música entrou no campo do audiovisual com o painel “Produção Audiovisual: Como Pensar a Música de Forma Estratégica Para Criação de Negócios Rentáveis?”. A conversa reuniu Chico Kertész, diretor da Macaco Gordo, Daniel Mendes, CEO da Casa Amarela, e mediação de Rafa Ventura, especialista em jornalismo cultural.
O painel partiu de uma pergunta importante: como a música pode sustentar projetos audiovisuais com relevância cultural, recorrência e monetização? Entre os exemplos citados estavam o case “Dominguinho”, a cobertura do Carnaval de Salvador e a série “Macaco Sessions”, com artistas como Ivete Sangalo, Saulo, Xanddy Harmonia, Léo Santana e Claudia Leitte. A discussão mostrou que o audiovisual deixou de ser vitrine e passou a operar como produto, arquivo, estratégia de marca e motor de receita.
Depois, Léo Foguete foi o tema do painel “Ascensão e Solidez: A Trajetória de Léo Foguete, Desafios e Oportunidades Para Novos Artistas”. Com apenas um ano de carreira, o artista chegou a números fortes nas plataformas digitais e a uma indicação ao Latin Grammy, dado que serviu como ponto de partida para uma conversa sobre crescimento rápido e estrutura.
Ao lado de Neto Sales, diretor da Acertei Produções, e Letícia Cordeiro, diretora de estratégia de comunicação da Vybbe, Léo discutiu os bastidores de uma carreira em formação. O painel abordou posicionamento, estratégia digital, equipe, finanças e tomada de decisão. A principal leitura é a de que viralizar pode abrir portas, mas transformar atenção em carreira exige gestão, repertório, planejamento e escolhas bem calculadas.
Música como narrativa em games e telas
Megan Goldstein no painel da BMG no Rio2C (Crédito: Igor Ventura)
O encerramento do primeiro dia levou a música para o campo do storytelling. O painel “Os Códigos Secretos da Música no Storytelling” reuniu Megan Goldstein, vice-presidente de sync licensing da BMG, Raphaella Lima, diretora global de música e marketing da Electronic Arts, Day Limns, cantora e compositora, e mediação de Mario Di Poi, sócio e produtor executivo da Input Post.
A conversa tratou de como uma música é escolhida, negociada e integrada a projetos audiovisuais, games e conteúdos de marca. Esse processo envolve mais do que gosto pessoal. Há decisões sobre narrativa, licenciamento, direitos, público, linguagem e objetivos comerciais. Para artistas e equipes, entender esse caminho pode abrir novas frentes de receita fora do lançamento tradicional.
Ao fechar o dia com esse tema, o Soundbeats III by Mundo da Música amarrou uma ideia que atravessou toda a programação: a música está em mais lugares do que nunca, mas isso também exige mais preparo. Do infantil ao game, do audiovisual ao palco, o mercado cobra repertório artístico, leitura de negócio e capacidade de transformar criação em projeto sustentável.
Na noite de sábado (17), Jorge Ben Jor não conteve a emoção ao realizar um de seus únicos shows de 2026. Cantor apresentou o espetáculo “Alquimia Popular Brasileira” para 51 mil pessoas, em São Paulo
Universal Music Group e Sony Music defendem que dados da DistroKid sobre músicas geradas por IA ajudariam a demonstrar os efeitos dessas faixas no mercado; gravadoras buscam provas em processo contra Suno
Musixmatch acaba de adquirir a Music Reports, e a proposta da junção é a de ofertar “a identificação musical e a correspondência de direitos mais precisas do setor” e concentrar tudo isso em uma só plataforma
Vítima de câncer de próstata, Benito di Paula faleceu na noite deste domingo (18), em São Paulo, aos 84 anos. Artista deixa sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Do Jeito Que A Vida Quer”