Relatório “Music in the Air”, do Goldman Sachs, projeta crescimento na receita de música gravada até 2035 e destaca mercado de streaming da América Latina
Trazendo temas centrais como impacto da IA na indústria e potencial de crescimento do streaming, 10º relatório “Music in the Air” do banco Goldman Sachs destaca América Latina como a região que mais cresceu em música gravada em 2025, com aumento de 17,1%
Por Matheus de Carvalho···4 min de leitura·
Publicado no último dia 15, o relatório “Music in the Air” chega à sua 10ª edição com um marcador que não se via há anos no documento elaborado pelo banco de investimento multinacional norte-americano Goldman Sachs. Pela primeira vez desde 2022, a instituição financeira revisou para cima sua previsão em relação à música gravada, projetando um crescimento de 6,7% em 2026 e de 5,8% ao ano até 2035. O relatório projeta que o mercado global de música deve saltar de US$112,5 bilhões, em 2025, para US$198,1 bilhões, em 2035. Isso levando em consideração música gravada, direitos de publishing e shows ao vivo.
(CRÉDITO: relatório “Music in the Air”, do Goldman Sachs)
Se há dez anos, em sua primeira edição, o relatório concentrava suas análises na adesão ou não aos serviços de streaming, agora o documento traz como um de seus temas centrais o potencial de crescimento dessas plataformas, além do impacto do uso de IA generativa à cadeia produtiva da música e ao mercado como um todo.
América Latina é o mercado que mais cresceu em música gravada em 2025, aponta relatório “Music in the Air”
O documento aponta que o Brasil e o México alavancaram o mercado de música gravada da América Latina ao estabelecer recorde de novos assinantes nas plataformas de streaming. A região foi a que mais cresceu em música gravada em 2025, registrando aumento de 17,1%.
(CRÉDITO: relatório “Music in the Air”, do Goldman Sachs)
Em diversos trechos do relatório, o banco compara as versões paga e gratuita dos streamings, e mais uma vez destaca a América Latina, que representou 24% dos assinantes do Spotify Premium no segundo trimestre de 2026, um crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2022.
A região figura entre as que possuem maior número de usuários por conta paga (plano família), o que reduz a receita por pessoa, destacando o alto índice de compartilhamento de conta na região. O documento projeta, ainda, que a América Latina tem tendência a ser uma das primeiras regiões emergentes a ter alta nos preços das assinaturas.
IA: potencial de crescimento a curto prazo e riscos a longo prazo
“Music in the Air” reconhece que o avanço cada vez mais acelerado da IA generativa quebrou muitas barreiras de entrada no processo de criação de música. O relatório dá uma previsão de crescimento de receita a curto prazo, enquanto projeta possibilidade de riscos de alto impacto a longo prazo associados à Inteligência Artificial.
A instituição destaca que “o licenciamento relacionado à IA, as ferramentas de criação e as novas oportunidades de monetização têm o potencial de impulsionar um aumento de cerca de 10% nas receitas da música gravada até 2035”. Ainda que indiretamente, o relatório referencia a batalha que grandes gravadoras têm travado na Justiça no que diz respeito ao impacto de músicas geradas por IA no pagamento de royalties. Recentemente, inclusive, a distribuidora DistroKid assumiu papel de destaque no processo que a UMG e a Sony Music moveram contra o Suno, um gerador de músicas por IA.
“O modelo tradicional de pagamento de royalties pode ser pressionado, já que milhões de faixas geradas por IA que entram no ecossistema de streaming de música desviam uma parte do montante de royalties da propriedade intelectual criada por humanos”, pontua trecho do “Music in the Air”.
(CRÉDITO: relatório “Music in the Air”, do Goldman Sachs)
Após crescimento discreto em 2025, mercado de música ao vivo deve crescer 6% em 2026, prevê relatório
Impulsionado por apresentações que acontecem em arenas e estádios, o mercado de música ao vivo deve bater 6% de crescimento em 2026, projeta o relatório do Goldman Sachs. Em 2025, o crescimento foi de apenas 0,5%. A projeção do relatório gira em torno de 6% ao ano até 2030 e de 5% até 2035.
A Geração Z viria a ser um público de peso para esse crescimento, já que uma pesquisa da Cash App citada no documento indica que shows assumiram o topo da lista de prioridades de gastos dessa geração no ano passado. Um outro dado revela que 75%, dentre a Geração Z, pagariam preço de revenda para ir a esses eventos.
Mercado de música ao vivo deve crescer 6% em 2026, projeta relatório. (CRÉDITO: Unsplash)
Uma pesquisa feita pela Live Nation em outubro de 2025, também apontada no relatório, indica que 91% do público entrevistado colocam shows ao vivo entre as três prioridades de gasto com experiências.
E, associado à Live Nation, o relatório destaca, ainda, uma lista de novas casas ligadas à produtora. Isso inclui uma nova arena em São Paulo com capacidade para 21 mil pessoas que estaria prevista para 2028, em parceria com o Cidade Center Norte. O projeto é mencionado no trecho do relatório que destaca o mercado de shows ao vivo na América Latina.
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