Escola de música EMESP Tom Jobim ocupará antigo prédio da Fundação CASA em projeto com parceria de R$ 5,25 milhões
Nova sede da EMESP Tom Jobim ocupará complexo de 11,8 mil m² no Brás e projeto cultural chegará a 71 unidades da Fundação CASA.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
A nova sede da EMESP Tom Jobim será instalada no antigo complexo da Fundação CASA, no Brás, em São Paulo. O anúncio marca uma mudança importante para uma das principais instituições públicas de formação musical do país.
O espaço fica na Rua Piratininga, nos números 85 e 105, e também vai abrigar a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Por muitos anos, o local integrou a estrutura da antiga Febem, atual Fundação CASA, e do Fórum da Vara da Infância e Juventude. Agora, o complexo foi transferido para a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas para se tornar um centro de formação artística.
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A mudança também se conecta ao plano de intervenção e revitalização do centro da capital paulista. Para a EMESP, o novo endereço tem peso simbólico e estrutural: a escola completa 40 anos em 2029 e passará a contar com uma área quase três vezes maior que a atual.
Complexo no Brás terá 11,8 mil m² de área construída
A transferência oficial do imóvel foi respaldada pelo Decreto nº 70.650, de 28 de maio de 2026. Somadas, as áreas têm 11.836,70 m² de construção e 6.004,62 m² de terreno. Hoje, a EMESP ocupa cerca de 4 mil m² e atende aproximadamente 2 mil alunos.
A diferença de escala ajuda a explicar o peso do anúncio. Uma escola pública de música depende de salas adequadas para aulas individuais, práticas coletivas, ensaios, circulação de instrumentos, atividades de criação e apresentações. Em outras palavras, o espaço físico interfere diretamente na formação dos estudantes e na capacidade de receber novos talentos.
“É com muita emoção que assumimos o complexo da Rua Piratininga, no Brás, para transformá-lo na nova sede definitiva da EMESP Tom Jobim e na casa oficial da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Estamos desenhando um projeto arquitetônico e cultural de altíssimo nível para o centro de São Paulo, preparando a EMESP para celebrar os seus 40 anos em 2029 com a estrutura que nossos milhares de alunos e novos talentos merecem”, destacou a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton.
Para dar início às obras de adaptação predial e ao projeto executivo, será assinado um aditamento contratual junto à Santa Marcelina Cultura, organização social responsável pela gestão da escola.
Nova estrutura muda a capacidade de formação musical
Anúncio da nova sede da EMESP Tom Jobim (Crédito: Divulgação/SJC)
A EMESP já atua como uma porta de entrada para estudantes que buscam formação gratuita em música, com cursos regulares, grupos artísticos e programas voltados ao desenvolvimento de carreira. A própria escola informa que seus cursos são gratuitos, o que coloca a instituição em um ponto estratégico da política pública de cultura em São Paulo.
Nesse contexto, uma sede definitiva reduz um problema comum em equipamentos culturais de formação: a dependência de estruturas provisórias ou limitadas. Para uma escola de música, estabilidade de endereço também ajuda a organizar calendário, memória institucional, rotina pedagógica e relação com a cidade.
“Essa mudança não é apenas uma transferência física, é um salto de qualidade. Estamos oferecendo um espaço muito mais amplo, garantindo que a EMESP continue sendo uma referência nacional na formação musical, com uma estrutura à altura do talento de mais de dois mil alunos”, ressaltou o secretário da Justiça e Cidadania, Arthur Lima.
O novo espaço também dá um endereço permanente à Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. A medida fortalece a relação entre ensino, prática profissional e apresentação pública, três etapas que costumam definir a trajetória de jovens músicos em formação.
Fundação CASA terá programação cultural em 71 unidades
Além da nova sede da EMESP, o Estado anunciou uma parceria inédita de R$ 5,25 milhões para levar o Programa Fábricas de Cultura a 71 centros socioeducativos da Fundação CASA em todo o Estado. O aporte será dividido entre a Fundação CASA, com R$ 2,62 milhões, e a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, também com R$ 2,62 milhões.
A execução pedagógica descentralizada ficará sob coordenação da POIESIS e ocorrerá no contraturno escolar. A previsão é de 155 turmas simultâneas por trimestre, com até 15 adolescentes cada. Isso representa até 2.325 vagas trimestrais e, até 31 de dezembro de 2026, a projeção chega a 9.300 vagas.
A iniciativa também dialoga com os 30 anos de atuação contínua do Projeto Guri nas unidades da Fundação CASA.
“Quando a cultura entra em um centro socioeducativo, ela abre portas que vão muito além da arte. Ela desperta talentos, fortalece a autoestima, amplia horizontes e mostra aos adolescentes que sempre é possível escrever uma nova história. Esta parceria representa um passo histórico para a Fundação CASA e reafirma nosso compromisso de transformar oportunidades em projetos de vida”, afirmou o presidente da Fundação CASA, Oswaldo Caetano Junior.
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