Exclusivo: Intercâmbio do Movimento Cidade na Colômbia conecta cenas musicais e fortalece pontes na América Latina
O intercâmbio em Medellín reuniu agentes culturais, artistas e produtores em uma imersão voltada à música.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
O intercâmbio do Movimento Cidade na Colômbia colocou a música no centro de uma agenda de trocas que passou por espaços culturais, festivais, artistas e iniciativas locais em Medellín, entre 16 e 25 de março de 2026. Depois da primeira edição, realizada na Cidade do México em 2025, o projeto avançou agora sobre a cena colombiana com uma proposta de circulação cultural que mistura formação, escuta e conexão entre territórios latino-americanos.
A experiência teve como foco entender de perto como a música se articula com a vida urbana, com as políticas públicas e com os espaços independentes da cidade. Ao longo do percurso, o grupo entrou em contato com manifestações como o bullerengue, a salsa e sonoridades do Pacífico colombiano, além de conversar com nomes da cena local e lideranças que atuam na gestão cultural do território.
Medellín mostra como música, cidade e política pública caminham juntas
Encontro de participantes do intercâmbio (Crédito: Divulgação)
Representado por Léo Alves, Luísa Costa, Julia Aguiar e Gabriela Duque, o Movimento Cidade mergulhou em uma programação pensada para observar como Medellín construiu um ecossistema cultural conectado às comunidades e ao espaço urbano. A cidade, que ganhou projeção internacional por seu processo de transformação urbana nas últimas décadas, apareceu nessa vivência como um exemplo de articulação entre cultura, mobilidade e políticas públicas.
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Essa combinação ajuda a explicar por que a música ocupa um lugar tão presente no cotidiano local. A programação do intercâmbio passou por centros culturais, bares tradicionais e encontros com agentes que atuam diretamente na organização de festivais e ações comunitárias. Para além de conhecer artistas ou estilos musicais, a proposta foi entender como essas cenas se sustentam, como circulam e de que forma dialogam com o território.
A mediação de Cafeína, também conhecida como Lina, foi uma das chaves para esse acesso. A agente cultural desenvolve ações em seu território por meio da música, da arte e da cultura, além de iniciativas ligadas à capoeira e a outras expressões populares. A partir dessa ponte, o grupo conseguiu entrar em contato com diferentes camadas da cena musical de Medellín e aprofundar conversas sobre gestão, circulação artística e permanência de projetos no longo prazo.
Trocas com a cena colombiana apontam caminhos para a circulação cultural
Participantes do intercâmbio encontram Felipe Grajales (Crédito: Divulgação)
Um dos encontros de maior peso nessa agenda foi com Felipe Grajales, ex-diretor do Festival Altavoz e atual diretor do Festival Sabanetoke. A conversa ajudou a mostrar como o mercado musical colombiano se organiza e como o investimento público ainda é indispensável para a realização de festivais e eventos culturais em Medellín. Ao mesmo tempo, o cenário também expõe um desafio conhecido em vários países da região: a dificuldade de artistas independentes manterem suas trajetórias com estabilidade financeira.
Luísa Costa, diretora geral e sócia do Movimento Cidade, resumiu o sentido da viagem ao destacar a dimensão coletiva da experiência.
“O Movimento Cidade se propõe a atravessar novas geografias e, desta vez, encontra na Colômbia um território vivo de trocas. Entre encontros com artistas, agentes culturais e espaços independentes, a experiência tem sido um mergulho nas múltiplas formas de construir cultura a partir do coletivo, da rua e das identidades locais. Essa passagem amplia repertórios e fortalece conexões entre cenas que dialogam diretamente com o que o Movimento Cidade vem construindo ao longo dos anos no Brasil.”
Felipe Grajales também destacou que a troca foi além da música e passou por modelos de gestão e relação com o público.
“Conhecer a equipe do Festival Movimento Cidade me permitiu entender não apenas um processo musical, mas também um processo de gestão, de relação com o território e com a região, além da forma de se relacionar com o público com impacto na comunidade.”
Outro ponto de destaque foi o bate-papo promovido pelo MC Mulheres, iniciativa criada pelo Movimento Cidade para impulsionar a atuação de mulheres negras na cultura e na economia criativa. Realizado no Centro Cultural Bodega/Comfama, o encontro reuniu Gabriela Duque, Luísa Costa e Julia Aguiar em uma conversa com iniciativas locais sobre mobilidade urbana, cultura, geração de renda e impacto social de projetos culturais. Com público majoritariamente feminino, a atividade abriu espaço para compartilhar dificuldades, visões e expectativas sobre o trabalho no setor.
A segunda edição do intercâmbio ainda contou com parceria das organizações colombianas Comfama e El Perpetuo Socorro, além do apoio do Edital de Circulação Cultural da Secretaria da Cultura do Espírito Santo, a Secult-ES. O projeto, que tem planos de ser realizado anualmente e até expandir para a Europa, ajuda a colocar o Brasil em diálogo mais próximo com outras cenas e mostra como a música pode funcionar como ponto de partida para redes de colaboração entre festivais, coletivos e agentes culturais.
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