Estudo mostra como a busca por similaridade musical avança sobre direitos autorais, samples e IA generativa
Após analisar impacto no streaming, estudo da The Business Research Company detalha como a tecnologia passa a estruturar rastreamento, licenciamento e criação musical.
Por Nathália Pandeló···5 min de leitura·
Conforme o Mundo da Músicanoticiou ontem, a busca por músicas parecidas se tornou peça central da estratégia de recomendação e retenção no streaming. É isso o que aponta o Music Similarity Search Artificial Intelligence (AI) Global Market Report 2025, relatório da The Business Research Company.
Agora, o mesmo estudo aponta um segundo movimento decisivo: a expansão dessa tecnologia para áreas como direitos autorais, identificação de samples, detecção de remixes e análise de conteúdos criados por inteligência artificial generativa. A pesquisa indica que a tecnologia de similaridade deixou de atender apenas à experiência do usuário final e passou a estruturar processos internos de plataformas, gravadoras e empresas de licenciamento.
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Esse deslocamento ajuda a explicar por que o mercado deve crescer de US$ 1,15 bilhão em 2025 para US$ 3,04 bilhões em 2029, mantendo taxa anual acima de 27%. A seguir, os principais pontos do estudo que mostram como a IA de similaridade entra no centro das discussões sobre criação, monetização e controle de uso da música.
Audio fingerprinting ganha papel central na gestão de direitos
Entre as aplicações listadas no estudo, o audio fingerprinting aparece como uma das que mais crescem fora do ambiente de recomendação. A tecnologia cria uma “impressão digital” de cada faixa a partir de características sonoras únicas, permitindo reconhecer uma música mesmo quando ela aparece modificada, remixada ou em outro contexto.
Esse tipo de identificação é usado para rastrear execuções em plataformas digitais, transmissões ao vivo e conteúdos gerados por usuários. O estudo aponta que a expansão dos catálogos e a pulverização da distribuição tornaram inviável qualquer monitoramento manual, o que impulsiona a adoção de soluções automatizadas baseadas em similaridade.
Esse movimento afeta diretamente gravadoras, editoras e empresas de licenciamento, que passam a depender desses sistemas para garantir o pagamento correto de direitos.
Detecção de remixes, covers e gravações ao vivo entra no radar
Crédito: Wendy Wei
O levantamento também destaca o crescimento do uso da tecnologia para identificar versões não oficiais, remixes e gravações ao vivo que circulam nas plataformas. Diferentemente de cópias diretas, esses conteúdos exigem sistemas capazes de reconhecer similaridades estruturais, e não apenas correspondências exatas.
Um dos exemplos citados no relatório é a aquisição da empresa irlandesa Song Sleuth pela Epidemic Sound, em abril de 2025. A partir desse movimento, a companhia lançou o serviço Aentidote, voltado à detecção precisa de remixes, covers e gravações ao vivo em ambientes digitais.
Segundo o estudo, esse tipo de solução atende a uma demanda crescente por rastreamento mais refinado, em um cenário de aumento de conteúdos híbridos e reutilizações criativas.
IA generativa coloca a similaridade no centro do debate sobre derivação
Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da busca por similaridade na análise de músicas criadas por ferramentas de IA generativa. Embora o relatório não entre em julgamentos legais, ele indica que a tecnologia já é usada para medir o grau de proximidade entre obras existentes e faixas geradas por sistemas automatizados.
Na prática, isso significa que a mesma base técnica utilizada para recomendação e playlists também serve para avaliar se um conteúdo apresenta similaridades excessivas com obras conhecidas. O estudo aponta esse uso como um dos vetores de crescimento do mercado, especialmente em meio ao debate global sobre treinamento de modelos, autoria e uso de bases musicais protegidas.
Essa é uma realidade que reforça a busca por soluções capazes de identificar padrões sonoros sutis, indo além da simples cópia literal.
Serviços e licenciamento ganham peso dentro do mercado
Enquanto o software concentra a maior fatia do mercado, o estudo mostra crescimento consistente no segmento de serviços, especialmente nas áreas de integração, consultoria e licenciamento. Muitas empresas não desenvolvem essas soluções internamente e recorrem a fornecedores especializados para adaptar a tecnologia aos seus fluxos.
O relatório inclui serviços de análise de dados musicais, sistemas personalizados de rastreamento e soluções voltadas especificamente para direitos autorais e IA. Esse movimento aumenta o escopo do mercado, que passa a incluir não apenas ferramentas, mas também operações de monitoramento e gestão.
Esse fator ajuda a explicar por que o número de empresas citadas no estudo chega a 20, incluindo desde plataformas de streaming até companhias focadas exclusivamente em reconhecimento e identificação de áudio.
Expansão global acompanha tensões regulatórias e comerciais
Estudo prevê crescimento de mercado de análise de IA na música (Crédito: Divulgação)
Por fim, o estudo aponta que a expansão da tecnologia ocorre em um ambiente de mudanças regulatórias e pressões econômicas. O relatório cita o impacto de tarifas e tensões comerciais sobre custos de produção e tecnologia no setor de mídia, o que incentiva a adoção de soluções automatizadas para ganhar eficiência.
A busca por similaridade musical passa a ser vista como inovação e ferramenta de controle, redução de custos e diminuição de riscos legais. A liderança da América do Norte e o crescimento acelerado da Ásia-Pacífico indicam que essas soluções devem se espalhar por mercados com realidades regulatórias distintas.
Ao avançar sobre criação, direitos e licenciamento, a IA de similaridade consolida um novo papel na cadeia da música digital. Não se trata meramente de descobrir músicas parecidas, mas de organizar, rastrear e monetizar conteúdos em um mercado cada vez mais complexo.
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