Embratur e festival Favela Sounds apresentam exposição imersiva sobre a expansão global do funk brasileiro durante a WOMEX 2026
O “Baile Funk Invasion”, apresentado pela Embratur e criado pelo Favela Sounds, consiste numa exposição imersiva que atravessa mais de três décadas de desenvolvimento do Funk nas periferias brasileiras, apontando para os caminhos globais do gênero
Por Láisa Naiane···7 min de leitura·
O Funk Brasileiro ganha uma plataforma dedicada a sua história, diversidade e expansão internacional durante a WOMEX – The World Music Expo 2026, uma das principais conferências e feiras de música do mundo. Entre 21 e 25 de outubro, o projeto “Baile Funk Invasion” estará presente na 32a edição do evento, que este ano acontece em Las Palmas de Gran Canária na Espanha.
Apresentado pela Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) e criado pelo festivalFavela Sounds, o Baile Funk Invasion consiste numa exposição imersiva que atravessa mais de três décadas de desenvolvimento do Funk nas periferias brasileiras, apontando para os caminhos globais de um gênero que, hoje, influencia pistas, artistas e produtores em diferentes continentes.
Publicidade
A instalação acompanha a trajetória do movimento desde os bailes e as equipes de som que ajudaram a formar a cena carioca, passando por sua expansão para novos territórios em todo o Brasil, pela criação de subgêneros e pelos caminhos que levaram o estilo a se consolidar como uma das principais expressões da música eletrônica do Sul Global. A iniciativa conta com o apoio inédito da Embratur, que apresenta o Funk como um dos principais traços da identidade brasileira contemporânea, reconhecendo-o como um importante atrativo para turistas estrangeiros, especialmente os mais jovens.
Embratur e Favela Sounds levam a exposição imersiva Baile Funk Invasion para o WOMEX 2026. Foto: Divulgação
Sendo a cultura um dos principais ativos de exportação e de atratividade turística no país, é natural que a música que hoje domina a difusão de nossas identidades pelo mundo seja, também, protagonista na captação turística.
“Por muitos anos, o Samba foi o grande atrativo cultural brasileiro e cumpriu trajetória similar à do Funk. Com mais de um século de história, o estilo foi alvo de perseguições e preconceito e tornou-se, décadas mais tarde, uma das principais referências de Brasil mundo afora. Assim vem acontecendo com o Funk Brasileiro, que hoje é trilha sonora de grandes campanhas, projetos audiovisuais e um fator de despertar de interesse e curiosidade global por nosso país”, aponta Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur.
Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur. Foto: Divulgação
A exposição imersiva “Baile Funk Invasion” no WOMEX 2026
Entre telas, arquivos históricos, depoimentos, vídeos e manipulações gráficas, Baile Funk Invasion traz a história e a diversidade do Funk conectadas e contextualizadas às mudanças sociais, tecnológicas e culturais do país, enquanto olha para fora do Brasil e investiga como o estilo passou a circular e ganhar notoriedade internacionalmente, dialogando com cenas da Europa, África, América Latina e outros territórios.
Em três etapas, são abordados:
O nascimento e primeiros anos do funk no Rio de Janeiro;
A difusão do funk através das regiões brasileiras enquanto identidade cultural nacional;
O alcance global do estilo junto às perspectivas de futuro para o gênero.
A exposição imersiva ocupa um espaço de 24m² em meio ao mercado da Womex 2026, estando disponível para mais de 3 mil players do mercado global da música, que poderão se aproximar das narrativas do funk, aprimorar seus conhecimentos e pensar em possibilidades de articulação com artistas do estilo em seus trabalhos ou eventos. O projeto tem direção criativa e curadoria de Guilherme Tavares e Amanda Bittar, visuais do artista plástico Dnego Justino, edições de Ada Souza e motion design de Thiago “Penahx” Macedo.
Para Amanda Bittar, diretora-geral do Favela Sounds e cocuradora da exposição, o crescimento do consumo do Funk fora do país evidencia a cultura brasileira e se torna um importante ativo para a projeção da imagem do Brasil. Ao mesmo tempo, esse movimento acende um alerta sobre como a história do gênero está sendo difundida a nível internacional e quem realmente tem o protagonismo dessa narrativa.
“Com Baile Funk Invasion queremos apresentar a história do Funk e suas diversas vertentes ao público europeu, que já consome o gênero, mas muitas vezes sem conhecer sua origem e, principalmente, sem reconhecer seus verdadeiros criadores, além de seu impacto social e econômico nas favelas brasileiras. Ao mesmo tempo, aproximamos os talentos do gênero aos players interessados na música do Sul Global.”
Guilherme Tavares, Diretor Artístico do Favela Sounds e Amanda Bittar, Diretora-Geral do Favela Sounds. Foto: Divulgação
A proposta traz duas experiências imersivas. A primeira chama-se “Let’s dance passinho” e tem à frente Arielle Macedo, bailarina e, há mais de uma década, coreógrafa da cantora Anitta. Nela, Arielle ensina o público a dançar uma coreografia original de funk, criada para faixa também original do DJ e produtor musical paulista Rafinha MPC. Através de uma tela vertical, o visitante assiste e reproduz a coreografia, enquanto é filmado. Ao final, um vídeo da experiência é exportado e ofertado através de QR code, podendo ser publicado em redes sociais.
A segunda, desenvolvida por Rafinha MPC, oferece uma oportunidade de o visitante manipular uma MPC, um dos principais instrumentos de reprodução e improviso dentro do universo dos DJs de Funk. Também em tela vertical, o visitante é convidado a “atacar” de DJ e improvisar beats e interferências sonoras em um equipamento disponibilizado para esta experiência.
A exposição também apresenta um mapa do Brasil que explora a diversidade e representatividade do estilo pelo país nos dias de hoje. Nele, o público poderá conhecer diferentes subgêneros do Funk e experimentar a vastidão de referências e características, musicais e estéticas, absorvidas por cada vertente.
Favela Sounds celebra 10 anos em 2026. Foto: Divulgação
Segundo Guilherme Tavares, diretor artístico do Favela Sounds e cocurador da exposição, ocupar um dos principais encontros do mercado musical internacional com uma experiência dedicada ao funk também é uma forma de disputar novas narrativas sobre a música brasileira, enquanto o estilo se desenvolve em outros territórios.
“O funk já atravessou as fronteiras do Brasil e está entre as principais referências de DJs e produtores da música eletrônica da Europa e do Reino Unido, embora ainda seja baixa a presença e o protagonismo brasileiro do próprio estilo quando exportado. Vemos muitos produtores ingleses, russos, franceses e de outras nacionalidades criando funk, e até o recente phonk, que domina redes sociais com músicas algumas vezes produzidas por inteligência artificial. A real internacionalização dogênero ainda carece de maior presença – de fato brasileira – em sua produção e difusão”, aponta Tavares.
Hoje são poucos os DJs e produtores brasileiros no Funk com notoriedade global e menor ainda é a compreensão da dimensão política, histórica e contextual do gênero entre os frequentadores das pistas onde toca o que o mundo carinhosamente apelidou de “Baile Funk”.
Diálogos globais sobre o funk brasileiro
Além da experiência imersiva, o projeto Baile Funk Invasion também conta com um debate especial dentro da programação da Rádio WOMEX em 2026, desenvolvida pela rádio espanhola RBL (Rádio Banda Larga), de nome “Is Baile Funk here to stay?”. O encontro reúne diferentes perspectivas sobre a presença do Funk fora do Brasil e os desafios para ampliar a participação de artistas, produtores e profissionais brasileiros nos circuitos internacionais do próprio estilo.
Com transmissão ao vivo pela RBL Radio para todo o mundo, o debate acontece dia 22 de outubro, das 19h15 às 20h45 (GMT), e conta com a participação de Deize Tigrona, uma das vozes fundamentais da história do funk carioca, hoje baseada em Marselha, na França; Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur; e Allexia Galvão, Supervisora de Economia Criativa da Embratur, sob a mediação do cocurador da exposição e diretor artístico do Favela Sounds, Guilherme Tavares.
SERVIÇO – EXPOSIÇÃO BAILE FUNK INVASION NA WOMEX 2026 Quando: 21 a 24 de outubro de 2026 Onde: WOMEX 2026, Las Palmas de Gran Canaria, Espanha Como acessar: somente credenciados
SERVIÇO – DEBATE” IS BAILE FUNK HERE TO STAY?” NA RÁDIO WOMEX Quando: 22 de outubro de 2026 A que horas: 19h15 às 20h45 (GMT) / 16h15 às 17h45 (Horário de Brasília) Onde: Rádio Womex Como acompanhar online?https://rbl.media/
Dez anos de Favela Sounds
Baile Funk Invasion nasce da experiência acumulada pelo festival Favela Sounds ao longo de uma década conectando artistas e cenas periféricas do Brasil a profissionais e iniciativas de diferentes partes do mundo. Criado em Brasília, em 2016, pela Um Nome – Agência Criativa, o Favela Sounds consolidou-se como uma plataforma dedicada à música e às culturas produzidas nas periferias e guetos globais. Ao longo de suas edições, o projeto reuniu mais de 200 artistas brasileiros e de outros 15 países, promovendo também ações de formação, debates e diferentes iniciativas de memória e documentação.
Em 2026, ano em que completa dez anos, o Favela Sounds amplia sua atuação internacional e reforça uma das ideias presentes desde sua criação: as periferias não estão à margem da inovação cultural. São territórios centrais para compreender os movimentos que transformam a música, a estética e o comportamento contemporâneos. Na WOMEX, o Baile Funk Invasion transforma essa perspectiva em uma experiência dedicada a uma das maiores contribuições das periferias brasileiras para a cultura global.
Com mais de 40 anos de carreira, Lulu Santos possui 327 obras musicais e 743 fonogramas e receberá o Prêmio UBC no dia 7 de dezembro, na Casa UBC, no Rio de Janeiro
Sandra Jimenez, Head of Music LATAM e US-Latin do YouTube, é a primeira brasileira da história homenageada pelo programa do Latin Grammy que reconhece mulheres profissionais e socialmente conscientes nos campos das artes e do entretenimento latino
Em comunicado ao Financial Times, Sony Music afirma que solicitou às plataformas a remoção de mais de 260 mil faixas até o final de setembro, representando quase o dobro das faixas retiradas em março