MinC e UFRB abrem curso gratuito na Escult com 160 horas sobre economia criativa, indicadores e patrimônio cultural
O curso da Escult tem inscrições abertas até 14 de julho e propõe formação gratuita a distância com foco em gestão cultural, dados e patrimônio.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
Um novo curso da Escult chega com uma proposta que conversa diretamente com uma demanda antiga do setor cultural: formar profissionais capazes de lidar melhor com gestão, planejamento e uso de dados. Com inscrições abertas até 14 de julho, a formação “Economia Cultural e Criativa, Indicadores e Patrimônio Cultural” será oferecida de forma gratuita, na modalidade a distância, com carga horária de 160 horas. CLIQUE AQUI para se inscrever.
Em vez de tratar a economia da cultura como um tema distante da rotina de produtores, gestores e agentes culturais, a formação tenta aproximar esse debate do cotidiano. Isso inclui desde a leitura de indicadores até o entendimento de como patrimônio material e imaterial pode ser pensado também em termos de sustentabilidade, mobilização de recursos e continuidade de ações.
O que o curso propõe
O curso foi estruturado em quatro trilhas de aprendizagem. O percurso passa pelos fundamentos da economia cultural e criativa, pelo uso de indicadores e estatísticas e pelo debate sobre a economia do patrimônio cultural, até chegar a estratégias práticas de mobilização de recursos. A ideia é sair do campo mais conceitual e chegar a aplicações que façam sentido para quem atua na ponta.
Esse recorte ajuda a explicar por que a formação chama atenção. No setor cultural, é comum que grupos e profissionais tenham repertório artístico e experiência de território, mas menos familiaridade com leitura de dados, organização de informações e desenho de estratégias de médio prazo. Ao colocar esses temas no centro, o curso tenta preencher uma lacuna importante para a gestão de projetos e políticas públicas.
O conteúdo também conversa com uma mudança mais ampla no campo cultural. Nos últimos anos, editais, programas públicos e mecanismos de financiamento passaram a exigir cada vez mais clareza sobre impacto, público, resultados e planejamento. Por isso, saber interpretar indicadores e transformar registros em inteligência de gestão deixa de ser um diferencial secundário e passa a fazer parte do trabalho.
Formação conecta cultura, território e tomada de decisão
Segundo Layno Sampaio Pedra, coordenador dos cursos de Formação Inicial e Continuada do Cecult/UFRB, a proposta da formação é ajudar profissionais a ler o setor cultural de forma mais estratégica.
“O propósito é apoiar gestores e agentes culturais a compreenderem como cultura, trabalho e território estruturam cadeias de valor, desenvolvendo uma visão crítica sobre dados e evidências no campo cultural.”
Ou seja, não se trata apenas de aprender a lidar com números, mas de compreender como os dados podem ajudar a enxergar relações entre produção cultural, circulação, patrimônio, trabalho e desenvolvimento local. Para quem atua em organizações culturais, coletivos, instituições públicas ou projetos independentes, essa leitura pode fazer diferença na hora de justificar ações, buscar recursos e desenhar caminhos mais consistentes.
Outro ponto que pesa a favor da formação é o corpo docente. Daniele Canedo ficará responsável pelas trilhas ligadas à economia cultural e aos indicadores, enquanto Caroline Fantinel assume os módulos voltados à economia e à mobilização de recursos para o patrimônio. Essa divisão sugere um percurso que combina base analítica e aplicação prática, sem perder de vista as especificidades do patrimônio cultural.
A quem a formação pode interessar
Embora inicialmente o público alvo seja de gestores e agentes culturais, o alcance do curso tende a ser mais amplo. A formação pode interessar a profissionais de secretarias de cultura, produtores, pesquisadores, integrantes de coletivos, consultores, estudantes e pessoas envolvidas em projetos que precisam organizar melhor seus processos e seus argumentos.
A modalidade EaD também ajuda a facilitar esse alcance, sobretudo num país em que oportunidades gratuitas de formação especializada nem sempre chegam a todas as regiões. Além das aulas e materiais didáticos, o curso contará com encontros síncronos para aprofundamento dos conteúdos, o que pode favorecer a troca entre participantes e professores.
Há ainda um cuidado com acessibilidade, com oferta de tradução em Libras, legendas e audiodescrição. Esse ponto é relevante porque coloca a formação em sintonia com uma discussão que o próprio setor cultural vem fazendo com mais frequência: a de que acesso não deve aparecer como complemento, mas como parte da estrutura dos projetos.
As inscrições estão abertas até 14 de julho de 2026, no site da Escult. Gratuito e com 160 horas, o curso entra no radar como uma oportunidade de qualificação para quem quer entender melhor como cultura, dados e patrimônio podem caminhar juntos na formulação de projetos, políticas e estratégias de sustentabilidade.
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19 de outubro de 2026
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