Bonnie Tyler morre aos 75 anos em Portugal; cantora estava internada desde maio
A voz de Bonnie Tyler marcou os anos 80 com “Total Eclipse of the Heart” e “Holding Out for a Hero”, hits que atravessaram gerações.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
A cantora galesa Bonnie Tyler morreu aos 75 anos, nesta quarta-feira, 8 de julho, em um hospital em Portugal, onde estava internada desde maio. A artista, nome indispensável do pop rock dos anos 1980, ficou conhecida mundialmente por sucessos como “Total Eclipse of the Heart”, “Holding Out for a Hero” e “It’s a Heartache”.
A morte foi confirmada por meio de um comunicado publicado no site oficial e nas redes sociais da cantora. Bonnie Tyler havia passado por uma cirurgia intestinal de emergência em Faro, no sul de Portugal, onde mantinha residência, e chegou a ficar em coma induzido.
“A família e a equipe de Bonnie estão desoladas ao anunciar que Bonnie faleceu inesperadamente na noite passada em um hospital em Portugal, em decorrência da doença pela qual estava sendo tratada. Emitiremos um novo comunicado em breve, mas, por enquanto, pedimos privacidade para lidar com esta tragédia”, dizia o anúncio.
Da cirurgia vocal à marca registrada
Nascida Gaynor Hopkins, em 8 de junho de 1951, em Skewen, no País de Gales, Bonnie Tyler começou a carreira ainda jovem e foi descoberta pelo olheiro Roger Bell enquanto cantava em Swansea. Seu primeiro álbum, “The World Starts Tonight”, saiu em 1977, ano em que ela também chamou atenção com “Lost in France”.
A voz rouca, que se tornaria sua assinatura artística, nasceu de um episódio delicado. Depois de passar por uma cirurgia para retirada de nódulos nas cordas vocais, Bonnie recebeu orientação médica para manter repouso vocal. Ao não seguir completamente essa recomendação, ficou com uma rouquidão permanente.
O que poderia ter limitado sua carreira acabou virando parte de sua identidade. Em um mercado pop muito marcado por vozes cristalinas e padrões de interpretação mais polidos, Bonnie se destacou por um timbre áspero, dramático e imediatamente reconhecível.
Essa característica ajudou a cantora a ocupar um lugar próprio entre o pop, o rock e as baladas. Em vez de suavizar a voz, ela a transformou em ferramenta expressiva, especialmente nas canções mais intensas de sua discografia.
O auge com “Total Eclipse of the Heart”
A virada internacional veio nos anos 1980, quando Bonnie Tyler passou a trabalhar com o compositor e produtor Jim Steinman, nome associado a produções grandiosas e arranjos teatrais. A parceria resultou em “Total Eclipse of the Heart”, lançada em 1983 no álbum “Faster Than the Speed of Night”.
A música se tornou o maior sucesso da cantora. Vendeu milhões de cópias, chegou ao topo das paradas nos Estados Unidos e consolidou Bonnie como uma das vozes mais fortes daquela década. No Reino Unido, o álbum também teve grande desempenho e ajudou a cantora a alcançar um público ainda maior.
O impacto de “Total Eclipse of the Heart” passa pela própria arquitetura da faixa. A canção tem clima de balada épica, alterna momentos contidos e explosões vocais, e usa a voz rouca de Bonnie como centro dramático. Para o público, virou uma música de catarse. Para o mercado, mostrou como uma faixa de quase seis minutos podia dominar rádios e televisão.
Pouco depois, Bonnie emplacou outro clássico com “Holding Out for a Hero”, faixa da trilha sonora do filme “Footloose”, de 1984. A música ganhou nova vida em filmes, comerciais, programas de TV e animações, incluindo “Shrek 2”, o que aproximou a cantora de gerações que não viveram seu auge nas paradas.
Bonnie Tyler no Eurovision 2013 (Crédito: Albin Olsson)
Uma carreira que atravessou décadas
Embora os anos 80 tenham sido o período de sua maior projeção global, Bonnie Tyler seguiu ativa por décadas. Ela lançou discos, fez turnês e manteve forte presença na Europa, especialmente em países como Alemanha, França e Portugal. Em 2013, representou o Reino Unido no Festival Eurovision da Canção com “Believe in Me”.
No mesmo período, a cantora lançou o álbum “Rocks and Honey”. Anos depois, voltou ao estúdio para projetos como “Between the Earth and the Stars”, de 2019, e “The Best Is Yet to Come”, de 2021, seu último álbum de estúdio. Em 2023, publicou a autobiografia “Straight From the Heart”, na qual revisitou sua trajetória de cinco décadas.
Bonnie também recebeu três indicações ao Grammy ao longo da carreira e foi nomeada Membro da Ordem do Império Britânico por seus serviços prestados à música. A homenagem reconheceu uma trajetória que uniu sucesso comercial, longevidade e uma voz rara dentro da música pop.
A cantora deixa o marido, Robert Sullivan, com quem era casada desde 1973. A morte de Bonnie Tyler interrompe uma agenda que ainda seguia ativa, com lançamentos recentes, shows previstos e uma carreira sustentada por músicas que continuaram circulando em trilhas, regravações, playlists e produções audiovisuais.
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08 de outubro de 2026
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