30e fecha exclusividade com o Maracanã a partir de 2027 e investe no mercado de megashows no Rio
A 30e assinou contrato de cinco anos com o Maracanã e passa a concentrar a agenda de megashows do estádio.
Por Nathália Pandeló···5 min de leitura·
A 30e deu mais um passo na estratégia de operar grandes venues no Brasil ao anunciar um contrato de exclusividade com o Maracanã para a realização de megashows. O acordo começa em 1º de janeiro de 2027, terá duração inicial de cinco anos e foi firmado com o Consórcio Fla-Flu, responsável pela concessão do complexo. Com isso, a empresa passa a ter um ativo de peso no Rio de Janeiro e fortalece sua rota de estádios para turnês de grande porte.
O movimento tem peso porque o Maracanã segue como um dos espaços mais simbólicos do país para eventos de massa, ainda que sua operação seja prioritariamente voltada ao futebol. Com a parceria, a proposta é organizar a agenda de shows em conjunto com a administração do estádio, buscando encaixar apresentações sem afetar o calendário esportivo. Para a 30e, isso cria uma base mais previsível para planejar grandes turnês nacionais e internacionais com antecedência.
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A companhia já vinha avançando nessa frente com a gestão da agenda de shows do Allianz Parque, em São Paulo, e da Arena da Baixada, em Curitiba. Ao adicionar o Maracanã a esse circuito, a empresa passa a reunir três estádios estratégicos em capitais relevantes para o mercado de entretenimento ao vivo, o que muda a escala da operação e dá mais força comercial na negociação com artistas, equipes e patrocinadores.
O que muda com a parceria no Maracanã
Pepeu Correa, CEO da 30e, e Fred Nantes, CEO do Maracanã (Crédito: Divulgação)
No comunicado, o CEO da 30e, Pepeu Correa, destacou justamente o ganho de previsibilidade.
“O Maracanã é um dos maiores símbolos do entretenimento brasileiro. Esta parceria nos permite um planejamento de longo prazo inédito na estruturação de turnês, buscando eficiência operacional para aumentar a viabilidade e a quantidade de shows no estádio por ano.”
Essa visão ajuda a entender o centro do acordo. Em vez de tratar cada show como uma operação isolada, a empresa ganha margem para desenhar uma lógica contínua de ocupação, produção e negociação. Isso pode reduzir atritos de agenda, facilitar a montagem de rotas e tornar o estádio mais competitivo na disputa por grandes turnês, num momento em que o mercado brasileiro tenta equilibrar demanda alta, custos elevados e janelas curtas de disponibilidade.
Correa também afirmou que a operação deve mirar uma experiência mais consistente para o público.
“Vamos estabelecer processos mais ágeis e qualitativos na operação de grandes eventos, algo essencial para reforçar a importância que atribuímos à experiência do fã.”
No lado do estádio, o discurso segue a mesma linha. O CEO do Maracanã, Fred Nantes, afirmou que a parceria busca consolidar o complexo como espaço de futebol e também de entretenimento:
“A parceria com a 30e representa um novo capítulo para o Maracanã, consolidando o estádio não apenas como palco do futebol, mas também como um dos maiores centros de entretenimento do país. A ideia é ampliar horizontes e criar oportunidades para receber grandes shows para diferentes públicos, sempre com o compromisso em diversificar a utilização do estádio com qualidade e excelência. Temos certeza de que essa união proporcionará experiências memoráveis para os fãs e para a cidade.”
Por que o acordo pesa no mercado de shows
O anúncio também chama atenção porque reforça uma tendência do setor: o controle da agenda de grandes arenas e estádios virou uma peça importante na disputa entre promotoras. Ter acesso estruturado a espaços com alta capacidade não significa apenas garantir datas. Significa também oferecer aos artistas uma rota mais organizada, com menos incerteza operacional e maior possibilidade de escala.
No caso da 30e, isso se encaixa numa fase de expansão em que a empresa tenta consolidar sua presença em diferentes frentes do entretenimento ao vivo. A companhia afirma realizar mais de 200 eventos por ano e projeta impactar 4 milhões de pessoas em 2025. Também cita, entre seus históricos, apresentações de nomes como Paul McCartney, System of a Down, Lana Del Rey, Kendrick Lamar, Slipknot e The Killers, além de turnês nacionais como a de despedida do Natiruts, a “SUPERTURNÊ” de Jão e a “TEMPO REI” de Gilberto Gil.
Antes da vigência do novo contrato, a empresa já tem duas datas marcadas no Maracanã em 2026. Em 6 de junho, Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão se apresentam com o projeto “O Maior Encontro do Samba”. Em 20 de dezembro, será a vez do espetáculo “O Último Voo da Nave”, de Xuxa. Esses eventos funcionam como uma prévia da relação entre a promotora e o estádio antes do início formal da exclusividade.
Para o mercado carioca, o acordo sinaliza uma tentativa de tornar o Maracanã mais presente na conversa sobre megashows, num cenário em que a disputa por datas, estrutura e previsibilidade pesa cada vez mais. O Rio de Janeiro, historicamente um palco desejado para muitos artistas, vem aos poucos perdendo o protagonismo para outras capitais, essa exclusividade pode ajudar a mudar o jogo para o público carioca. Já para a 30e, é uma aposta clara: transformar o estádio em peça central de uma malha nacional de grandes eventos.
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